"Pedir a revisão da Convenção de Albufeira é ir à lã e sair tosquiado"

João Pedro Matos Fernandes sublinha que o mais acertado seria Espanha passar a pôr "do lado de cá" um hectómetro cúbico de água por dia.

O ministro do Ambiente e da Ação Climática defende que pedir a revisão da Convenção de Albufeira não faz sentido, uma vez que a prioridade deve ser a aposta em caudais mais regulares. Em entrevista à TSF, João Pedro Matos Fernandes sublinha que o mais acertado seria Espanha passar a pôr "do lado de cá" um hectómetro cúbico de água por dia.

"Pedir a revisão da Convenção de Albufeira é, aquilo que eu diria usando uma linguagem popular, ir à lã e sair tosquiado, porque os caudais quando foram fixados - e a convenção já fez vinte anos - o Tejo tinha mais 25% de caudal de água do que tem hoje. Por isso, quem verdadeiramente deve estar interessado em rever a Convenção de Albufeira é Espanha, como forma de reduzir a quantidade de água global que envia para Portugal", avança à TSF.

De acordo com o ministro, "com o regime hidrológico que existe hoje é virtualmente impossível Portugal conseguir ter mais água ao longo do ano a partir de Espanha, sendo que é da maior importância que a tenha com uma maior regularidade".

"Neste momento, o período mais curto de tempo ao qual Espanha se obriga é a semana e na semana tem de pôr do lado de cá sete hectómetros cúbicos de água. Nós queremos passar esse valor (sete por semana) para um por dia, o que não significa vir mais água, mas significa a água vir com maior regularidade", adianta.

Questionado sobre as críticas que o acusam de ter acordado tarde para o problema, Matos Fernandes responde que tem "acompanhado este problema muito de perto" e repete: "no Tejo português o níveis de água são níveis comuns para esta época do ano e onde, de facto, falta água é na albufeira de Cedillo, que é uma albufeira dividida com Espanha".

Por outro lado, José Luís Ferreira, do Partido Os Verdes, defende que é fundamental que o Governo faça "finca-pé na revisão da Convenção de forma a garantir caudais diárias no Rio Tejo e a gestão conjunta das massas de água comuns, porque qualquer revisão que seja feita e que não passe pela garantia dos caudais diários do Tejo, significa um problema, porque podemos ter períodos prolongados no tempo com a água como temos agora o Tejo."

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