"Otelo tem direito a um lugar de proeminência histórica"

Ramalho Eanes reage à morte de Otelo Saraiva de Carvalho.

António Ramalho Eanes reagiu esta segunda-feira, através de um comunicado, à morte de Otelo Saraiva de Carvalho e escreve que, para si, o militar tem direito a um lugar de proeminência histórica.

"Para mim, e apesar de todas as contradições, o Otelo tem direito a um lugar de proeminência histórica. E tem esse direito, apesar da autoria de desvios políticos perversos, de nefastas consequências, porque foi ele quem liderou a preparação operacional do 25 de Abril, a mobilização dos jovens capitães, o comando da operação militar bem-sucedida. E penso assim porque entendo que um Homem é uma unidade e continuidade, uma totalidade complexa, e que só é bem julgado quando considerando, historicamente, esse quadro e o seu contexto", pode ler-se no comunicado de Ramalho Eanes.

Para o antigo Presidente da República, a pátria deve a Otelo a liberdade e a democracia. Uma dívida que, afirma o general, nada nem ninguém tem o direito de recusar.

"A ele a pátria deve a liberdade e a democracia. E esta é dívida que nada, nem ninguém, tem o direito de recusar", escreve o ex-Presidente da República.

Numa carta de seis parágrafos, Eanes descreve Otelo como um homem que, num momento histórico, se ultrapassou e ganhou uma dimensão nacional indiscutível.

"Há homens que, num momento histórico especial, se ultrapassam, ganhando dimensão nacional, indiscutível, porque souberam perceber e explorar uma oportunidade histórica única, e sentir os anseios mais profundos do seu povo. Otelo é uma dessas personalidades", acrescenta António Ramalho Eanes.

Otelo Saraiva de Carvalho, militar e estratego do 25 de Abril de 1974, morreu no domingo de madrugada aos 84 anos, no Hospital Militar, em Lisboa.

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