"O PSD arranjou um líder que não é aparelhístico"

Na Circulatura do Quadrado, avaliou-se os resultados eleitorais do último domingo. Pacheco Pereira e Lobo Xavier abordaram a crise à direita. No programa da TSF e TVI, falou-se ainda dos desafios da nova solução governativa.

As críticas aos resultados eleitorais do PSD e também do CDS foram tema de conversa entre Pacheco Pereira, Lobo Xavier e Jorge Coelho no programa Circulatura do Quadrado. Face à derrota eleitoral no último domingo, o ex-dirigente social-democrata considera que Rui Rio está a pagar a fatura de não fazer a vontade ao aparelho do partido.

"Pela primeira vez em muitos anos, o PSD arranjou um líder que não é "aparelhístico", que não é dominado por todos os dias pensar qual o lugar que tem a seguir na carreira, que é um tipo sensato, é um tipo com sentido nacional, sentido do interesse nacional e, que de facto, não tem noção do exercício do poder político. Isto é raríssimo nos dias de hoje. O risco de ter Rui Rio a liderar o partido é enorme para um conjunto de ambições. No meu entender ele deve ir à luta", disse Pacheco Pereira, já depois de, num entrevista à SIC, Luís Montenegro ter dito que é candidato à liderança do PSD.

O desaire eleitoral da direita nas eleições legislativas deixou também marcas no CDS, que terá de encontrar um novo líder, depois de Assunção Cristas ter anunciado que não irá candidatar-se à liderança no próximo congresso centrista. Perante este cenário de indefinição, António Lobo Xavier, que esteve no último jantar da campanha centrista, confessou que os possíveis candidatos ao lugar de Cristas não o convencem. "Nenhum [candidato] me estimula. Estou naquele partido há 45 anos, não posso por a dizer mal de quem salta na arena enquanto não houver outros porque também estou nesta posição mais cómoda", disse o centrista.

Nesta Circulatura do Quadrado debateu-se ainda a nova solução governativa. O socialista Jorge Coelho sublinha que as negociações ainda estão a começar, mas está convicto que o PS vai encontrar formas de entendimento à esquerda. "Não vai haver nenhum problema relativamente à formação do Governo nem à estabilidade que o vai acompanhar", disse Jorge Coelho.

Pacheco Pereira acredita que o próximo executivo, liderado por António Costa que já foi indigitado pelo Presidente da República, terá estabilidade, mas não a longo prazo. "A solução governativa vai garantir estabilidade nos primeiros tempos, mas não vai ser a mesma no conjunto da legislatura. Daqui a um ano ou dois, as condições são diferentes e mais complicadas para o Governo. Nunca haverá uma solução para quatro anos", defende.

Já Lobo Xavier acredita que estabilidade governativa depende "de quem estará no lado da oposição", numa referência aos problemas em torno da liderança do PSD e do CDS. "Se for Rui Rio no maior partido da oposição, as condições de António Costa serão diferentes, porque Rui Rio já o disse, que estaria disponível para reformas estruturais de regime", sublinhando o caráter polémica dessa opção.

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