Oposição ecoa críticas de relatório a gestão da pandemia. PS fala em "contradições" no documento

O mais recente relatório do Observatório Português dos Sistemas de Saúde arrasa a forma como o Governo tem planeado a respostas à pandemia de Covid-19. O tema esteve em debate no Fórum TSF.

O Partido Socialista (PS) não aceita os reparos do Observatório Português dos Sistemas de Saúde (OPSS), que critica a forma como têm sido planeadas as diferentes fases de resposta à pandemia de Covid-19, ao longo do último ano.

O relatório anual do observatório tece críticas que vão desde o plano feito para o outono-inverno, altura em que morreram milhares de portugueses vítimas do coronavírus, até à decisão de isolar a Área Metropolitana de Lisboa no último fim de semana.

No Fórum TSF, Sónia Fertuzinhos, deputada do PS, reconheceu que era possível ter feito melhor, mas apontou algumas contradições que afirma ter encontrado no documento que reúne a opinião de especialistas de várias faculdades e centros de investigação.

"Por um lado, diz que houve excesso de voluntarismo na gestão da pandemia e insuficiências no planeamento da saúde e que não houve um processo adequado de aconselhamento científico. Por outro lado, aponta como pontos positivos da experiência portuguesa a liderança, empenhamento constante e atenção por parte da magistratura de influência do Presidente da República e da condução do Governo", referiu a deputada.

Sónia Fertuzinhos admite que "ninguém acha que correu tudo bem, mesmo o Governo". "É óbvio que hoje, olhando para trás, percebemos que podíamos, aqui ou ali, ter feito melhor", constata. No entanto, afirma que isso é algo que "acontece em todas as situações com que lidamos que são novas".

Já para o Partido Social Democrata (PSD), o diagnóstico do relatório acerta em cheio nas críticas ao Governo. António Maló de Abreu, deputado do PSD, acusa o Executivo de ter feito uma gestão desastrosa da pandemia, que custou a vida a muitos portugueses.

"Concordo perfeitamente com as críticas. São críticas arrasadoras para o Governo e nós reiteramos isso", declarou Maló de Abreu.

"Neste momento, é um verdadeiro desastre o que se passa em termos de planeamento", atirou o deputado social-democrata, lembrando que o PSD apresentou "em devido tempo, uma proposta para a gestão desta pandemia, que passava por um conjunto grande de medidas, que não foram atendidas pelo Governo".

"Chegámos a esta situação em que morreram milhares de portugueses. Não há palavras doces para descrever o que se passou ao longo deste último ano", sublinhou.

O Partido Comunista Português (PCP) reitera críticas ao Governo por não apostar num reforço dos serviços de saúde públicos.

A deputada comunista Paula Santos lembra que se o país não tiver estruturas de saúde públicas robustas, "tudo o que vier a seguido fica comprometido".

"É urgente e deve ser prioritário reforçar a estrutura de saúde pública, para que tenha mais capacidade no rastreamento, mais capacidade na identificação dos surtos, com maior rapidez e eficácia, para que tenha maior capacidade na quebra de cadeias de contágio", defendeu.

As críticas são transversais aos partidos da oposição. No caso do CDS, é a comunicação que é apontada como a grande falha do Governo na gestão da Covid-19.

O deputado centrista Pedro Morais Soares reconhece que o Executivo socialista "tem agido, em algumas matérias, bem - uma das quais foi, desde logo, a nomeação do vice-almirante [Gouveia e Melo] para coordenar a task force da vacinação".

Pedro Morais Soares afirma, no entanto, que o Governo "tem agido muito mal em muitas outras" - e, em especial, "na comunicação, que, de facto, tem sido péssima".

"As pessoas não sabem o que podem ou não fazer ao certo, quais são as medidas [aplicadas]. Tudo é confuso - e, pior, apercebem-se que são impostas restrições a uns quando a outros não são, ou existem faltas de planeamento", lamenta.

Nelson Silva, do Pessoas-Animais-Natureza (PAN) alinha nas críticas, afirmando que, no início, o Governo acertou na estratégia de combate à pandemia, mas depois perdeu-se em decisões circunstanciais.

"Num momento inicial, nós apoiamos claramente todas as declarações do estado de emergência, porque o Governo tinha uma abordagem lógica, que, no nosso entendimento, poderia ter algum sucesso", começou por dizer Nelson Silva.

"Mas a partir do momento em que o Governo se começou a "desleixar" um pouco, para beneficiar outro tipo de setores - e também temos de ter bem presente que o setor da economia não pode manter-se confinado durante muito tempo -, houve vários comportamentos que nos fizeram duvidar daquilo que eram as competências do Governo", completou.

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