"Política devia ser deixar crescer o défice"

Antiga líder do PSD critica o "complexo" da direita com o défice. Ribeiro e Castro aponta dois erros da direita e diz que Marcelo Rebelo de Sousa inaugurou um novo poder presidencial - o de quem "edita a realidade".

Manuela Ferreira Leite considera que o atual défice é "suicida" para o país. No programa Pares da República , a antiga líder do PSD, defende que a direita devia assumir que não deseja este nível de défice.

"Este défice é absolutamente suicida em relação ao país, não tenho nenhuma dúvida em afirmar isto. Ninguém nos obriga a este défice, e ele tem um preço: este nível de carga fiscal e esta degradação dos serviços. Não é possível, evidentemente, é baixar os impostos, melhorar os serviços e o défice ficar na mesma. A política devia ser deixar crescer o défice, não para os 3%, mas também não para estarmos à procura de superávites. Isso é a verdadeira loucura", defendeu.

Manuela Ferreira Leite considera, assim, que o discurso deve adequar-se à realidade e que a direita deve perder o "complexo" que tem com o défice. Também no programa Pares da República, Ribeiro e Castro defendeu que a direita cometeu dois erros: o de atacar Mário Centeno e o de gastar energias a criticar a solução encontrada por António Costa para governar.

"No Expresso, vinha outra vez, na carta aberta de Jorge Moreira da Silva a Rui Rio, a ideia de que PSD e CDS ganharam as legislativas de outubro de 2015. Não ganharam, foram os mais votados mas não ganharam. Esse discurso foi sempre - umas vezes explícito, outras vezes escondido - sentido como mau perder. Quem se convence de que ganhou, não precisa de fazer mais para ganhar. O problema é que, continuando a ganhar dessa maneira, vai continuar-se a perder", relembra.

Quanto à dimensão financeira, Ribeiro e Castro lembra que "é muito difícil para a opinião pública perceber que os partidos que conduziram um esforço de retificação financeira muito duro e muito exigente durante quatro anos, depois passam à oposição e dizem 'criticavas a austeridade? Então agora critico-te eu a ti' ".

O antigo líder do CDS comentou ainda os alertas do Presidente da República, considerando que Marcelo Rebelo de Sousa é agora também "um editor da realidade".

"O poder maior que um presidente tem é a palavra. Há, aliás, um poder que o nosso Presidente tem e que faz parte do nosso Direito Constitucional - e do qual eu gosto muito - que é o chamado poder moderador. Creio que o nosso Presidente da República exerce bem esse poder mas, enfim, o nosso presidente - que tem uma grande experiência de comunicação - inaugurou agora um novo poder, que é o poder do editor. Edita a realidade e comenta-a. Foi um pouco esse poder que ele exerceu ao fazer este comentário, que é uma chamada de atenção, um apelo ao equilíbrio dos poderes e da sociedade portuguesa", explicou Ribeiro e Castro, aludindo às declarações de Marcelo Rebelo de Sousa, que alertou para uma possível crise política da direita.

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