"Sofisticado e sibilino", Marcelo disse ao Governo que discuta orçamento com os parceiros, não com o PSD

Nas semanas decisivas para a negociação do OE 2021, a TSF entrevista os líderes dos principais grupos parlamentares. Esta quinta-feira é a vez do PSD.

Em agosto, António Costa dizia que "no dia em que a sua subsistência depender do PSD, este Governo acabou", mas, com a demora no consenso à esquerda, até o Presidente da República já veio recordar o seu próprio exemplo quando liderava o PSD e viabilizou dois orçamentos do Governo socialista de António Guterres. Que responsabilidades admite o partido que já defendeu que, durante a pandemia, "todos devemos ser soldados para ajudar Portugal"?

Em entrevista à TSF, Adão Silva, líder da bancada social-democrata, responde que "o PSD assiste tranquilamente a que o orçamento apareça, e quando aparecer vai dar contributos construtivos (...) nunca se vai eximir à suas responsabilidades para com os portugueses."

"Neste momento decorrerem negociações entre o Partido Socialista, o Governo e os seus parceiros tradicionais da geringonça, das quais o PSD não faz parte nem fará parte", lembra.

Na opinião de Adão Silva, Marcelo Rebelo de Sousa fez um exercício "sofisticado, delicado, quase sibilino, para dizer àqueles que são os parceiros tradicionais - 'entendam-se' - porque temos de ter um orçamento para 2021". O recado não abrangia o PSD, considera.

"Todo este processo está muito condicionado pelas palavras do primeiro-ministro" em entrevista ao Expresso, considera o líder da bancada social-democrata: "no dia em que a sua subsistência depender do PSD, este Governo acabou".

"Todo o processo está absolutamente claro, límpido e cristalino - o Governo tem de ser capaz de encontrar uma solução para o orçamento com os seus parceiros tradicionais - o PCP, o PEV o BE, o PAN - não com o PSD."

A preocupação do PSD com o país motivou a aprovação do orçamento suplementar "no período mais complexo e difícil da pandemia, em estado de emergência", justifica Adão Silva, mas as coisas mudaram. Agora o processo "está a decorrer de outra maneira".

Sem querer "augurar futuros tremendos", Adão Silva alerta para um "problema brutal": se o Governo cai quando depender do PSD, como diz António Costa, "o Governo tem obrigação de encontrar uma solução com os seus parceiros".

Juntar à crise provocada pela pandemia uma crise política seria "realmente terrível, mas a obrigação é iniludivelmente do PS, do Governo e dos seus parceiros", reforça o social-democrata.

Neste orçamento, a apresentação de 40 medidas urgentes deixou os sociais-democratas "perplexos". Mas fica prometido o contributo para melhorar a proposta, no momento em que esta for formalizada no Parlamento, dia 12 de outubro.

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