Plano do Governo "vai conduzir à reprivatização e destruição da TAP"

Jerónimo de Sousa afirmou ainda que as chantagens para a redução de salários vão contra a Constituição.

Numa altura em que decorrem negociações para o plano de reestruturação da TAP, Jerónimo de Sousa aponta à estratégia do Governo, e afirma que o plano vai levar à reprivatização da companhia aérea de bandeira.

Numa sessão, em Lisboa, onde foram ouvidos os sindicatos da TAP, o líder comunista recordou que, no resto da Europa, os restantes países estão a adotar planos de contingência para apoiar as empresas do setor.

"É evidente que o que o Governo PS está a fazer é inaceitável, e na prática insere-se numa lógica economicista errada, que a não ser travada vai conduzir à reprivatização da TAP e à sua destruição. É inaceitável que o Governo condicione o apoio à TAP a um processo de reestruturação, quando no resto da União Europeia e do mundo os governos estão a adotar planos de contingência para salvar o setor", disse.

Jerónimo de Sousa lembrou que a União Europeia já disponibilizou 173 mil milhões de euros para apoiar companhias aéreas em dificuldades.

O secretário-geral comunista afirmou ainda que as chantagens para a redução de salários vão contra a Constituição.

"É inaceitável o processo adotado para chantagear os trabalhadores a submeterem-se a uma redução dos seus salários. O recurso a um decreto-lei de 1977 para ameaçar com a suspensão da contratação coletiva se os sindicatos não se submeterem à chantagem e não aceitarem «voluntariamente» a revisão de direitos, salários e rendimentos. Um processo em confronto com a Constituição e imoral, que prossegue a visão errada de que os salários dos trabalhadores são o grande problema da TAP."

A TSF noticiou esta quarta-feira que a TAP propõe aos sindicatos, no âmbito do programa de reestruturação, a limitação do direito à greve e menos férias. Vários sindicatos que receberam a proposta da TAP para um acordo de emergência a vigorar até ao final de 2024 estão indignados com várias das medidas previstas no documento enviado pela administração da empresa detida, maioritariamente, pelo Estado.

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