Pedro Nuno Santos lembra Sampaio como precursor de acordos à esquerda e do lado certo no PS

Pedro Nuno Santos vincou que Jorge Sampaio "foi um verdadeiro socialista, não foi um socialista apenas de cartão".

O ministro Pedro Nuno Santos afirmou neste sábado que Jorge Sampaio é a sua "grande referência" política, foi precursor dos entendimentos à esquerda, adversário da "terceira via" liberal, sendo um "socialista do coração" e não apenas de cartão.

Estes recados políticos foram transmitidos por Pedro Nuno Santos, conotado com a ala esquerda do PS e potencial candidato à sucessão de António Costa na liderança do partido, à saída do velório do antigo Presidente da República Jorge Sampaio, no antigo picadeiro real, depois adaptado a Museu dos Coches, junto ao Palácio de Belém.

Jorge Sampaio, antigo secretário-geral do PS (1989/1992) e Presidente da República (1996/2006), morreu na sexta-feira, aos 81 anos, no Hospital de Santa Cruz, em Carnaxide, Oeiras, onde estava internado desde 27 de agosto, na sequência de dificuldades respiratórias.

Perante os jornalistas, o ministro das Infraestruturas considerou que Jorge Sampaio "foi um político singular, com as características de que o país precisa que se repitam por muitos homens e mulheres em todas as dimensões da vida e na política em particular".

"Neste dia, não posso deixar que se esqueça que Jorge Sampaio foi o primeiro, o precursor da importância da esquerda se entender. Esse foi um legado muito importante que abriu espaço para que anos depois a esquerda voltasse a trabalhar em conjunto. Jorge Sampaio foi o primeiro que arriscou, tentou e conseguiu", declarou o membro do Secretariado Nacional do PS e antigo líder da JS.

Depois, Pedro Nuno Santos fez uma alusão indireta ao confronto interno do PS de 1992, quando Jorge Sampaio foi derrotado por António Guterres na corrida à liderança dos socialistas.

"Ao longo da sua vida política, Jorge Sampaio esteve sempre no lado certo dos combates que fomos travando na nossa família política. Foi um grande adversário da terceira via", disse, numa referência crítica à corrente mais liberal na economia dos trabalhistas britânicos, então liderados por Tony Blair, amigo de António Guterres.

Pedro Nuno Santos acrescentou que Jorge Sampaio foi também um adversário do "neoliberalismo", mas voltou a traçar uma linha de demarcação no seu partido.

Jorge Sampaio "foi um verdadeiro socialista, não foi um socialista apenas de cartão".

Para Pedro Nuno Santos, o antigo Presidente da República "foi um socialista de coração, de empatia pelo outro".

"Estamos a falar de um grande socialista, que foi Presidente da República e da Câmara Municipal de Lisboa. Foi um socialista. Um socialista que se enquadra na tradição em que eu também me integro. Tratou-se de alguém com quem aprendi muito e que é para mim uma grande referência", acrescentou.

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