Juntos no tiro a Costa. Esquerda e direita cavam divisões e fazem exigências para convergir com PS ou PSD

Bloco de Esquerda, CDU e Livre defenderam prioridades diferentes à esquerda, enquanto o CDS e a IL se mostraram disponível para trabalhar com o PSD. Chega mantém exigência de estar no Governo se obtiver votação acima dos 7%.

Os partidos à esquerda do PS e à direita do PSD expuseram esta segunda-feira as suas condições para convergências com as duas maiores forças políticas, num debate a nove, com BE, CDU e Livre a defenderem modelos e prioridades diferentes.

Na primeira parte de um debate transmitido pela RTP em direto a partir do Cineteatro Capitólio, em Lisboa, com representantes das nove forças políticas que elegeram deputados nas anteriores legislativas, PS insistiu no apelo a uma maioria absoluta, enquanto o PSD procurou bipolarizar as eleições de 30 de janeiro.

"Teoricamente qualquer um pode ser primeiro-ministro ou qualquer uma, mas na prática não é assim. Portanto, a grande decisão que se vai tomar no dia 30 de janeiro é se o primeiro-ministro é indicado pelo PS e é o doutor António Costa ou se é indicado pelo PSD e sou eu", afirmou Rui Rio.

A coordenadora do BE, Catarina Martins, contestou esta ideia: "Aqui não há uma escolha de primeiro-ministro, aqui vota-se para um parlamento e a maioria determinará o que é que existe no dia seguinte".

Em caso de haver uma maioria à esquerda, Catarina Martins sustentou a seguir às legislativas não se irá discutir um Orçamento do Estado para 2022, mas sim "um contrato de governo para Portugal que resolva as questões fundamentais". Sobre o Orçamento rejeitado em outubro passado, a coordenadora do BE observou: "Seguramente que o próprio PS quererá fazer um melhor trabalho".

Em representação da CDU, o líder parlamentar do PCP, João Oliveira, contrapôs que "a estabilidade de qualquer Governo não depende dos acordos e dos papéis que são assinados, depende da política que é executada" e manifestou disponibilidade "para convergir com todos aqueles que queiram convergir".

O secretário-geral do PS e primeiro-ministro, António Costa, considerou que faltou "vontade política" dos partidos à esquerda para viabilizarem o Orçamento do Estado para 2022, realçando que nem sequer passou à fase de especialidade.

O PAN coloca a tauromaquia como uma "linha vermelha" porque não deve ser possível "torturar um animal numa arena e elevar isso a espetáculo", exigindo aos partidos que adotem valores do século XXI.

O cabeça de lista do Livre por Lisboa, Rui Tavares, voltou a defender "uma ecogeringonça" que seja "o mais ampla possível" e, ao contrário do BE, apontou como prioridade "procurar viabilizar um Orçamento" para 2022. "Não temos o luxo do tempo. É preciso viabilizar um Orçamento para criar espaço negocial e um Programa de Governo", disse.

O presidente do CDS-PP, Francisco Rodrigues dos Santos, mostrou-se disponível para "construir uma solução alternativa à esquerda" mesmo que o PSD não vença as eleições, se os partidos à direita forem maioritários no parlamento: "Inaugurou-se uma nova praxe parlamentar, e temos de dar mérito ao doutor António Costa, como de resto aconteceu com os Açores".

André Ventura, presidente e deputado único do Chega, repetiu que exigirá presença no Governo se o seu partido "tiver votação expressiva, acima dos 7%".

O presidente e deputado único da Iniciativa Liberal, João Cotrim de Figueiredo, afirmou abertura para discutir com o PSD "uma alternativa de Governo", com "ímpeto reformista", mas sem certezas sobre o resultado: "Não sei se vai ser fácil ou não vai ser fácil".

João Cotrim de Figueiredo acusou várias vezes António Costa de não esclarecer o que fará em matéria de alianças para a governação e associou-o ao antigo primeiro-ministro José Sócrates, assinalando que o atual secretário-geral do PS coordenou uma moção do seu antecessor em 2011, que tinha como lema a estabilidade, pouco antes do pedido de assistência financeira externa de Portugal.

LEIA AQUI TUDO SOBRE AS LEGISLATIVAS 2022

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