Passos Coelho "não vai dar para este peditório"

No Bloco Central especial no Congresso do PSD, Salvador Malheiro, um dos homens do núcleo duro de Rui Rio, falou do fantasma do Passismo e admitiu a possibilidade de o partido contar com Luís Montenegro nas autárquicas.

Está "tudo muito mais clarificado" do que na primeira eleição de Rui Rio como líder do PSD, portanto, desta vez, Salvador Malheiro garante que as listas foram feitas com "gente afeta e leal ao presidente" e que os adversários terão lugar noutras batalhas.

O presidente da Câmara Municipal de Ovar recorda que, há dois anos, foi feito um "enorme esforço" para criar união, nomeadamente no acordo com Santana Lopes, e depois "o resultado veio dar razão a muita gente afeta a Rui Rio que não concordou".

Porém, um dos membros do núcleo forte de Rio recorda que é dada "completa liberdade para cada um poder apresentar as suas listas" e ressalvando que "há várias formas de fazer união", entre elas "os críticos poderem disponibilizar-se para poderem encetar batalhas nas comunidades locais, caso sejam os que têm maior reconhecimento".

Nesse caso, Luís Montenegro - adversário de Rui Rio nas diretas - seria uma boa opção para as eleições autárquicas? Salvador Malheiro dirige-se ao antigo líder da bancada parlamentar como um "excelente ativo" que "tem muito para dar ao partido".

"Se tivesse a certeza que ele seria a pessoa que na sua comunidade local estivesse melhor preparada e que tivesse maior conhecimento dentro do seu povo, porque não?", aponta, admitindo que pode acontecer "em Espinho ou noutro sítio qualquer", mas que essa decisão tem de merecer uma "reflexão".

"Ganhar autárquicas é extremamente complicado"

Sobre as próximas eleições autárquicas, Salvador Malheiro garantiu ainda que mantém "os pés bem assentes na terra" e admite que "ganhar é extremamente complicado".

O autarca garante que o partido é "realista", e sendo que "ganhar é ter o maior número de câmaras e juntas de freguesias" e difícil, o objetivo é "inverter a tendência porque [se] perdeu muito em 2013 e 2017".

"Voltar ao que tivemos em 2001 diria que é muito complicado, mas tudo iremos fazer para ganhar o máximo número de mandatos", concluiu.

Passos Coelho? "Estão a lançar alguém que não vai dar para este peditório"

No Bloco Central especial, ainda antes do discurso inicial do Congresso do PSD, o autarca recusou acreditar que o fantasma de Passos Coelho vá andar pelos corredores, principalmente após a eleição de um nome líder. Na opinião de Malheiro, "estão a lançar alguém que de certeza absoluta não vai dar para este peditório".

O IVA da energia e a necessidade de esclarecimentos

Em relação à atualidade, e mais precisamente à proposta de redução do IVA da eletricidade, Salvador Malheiro acredita que é preciso esclarecer o que se passou, mas assegura que o PSD teve uma "atitude séria, responsável e coerente".

"Esta medida surge no sentido de reduzirmos a carga fiscal que atinge o maior nível histórico em Portugal", ressalva, justificando que "antevendo uma atitude menos séria do Governo", a proposta do PSD propunha redução do IVA, mas também medidas para fazer face à descida da carga fiscal.

"Isto das contas não se deve brincar, matemática não é filosofia, engenharia nada tem a ver com ciências políticas", atira o social-democrata, apontando os valores da energia gastos em Portugal e frisando que a "fatura global é de 2,6 mil milhões de euros em eletricidade" com "IVA que vale 500 milhões de euros", o que contraria os 800 milhões do Governo.

Salvador Malheiro explica ainda que o que está em causa são "370 milhões de euros", (...) mas 800 não é".

O social-democrata admite que pode haver "alguma confusão" nos portugueses porque a "informação não saiu cristalina". Porém, recorda que a proposta foi alterada para haver negociações e para que a diminuição do IVA da energia fosse aprovada, o que acabou por não acontecer.

O social-democrata deixa claro que o que travou a aprovação das medidas foi PS, o PC e o CDS terem votado contra a entrada em vigor em outubro. Caso contrário, assegura, a proposta teria sido aprovada.

Votação levou "CDS a encostar-se ao PS"

E à boleia da energia, Salvador Malheiro realçou que o chumbo da proposta ao lado do PS fez ver "o CDS a encostar-se ao PS", quando "o que seria natural" era juntar-se ao PSD.

O presidente da Câmara Municipal de Ovar, num olhar rápido pelo espetro político português, recorda ainda que "o PSD só tem sete deputados à sua direita", lembrando que, tendo em conta o contexto, é fundamental "conquistar o centrão".

* entrevista de Anselmo Crespo no Bloco Central

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