PAN lamenta chumbo da audição de Rui Pinto e acusa partidos de hipocrisia

André Silva sublinha que "é absolutamente hipócrita que não queiram ouvir a fonte da informação", questionando: "De que é que o PS tem medo?"

O porta-voz do PAN lamentou esta quinta-feira o chumbo da audição de Rui Pinto, criador dos 'Football Leaks' e arguido no caso com o mesmo nome, considerando "hipócrita" que a comissão de inquérito ao Novo Banco não o queira ouvir.

Na votação hoje efetuada na Comissão Eventual de Inquérito Parlamentar às perdas registadas pelo Novo Banco e imputadas ao Fundo de Resolução, os deputados do PSD, BE, PCP e PAN votaram a favor, João Cotrim de Figueiredo (IL) absteve-se e PS e CDS-PP votaram contra.

"É absolutamente hipócrita que não queiram ouvir a fonte da informação, quando depois a utilizam quando esta é veiculada pelos órgãos de comunicação social, a pergunta que fica é: de que é que o PS tem medo?", perguntou o deputado do PAN, partido autor do requerimento.

Segundo André Silva, "todos os problemas na origem do grave problema financeiro do BES estão também relacionados com negociatas do BES/Angola".

"O cidadão Rui Pinto tem informações sobre transferências do BES para o BES Angola na ordem dos 600 ME através de empresas fictícias em 'off shores'", apontou.

O deputado recordou que Rui Pinto está a colaborar com a Polícia Judiciária e lembrou que a comissão de inquérito tem "poderes especiais".

"É de facto de lamentar que estes partidos, nomeadamente o PS, chamem à comissão figurões que muitos vêm gozar com os deputados e com os cidadãos, mas quando é necessário ouvir a origem dessa informação o PS entende que não o deve fazer", criticou, considerando que o parlamento "perdeu uma oportunidade fantástica" de avançar nesta investigação.

A audição de Rui Pinto, criador dos 'Football Leaks' e arguido no caso com o mesmo nome, foi hoje chumbada na comissão de inquérito ao Novo Banco, depois de dois empates na votação, o que à segunda significa chumbo.

Depois de um primeiro empate 8-8 (a votação é feita por número de deputados), os parlamentares esgrimiram argumentos sobre a forma de obtenção da informação a que Rui Pinto teve acesso, a questão que os dividiu.

A votação acabou por ser repetida com o mesmo resultado e, nos termos do Regimento da Assembleia da República, um empate à segunda votação equivale a rejeição.

No final dos trabalhos, o deputado do PCP Duarte Alves lamentou que, "pela convergência de votos do PS, IL e CDS, não tenha sido possível realizar-se esta audição".

Rui Pinto, afirmou, "está em colaboração com autoridades judiciais a prestar informações", que estão a ser usadas, pelo que "não há razão" para a comissão de inquérito "não tenha acesso a essas informações", dado que tem "poderes equiparados ao das entidade judiciais".

Na sua conta na rede social Twitter, Rui Pinto tem publicado, ao longo do último mês, mensagens acerca do BES, da Prébuild (grande devedora do Novo Banco) ou ainda acerca da audição de Luís Filipe Vieira (presidente da Promovalor e do Benfica) no parlamento, questionando-se sobre se "alguns elementos da CPI [Comissão Parlamentar de Inquérito] não querem saber" o que tem para dizer.

O julgamento do processo Football Leaks prossegue no próximo dia 24 de junho. Paralelamente, o advogado de Rui Pinto, Francisco Teixeira da Mota, disse ao coletivo de juízes, presidido por Margarida Alves, que o arguido vai prestar declarações no julgamento, após a inquirição das testemunhas e antes da fase de alegações finais.

Rui Pinto, de 32 anos, responde por um total de 90 crimes: 68 de acesso indevido, 14 de violação de correspondência, seis de acesso ilegítimo, visando entidades como o Sporting, a Doyen, a sociedade de advogados PLMJ, a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR), e ainda por sabotagem informática à SAD do Sporting e por extorsão, na forma tentada. Este último crime diz respeito à Doyen e foi o que levou também à pronúncia do advogado Aníbal Pinto.

O criador do Football Leaks encontra-se em liberdade desde 07 de agosto, "devido à sua colaboração" com a Polícia Judiciária (PJ) e ao seu "sentido crítico", mas está, por questões de segurança, inserido no programa de proteção de testemunhas em local não revelado e sob proteção policial.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de