Os críticos e a hipocrisia interna no PSD. As respostas de Rui Rio no Fórum TSF

No Fórum TSF, Rui Rio aponta a hipocrisia dentro do seu partido de todos aqueles que o criticaram e agora dizem apoiá-lo, propõe mudanças para o círculo de deputados e diz não aceitar lições de cálculo de Centeno. O líder do PSD indica ainda que não será deputado.

Rui Rio comentou esta manhã, no Fórum TSF, as suspeitas levantadas em relação ao possível envolvimento do Presidente da República no caso Tancos. Rio diz mesmo que "não se brinca com notícias sobre a Presidência da República".

Ainda sobre polémicas, o social-democrata foi questionado sobre a disputa de Centenos. É um desplante o PS tentar ensinar contas certas a Rui Rio, considera o candidato. O líder do PSD acredita que foi "quase anedótico" Mário Centeno tentar explicar-lhe rigor financeiro.

Foi ainda pedido ao líder partidário que se pronunciasse sobre as mais recentes sondagens. Rio diz que, desde agosto, na pré-campanha, o PSD tem subido e que o PS tem subido, mas não se adianta em mais comentários.

"Quando saíam sondagens com 19% para o PSD, eram para desmoralizar este partido. O PSD nunca teve intenção de 19%", garante. "Não é por estarmos a subir nas sondagens que vou dizer que estão corretas."

Questionado no Fórum TSF, Rui Rio admite que as aproximações antes das Europeias eram corretas, mas aponta o exemplo das Legislativas em que Cavaco Silva venceu com mais de 50%, quando, dias antes, "o PS surgia como vencedor nas sondagens".

"Atitude hipócrita" de alguns sociais-democratas

Rui Rio manifestou-se ainda insatisfeito relativamente à oposição que certos elementos do seu partido lhe têm oferecido. "Eu nem sei se percebo muito ou pouco [de política]. Eu sou sincero. Quem esteve sempre a dizer mal do partido e agora aparece a apoiar é hipócrita", garante o social-democrata.

No entanto, o candidato elogia a maior parte dos elementos e militantes do PSD. Rio critica esta "atitude hipócrita" de quem tentou "destruir" e agora finge uma "união" aparente, e acrescenta: "Eu não vendo a minha frontalidade por resultados."

Sobre a "degradação nos serviços públicos", Rio considera que se deve a "permanente turbulência" e mudança nas pastas. O social-democrata acredita que "se deve a muitos fatores" e não apenas a um Governo que, "em quatro anos", não pode fazer tudo.

Círculos eleitorais entre os dez e os 12 deputados

Quem critica Rio por "não ter ideias" não tem razão, garante o líder do PSD. O social-democrata esclarece que simplesmente se reconhece "aberto a conversar com todos". O candidato cor de laranja considera que os círculos eleitorais devem ser reduzidos para os dez ou 12 elementos, com uma "aproximação maior aos deputados".

O sistema misto alemão "não é do agrado" de Rui Rio, mas o líder do PSD assume que também debateria este modelo democrático. "A minha estratégia é conversar com os outros. Isso é algum crime?", questiona Rio, que admite concertação com os restantes partidos.

Rui Rio diz apenas criticar quem opta pela abstenção. "Uma pessoa que vota em branco porque não se identifica com nenhum deve ser respeitada", posiciona-se o social-democrata.

Rui Rio acredita na "valorização dos votos brancos", porque devem ser apreciadas as conclusões intelectuais dos portugueses. "Era uma forma de reduzir os deputados, porque há uma participação na vida administrativa do país", esclarece o líder do PSD.

Nesta perspetiva de "reformar sistema que é de todos", o social-democrata considera que deve haver uma limitação de mandatos nos municípios, mas que as legislaturas devem chegar aos cinco anos de governação.

O candidato às Legislativas pelo PSD explica que esta solução serviria para os "governos terem mais tempo para que as políticas sejam mais estruturadas e menos de foro conjuntural". "Isto seria positivo para a democracia", assevera.

"Degradação dos serviços públicos" é culpa do Governo? Não só, mas também

"Quando o Governo diz que tem muito mais dinheiro e mais recursos humanos nos serviços como a saúde, está na verdade a dizer mal de si próprio. Não só não conseguiram otimizar como pioraram a capacidade de gestão", afiança Rui Rio.

Nos transportes públicos, os problemas "não apareceram em 2016", sobretudo os da ferrovia, mas "pouco foi feito desde há quatro anos".

O mesmo diz sobre as "incapacidades administrativas" ao nível das lojas de cidadão, para conseguir o cartão identificativo, e quanto aos departamentos para tratar dos documentos da reforma.

Rio critica estado da Justiça

"Procuro ser forte com os fortes. Falo de interesses que não devem ultrapassar a linha do interesse coletivo", assegura Rui Rio, que não deixa de "respeitar os interesses setoriais".

A governação do PS "é, por natureza, fraca com os fortes", acusa o líder partidário.

Rio diz que o Conselho Superior da Magistratura deveria ser composto por minoria de magistrados. O Conselho Superior da Magistratura tem, já hoje, uma minoria de magistrados, diz Rio.

O que o líder partidário defende "não é um Ministério Público corporativo, em que os são donos de tudo". Para o social-democrata, a maioria de não-magistrados "insulta a nossa inteligência, está politizada e é uma aberração".

Rio aconselha que quem seja integrado no MP não tenha, recentemente, feito parte de outros órgãos de soberania. "A Justiça está demasiado má para um Estado democrático", aponta Rui Rio, que defende ainda a criação de um provedor que receba denúncias sobre "o que correu mal no processo judicial".

Com "frontalidade", Rio anuncia "uma declaração absolutamente incorreta do ponto de vista política". O social-democrata trata de rever positivamente o sistema de quotas para evolução nas carreiras.

"Onde encontrei os melhores colaboradores e profissionais foi no setor público. Onde encontrei os piores foi no setor público", posiciona-se Rio, que destaca "amplitude do setor público" onde se inserem muitos trabalhadores.

A avaliação tem de fazer parte da gestão da administração pública, admite o candidato pelo PSD, sobre a medida socialista.

Sem milagres, como é que Rio vai melhorar o setor da saúde?

Rio diz não ter resposta para atingir "um SNS sem problemas absolutamente nenhuns", mas garante ter possibilidades de o melhorar, com mais investimento e manutenção.

"O investimento público no tempo da Troika foi superior" ao do Governo socialista, afiança o candidato, ouvido no Fórum TSF.

Apontando "desperdício na saúde", Rio diz defender que o setor privado faça "mais e melhor", em parceria com os públicos. No entanto, "mais fiscalização é fundamental", de acordo com o líder laranja.

"Que fique claro que não sou a nossa senhora de Fátima, não faço milagres. A margem orçamental foi 13 mil milhões de euros. Projetamos 15 mil milhões para os próximos quatro anos", acrescenta o líder do PSD, que atribui ao dinheiro o único "milagre" possível.

Para depois de 6 de outubro, ainda não há planos

Rio ainda não tomou qualquer decisão quanto ao dia 7 de outubro. "Há quem esteja muito preocupado com o dia 7, mas eu não. Eu estou preocupado com dia 6."

O líder do PSD diz que não é preciso ser deputado para se impor como oposição nem para liderar o partido, e assim finaliza a sua intervenção no Fórum TSF.

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