Mais uma recusa. PCP afasta possibilidade de ter assessores do Governo como interlocutores

Antes de o secretário-geral do PCP se pronunciar, PSD, BE, CDS-PP e PAN já tinham recusado ter António Costa e Silva como interlocutor.

O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, afirmou esta segunda-feira em Setúbal que o relacionamento institucional dos comunistas continuará a ser feito com os membros do governo, independentemente dos assessores contratados pelo executivo socialista.

"Da parte do PCP, é claro que, em relação ao programa de estabilização, é fundamental que seja discutido na Assembleia da República (...) e, simultaneamente, no plano das relações do Governo com os partidos", disse o líder comunista durante uma visita a uma escola básica da Brejoeira, em Azeitão, no dia em que as crianças do pré-escolar regressaram à escola.

"O Governo pode rodear-se de assessores, de especialistas - está no seu direito - mas estamos a falar do relacionamento institucional, da sede (Assembleia da República) onde as coisas vão ser discutidas e resolvidas. Entendemos que deve ser sempre alguém do Governo", acrescentou.

Jerónimo de Sousa reagiu desta forma à decisão do Governo, já confirmada pelo primeiro-ministro António Costa, de indicar o gestor da petrolífera Partex António Costa e Silva para "coordenar a preparação do Programa de Recuperação Económica", trabalho que deverá estar concluído até à aprovação do Orçamento Suplementar.

Antes de o líder do PCP se pronunciar, PSD, BE, CDS-PP e PAN já tinham recusado qualquer possibilidade de terem António Costa e Silva como interlocutor, exigindo que o diálogo institucional continue a ser feito, como sempre, com os membros do Governo.

"Não fomos perdidos nem achados. Da nossa parte nunca sentimos necessidade de um ministro ser substituído por um assessor. São critérios que o Governo terá, mas continuamos a dar prevalência ao relacionamento institucional", sublinhou Jerónimo de Sousa.

Questionado pelos jornalistas, Jerónimo de Sousa enunciou algumas prioridades do que deverá ser o programa de recuperação económica face à pandemia de Covid-19.

Para o líder comunista, a criação de emprego, o salário pago na totalidade e o combate à precariedade das relações laborais deveriam ser algumas das grandes prioridades do programa de recuperação económica do Governo de António Costa.

Depois de uma breve reunião com a direção da Escola Básica da Brejoeira, em Azeitão, Jerónimo de Sousa, neste Dia Mundial da Criança, Jerónimo de Sousa sublinhou as preocupações dos docentes e do poder local de Setúbal em assegurar as condições de Higiene e Segurança nos estabelecimentos de ensino, mas lembrou que a "responsabilidade pedagógica e pelo financiamento dos equipamentos necessários é do Estado, do Governo".

"O Governo não pode transformar aquilo que é cooperação e solidariedade do poder local em desresponsabilização do Governo, particularmente em relação aos equipamentos de Proteção Individual", concluiu o líder comunista.

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