Ora tourada, ora forças de segurança. Ana Gomes teve tempo para tudo em Santarém

Num dia maioritariamente dedicado a Santarém, Ana Gomes aproveitou também para piscar o olho à comunidade cigana.

A manhã de campanha de Ana Gomes foi passada em Santarém, entre temas tão diversos como a possibilidade de inovar na tauromaquia, a memória de Salgueiro Maia ou até a importância da esquerda não abandonar os temas da segurança.

O segundo dia de campanha na rua da candidata presidencial desde que começou o período oficial, no domingo, arrancou com uma reunião com o presidente da Comunidade Intermunicipal (CIM) da Lezíria do Tejo e Presidente da Câmara de Almeirim, Pedro Ribeiro, e a conversa de mais de uma hora andou à volta de temas como a investigação aplicada e a inovação, mas foi a tauromaquia que 'animou' o debate.

"Perguntei se estavam a contemplar formas de manter as tradições do ponto de vista da coreografia, dos aspetos culturais, mas que fossem também compatíveis com os direitos dos animais", explicou Ana Gomes, recebendo como resposta que os onze autarcas desta CIM são a favor da tauromaquia.

Questionada se este tema apareceu na campanha como forma de agradecer o apoio do PAN (um dos partidos que apoia a diplomata, a par do Livre), Ana Gomes rejeitou esta interpretação.

"São uma forma de mostrar as minhas próprias preocupações e convicções que, em certas matérias, são coincidentes com as do PAN, por isso tenho muito orgulho em ter apoio do PAN", afirmou.

Sempre acompanhada pelo antigo autarca de Santarém do PS Rui Barreiro, a candidata seguiu para uma reunião e visita ao Comando Distrital da PSP, no final da qual aproveitou para deixar um aviso à esquerda.

"A esquerda tem de ter uma posição sobre as questões de segurança: é porque a esquerda desvalorizou muitas vezes as condições de funcionamento das forças de segurança, mas também das Forças Armadas, que hoje vemos infiltrações nestas forças de movimentos de extrema-direita que capitalizam o descontentamento e ressentimento", alertou.

Por isso, Ana Gomes considerou que "as questões da segurança e da defesa são demasiado importantes para serem deixadas à direita".

"Temos de ter forças de segurança bens instaladas, bem remuneradas, bem formadas para que tenham motivação e exerçam as suas missões com autoridade", afirmou, garantindo que tal será uma "prioridade" se for eleita Presidente da República em 24 de janeiro.

A manhã em Santarém terminou com uma visita ao hospital, com Ana Gomes a afirmar-se como "defensora do Serviço Nacional de Saúde", do qual é utilizadora frequente.

"Em Bruxelas tive de recorrer ao privado, em Portugal tento recorrer ao público sempre que possível. Estive quase um ano à espera para me inscrever centro de saúde familiar da minha zona", disse.

A candidata não quis deixar Santarém sem recordar o capitão de Abril, natural de Castelo de Vide, mas com estátua e parte da vida associada à cidade escalabitana.

"Estamos aqui na terra de Salgueiro Maia, foi daqui da Escola Prática de Cavalaria que saiu Salgueiro Maia no dia 25 e Abril de 1974", afirmou, recordando ter assistido a esses momentos históricos ao vivo.

Não foram muitos os eleitores com quem se cruzou nesta manhã de campanha feita de visitas e reuniões, mas ao atravessar a rua antes de prestar declarações à comunicação social, Ana Gomes conversou breves instantes com uma cidadã de etnia cigana.

"Estava a dizer a esta senhora que a mim me chamavam a candidata cigana, e eu disse 'com muito gosto'", explicou, referindo-se a uma expressão utilizada pelo seu adversário André Ventura, líder do Chega.

As eleições presidenciais, que se realizam em plena epidemia de covid-19 em Portugal, estão marcadas para 24 de janeiro e esta é a 10.ª vez que os portugueses são chamados a escolher o Presidente da República em democracia, desde 1976.

A campanha eleitoral começou no dia 10 e termina em 22 de janeiro. Concorrem às eleições sete candidatos, Marisa Matias (apoiada pelo Bloco de Esquerda), Marcelo Rebelo de Sousa (PSD e CDS/PP) Tiago Mayan Gonçalves (Iniciativa Liberal), André Ventura (Chega), Vitorino Silva, mais conhecido por Tino de Rans, João Ferreira (PCP e PEV) e a militante do PS Ana Gomes (PAN e Livre).

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