"Obsessão com o Montijo" e "cidade das duas margens". Autarcas reagem a solução sobre aeroporto
Novo aeroporto de Lisboa

"Obsessão com o Montijo" e "cidade das duas margens". Autarcas reagem a solução sobre aeroporto

A TSF falou com os autarcas de Moita, Benavente, Montijo e Seixal.

Os presidentes das câmaras municipais que vão ser abrangidos pela solução encontrada para a construção do novo aeroporto da Área Metropolitana de Lisboa aceitam a decisão, mas levantam questões.

O autarca do Montijo, Nuno Canta, assinala que com estas escolhas pode começar a resolver-se o "problema da grande assimetria entre as duas margens", com o rendimento per capita da margem Norte a ser neste momento "o dobro" do da margem Sul.

"Temos muitos problemas a resolver e estas infraestruturas, através dos grandes investimentos públicos, são fundamentais para conseguirmos reduzir esta assimetria na região de Lisboa e construir a ambicionada cidade das duas margens", explica à TSF.

Está também prevista a construção de ligações entre o Barreiro e o Montijo e entre o Barreiro e o Seixal, "pontes previstas e que se concretizarão em conjunto com esta infraestrutura aeroportuária".

Apesar da construção do novo aeroporto, o equipamento "vai continuar a funcionar como base aérea em articulação, como estava previsto, com a solução civil".

Já o homólogo do Seixal questiona a "obsessão com o Montijo". Joaquim Santos, defende em declarações à TSF que, com esta decisão, o Governo reconhece que a melhor solução e a de "futuro para o país" é a de Alcochete, mas acusa o executivo de ter uma obsessão por construir algo no Montijo.

"Ninguém compreende porque é que não se avança já, numa primeira fase, em Alcochete com os 600 milhões de euros que se prevê investir na pista do Montijo", assinala Joaquim Santos.

O investimento no Montijo, assinala, terá impacto sobre as populações dado que "a construção da pista irá afetar de forma direta as populações do Seixal, Quinta do Conde, Sesimbra, Azeitão, Setúbal, Barreiro, Moita, Montijo e Alcochete", a que se juntam as consequências do voo a baixa altitude dos aviões, com "ruído e poluição".

O autarca do Seixal defende que, se esta pista "poderia ser feita como primeira fase de Alcochete", é preciso perguntar a Costa e a Pedro Nuno Santos qual a razão "desta obsessão com o Montijo".

Joaquim Santos conta que esteve há poucas semanas em Fernão Ferro, "freguesia fortissimamente afetada pela pista do Montijo, se for construída", onde ouviu as preocupações da população que está "contra esta possibilidade" por conhecer a situação causada em Lisboa, em termos de conforto, pela descolagem e aterragem de aviões.

Por seu lado, Carlos Coutinho, presidente da câmara de Benavente, assinala que a autarquia defendia, desde 2008, que a decisão pelo campo de tiro de Alcochete - "que é de Benavente" - era a medida "correta para podermos ter uma infraestrutura aeroportuária que possa responder ao que são as necessidades do futuro".

Em declarações à TSF, Carlos Coutinho assinala, no entanto, que "andámos cerca de 14 anos numa situação que não compreendemos" e, perante uma grande dificuldade, o Governo viu-se na necessidade de decidir de forma "que parece correta".

Por fim, o autarca da Moita garantiu à TSF que o município não abdica da "salvaguarda dos impactos ambientais" na freguesia da Baixa da Banheira.

"Um investimento desta natureza é de grande importância. Não só para a região, mas também para o país e a Moita em particular. Foi o próprio primeiro-ministro que disse no Parlamento em resposta a um deputado da CDU, que não haveria aeroporto no Montijo sem a salvaguarda dos impactos ambientais que terá na freguesia da Baixa da Banheira, posição da qual nós não abdicamos", assegurou.

E prossegue: "Compreendemos a visão que o Governo tem de reconhecer que é muito complicado que infraestruturas e decisões que têm impacto nacional estejam, neste caso, a necessitar da decisão de uma autarquia a nível local."

"Mas seja qual for a lei seja implementada, ainda que possa retirar o poder de veto dos municípios, nunca deixará de ter o ónus político de avançar contra a vontade de um município. Por isso é que eu acho que existe toda a vontade e toda a disponibilidade do Governo de criar um amplo consenso relativamente a esta matéria", conclui o autarca.

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