PCP pede menos "discursos inflamados" e ataca liberais: "Constituição não enquadra a saúde como um negócio"

O líder comunista acrescenta que "a política do PS não tem futuro" e volta a justificar o chumbo do Orçamento.

Oito meses depois do chumbo do Orçamento do Estado, e com uma crise na saúde, Jerónimo de Sousa volta justificar o voto contra o documento que levou à queda do Governo, dada "a fuga às respostas". No início das jornadas parlamentares do PCP, que decorrem na península de Setúbal, o líder comunista aponta ainda à "demagogia liberal", que quer a saúde "a duas velocidades".

"Hoje todos podem ver quanta razão tinha o PCP para votar contra um Orçamento que insistia em fugir à dar resposta ao premente problema de garantir o direito à saúde dos portugueses, reforçando o Serviço Nacional de Saúde (SNS)", defende.

O líder comunista acrescenta que "a política do PS não tem futuro", e com profissionais em número insuficiente, "exaustos e desmotivados", os grupos económicos "do negócio da doença retiram profissionais ao SNS e diminuem a capacidade de resposta".

"O objetivo que pretendem alcançar é o de ter a saúde a duas velocidades: para a imensa maioria da população um SNS desqualificado, com pouco investimento e responsável por tratar aquilo que não dá lucro; para uma minoria de ricos, os melhores e mais avançados cuidados de saúde que o dinheiro pode pagar", dispara.

E, para os liberais, Jerónimo de Sousa defende que "a Constituição não enquadra a saúde como um negócio, nem o SNS como solução de recurso", mas sim como um direito fundamental, criticando "as sociedades ditas liberais onde essa é a realidade que os povos enfrentam".

"Não faltam em Portugal liberais e outros tais a defender o mesmo destino para o povo português", acrescenta.

O comunista pede, por isso, menos "discursos inflamados ou proclamações retóricas", no que parece ser uma mensagem para António Costa, mas sim "medidas concretas e opções diferentes daquelas que têm sido feitas".

"Os problemas do SNS resolvem-se com o aumento da capacidade de formação de profissionais de saúde. É preciso reforçar o número de profissionais, e garantir-lhes vínculos laborais adequados e condições de estabilidade profissional", defende, colocando fim "às medidas desastrosas da contratação temporária de tarefeiros".

Antes de Jerónimo de Sousa, na sessão de abertura da iniciativa comunista, falou a líder parlamentar, Paula Santos, que recordou "o desinvestimento a que a região de Setúbal tem sido sujeita", com impacto na saúde.

"É uma das regiões onde é mais sentida a falta de profissionais de saúde". Há 186.377 utentes sem médico de família, o que corresponde a 22,4% da população. Faltam profissionais de saúde para assegurar o adequado funcionamento dos serviços públicos, designadamente de urgência e urgência obstétrica", afirma.

As Jornadas Parlamentares do PCP terminam na terça-feira, com a sessão de encerramento a cargo de Paula Santos. A iniciativa conta com uma visita à Autoeuropa, em Palmela.

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