Peste à esquerda? Para o PSD, apenas PS está "imunizado"

Rio considera que seria "deselegante" fazer a metáfora com os partidos da esquerda, mas retribui a Costa ao afirmar que "PS não tem peste". Orçamento com carimbo da geringonça terá oposição do PSD no país "dos interesses instalados".

Depois do "diabo", chegou a "peste" à política portuguesa e parece que veio para ficar. Depois de António Costa ter dito que "o PSD não tem peste", mas que os entendimentos para o Orçamento do Estado são feitos à esquerda, Rui Rio vem retribuir garantindo que a doença também não afeta o Partido Socialista, mas que acordos à esquerda merecem a clara oposição de Rui Rio.

"Nós estamos na oposição, de certeza, àquilo que vai ser o Orçamento do Estado para 2021 desenhado pela denominada geringonça, mas isso é aquilo que o PS sempre disse que ia fazer", considera o líder do PSD para quem "é normal" os socialistas procurarem "resolver os problemas orçamentais com a esquerda".

Recusando, naturalmente, adiantar um sentido de voto para um documento que ainda nem sequer existe, Rio Rio nota que dificilmente concordará com algo que tenha um carimbo da esquerda parlamentar, mas espera para ver.

Ainda assim, como que reiterando as sucessivas declarações já feitas por PS e PSD ao afastarem-se da ideia de um bloco central, Rio lembra que "há dois polos alternativos, efetivamente, o governo ou é liderado pelo PS ou pelo PSD".

Mas, como que deixando entreaberta a porta para eventuais negociações, o líder social-democrata garante que "o PS não tem peste". E a esquerda, será tão pestilenta que impossibilite um acordo mais amplo? "Não vou usar esse termo porque é um termo deselegante, poderá ser elegante dizer que não tem e é deselegante dizer que tem, mas obviamente que as posições que normalmente Bloco de Esquerda e Partido Comunista defendem estão nos antípodas daquilo que podemos defender". Para bom entendedor...

"Qualquer coisa que se queira mudar é sempre um 31"

Como já vem sendo hábito, uma conferência de imprensa com o líder do PSD acaba sempre por ser multitemática e, desta vez, não foi exceção.

Dando viva voz às considerações que já havia feito no Twitter sobre a acusação do caso BES, o presidente do PSD reiterou as críticas à morosidade da justiça, mas acabou por considerar que este desenvolvimento "é melhor do que nada".

"Fazer uma investigação a sério, seguramente, ainda bem que há acusação e que espero que esteja bem feita e sustentada. Ao fim deste tempo todo, era absolutamente inadmissível que semelhante situação como a do BES que tanto prejudicou Portugal - já disse e repito que é o maior crime de colarinho branco que houve em Portugal - passar impune", considera Rio que antevê que o processo ainda tenha uns bons anos pela frente até conhecer o desfecho.

"Se demorar anos também não é a melhor forma, mas é melhor do que nada, pelo menos quem está no sistema percebe que alguma coisa pode acontecer", nota Rio que vai perdendo a esperança de conseguir ser um grande reformador da sociedade portuguesa.

Questionado pela tão querida reforma da justiça que o PSD quer fazer, o líder social-democrata responde de forma mais ampla. "Infelizmente vejo como muito, muito difícil no quadro partidário que temos em Portugal conseguir qualquer reforma, eu esforço-me, aliás é a principal razão pela qual estou neste cargo", lamenta.

"A minha esperança existe porque é a última a morrer, mas é cada vez mais pequena porque não vejo vitalidade no sistema partidário, pelo contrário está cada vez mais fechado. Qualquer coisa que se queira mudar é sempre um 31, porque os interesses instalados, seja na política, seja fora dela, são uma coisa tremenda", conclui o líder do PSD.

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