"Portuenses têm de estar preparados para Rui Moreira não levar mandato até ao fim"

Dele se diz que nada se diz. Que ninguém o conhece. Esteve sete anos e cinco meses na Câmara do Porto e foi um dos braços direitos de Rui Rio. Agora, Vladimiro Feliz regressa aos corredores da política, candidatando-se pelo PSD à Câmara do Porto. Na mira está sempre Rui Moreira, que apoiou em 2013, e que, entretanto, diz, se transformou num "mestre-de-cerimónias"

Rui Rio já disse que não serão os resultados do Porto e de Lisboa a ditar o futuro da sua liderança no PSD. Não é já uma forma de reconhecer que é provável uma derrota nas duas principais cidades do país?

A mim compete-me falar do Porto e a Rui Rio gerir o PSD nacional, o que seguramente fará melhor que ninguém. Relativamente ao Porto, penso que é uma forma de me "picar". Independentemente do que se diga e do que se ouve, há uma vontade de mudar. O Porto sempre foi uma cidade silenciosa que, no momento da decisão, soube mudar. Eu acredito muito nos portuenses e é por esse dia que eu espero.

Ninguém gosta de admitir derrotas. Mas se o resultado das eleições a nível nacional forçasse Rui Rio a desistir, quem seria o melhor líder para o PSD? Luís Montenegro? Jorge Moreira da Silva? Paulo Rangel? Ou o regresso ao passado com Pedro Passos Coelho?

Tenho alguns amigos entre essas pessoas, mas não gosto de fazer futurologia. Se Rui Rio sair da liderança do PSD, o país perde a grande oportunidade de ter o primeiro-ministro de que precisa num momento de crise e de dificuldade.

Ou seja, tens bons amigos entre os que foram referidos, mas não o suficiente para lhes prestar já esse tipo de apoio.

À frente dos amigos está o país. Neste momento, Rui Rio é a pessoa mais bem preparada, com o perfil certo para o contexto pandémico que vivemos, muito difícil para a economia. Um contexto que se vai agravar, com o fim das moratórias, quando as famílias sentirem no bolso o peso desta crise. E precisamos de alguém rigoroso, que já mostrou que sabe gerir com contas certas. Na altura em que foi presidente da Câmara do Porto, poucos o defendiam, às vezes era ridicularizado, mas hoje tornou-se um chavão da gestão política em Portugal. Temos de ter alguém que saiba o que quer, que não navegue ao sabor do vento.

Relativamente à sua candidatura, sente-se uma segunda escolha para a corrida à Câmara do Porto? É público que o candidato do PSD só não é Paulo Rangel porque o eurodeputado não quis.

Na nossa vida nunca sabemos se somos primeira ou segunda escolha. Eu fiz muitas entrevistas de emprego, nalgumas não fui escolhido, noutras fui. Não sei se fui primeira ou segunda escolha, sei que tenho uma carreira profissional de que me orgulho.

Mas na política isso tem algum peso.

Tem, mas Paulo Rangel é eurodeputado, está a cumprir um mandato, os sociais-democratas habituaram os portugueses a cumprir os seus mandatos até ao fim. É uma pessoa que eu admiro, esteve na apresentação da minha candidatura e vai estar na apresentação do meu programa eleitoral. É alguém muito comprometido com este projeto.

Recordo-me de já ter dito que a sua situação profissional era confortável e aliciante. E mesmo assim aceitou uma missão. Teve a coragem que faltou a Paulo Rangel?

Não é uma questão de coragem. No meu caso pessoal, eu tenho uma carreira profissional estável, desafiante, mas quando fui vereador e vice-presidente da Câmara senti uma realização que se encontra muito pouco fora do contexto autárquico. A capacidade de podermos intervir na vida da nossa cidade, mudar a vida de pessoas.

No Porto, o PSD parte de um patamar muito baixo. Há quatro anos elegeu apenas um vereador. Mais dois ou três pontos já seriam para si um resultado honroso?

Digo isto com toda a convicção: eu gosto muito de ganhar e faço tudo para ganhar. Mas isso vai estar na mãos dos portuenses, não serei eu a decidir. Em 2017, houve um momento que influenciou a decisão dos portuenses. Foi quando se colocou Manuel Pizarro (PS) taco a taco com Rui Moreira. O militante e simpatizante do PSD correu atrás do voto útil.

Uma grande parte do eleitorado de Rui Moreira vem do PSD.

Sim, uma grande base. O movimento de Rui Moreira é hoje um "mix" de partidos. Eu tenho o apoio de um, mas Rui Moreira tem o apoio de quatro, mais o apoio central dos socialistas e de António Costa.

Uma sondagem recente para a TSF e o JN indica que um terço dos portuenses não o conhece, apesar de andar em campanha há muitos meses. Não é um bom indicador para quem tem a ambição de vencer umas eleições.

Considero até que é uma vantagem. O facto de não me conhecerem e o facto de estar agora a expor-me permite-me transmitir o meu legado. E eu tenho orgulho daquilo que deixei na cidade. A requalificação do parque escolar, a transformação tecnológica das escolas, a rede wi-fi livre que ainda hoje os portuenses usam.

Isso é fazer uma campanha assente no que ficou lá para trás.

Eu tenho-o feito porque quando estive na Câmara o meu objetivo nunca foi o culto da personalidade, foi o de trabalhar pela minha cidade...

E Rui Moreira tem o culto da personalidade? Tem repetido algumas vezes que Rui Moreira se transformou num autarca vulgar. Mas em 2013 deu-lhe um apoio explícito, à boleia do apoio implícito, mas decisivo, de Rui Rio. Não teme que soe um pouco a falso essa viragem de 180 graus?

Não. Em cada conjuntura analisamos os dados que temos. Em 2013, é público, eu assumo sempre o que faço, apoiei Rui Moreira. Aliás, apoiei um movimento que se formou bem antes de 2013, que pretendia encontrar um projeto que mantivesse o legado que tínhamos construído na Câmara: casa arrumada, contas em ordem, uma visão de médio e longo prazo. Rui Moreira revia-se nela, como disse no seu discurso de posse, que vos convido a ouvir, onde referiu Rui Rio como um dos maiores exemplos da gestão autárquica em Portugal.

Quando é que descobriu a verdadeira natureza de Rui Moreira? E porquê?

Foi ao longo deste período e por várias razões. Tem a ver com esta lógica vulgar de abrandar e depois acelerar mais perto das eleições. Esta lógica experimentalista, em que vai implementando um projeto, e, quando a opinião pública pressiona, rapidamente muda a decisão e transforma-a, parecendo que nada teve a ver com ela...

Está a pensar concretamente em que projeto?

Por exemplo, na vacinação, onde anunciou, com pompa e circunstância, o Porto como líder de um processo de vacinação massiva, em que a Câmara teria uma intervenção estrutural, e, quando correu mal, passou rapidamente a culpa para os parceiros. Não é isto que os portuenses querem de um presidente de Câmara. Não querem um presidente que seja apenas um mestre-de-cerimónias ou um gestor de condomínio, como vimos muitas vezes, por exemplo no caso da Champions [final entre Chelsea e Manchester City], quando Rui Moreira disse que se podia realizar mas que não tinha nada a ver com isso. O Governo pode decidir fazer algo no Porto, mas compete ao presidente da Câmara batalhar, quando não concorda, para que isso não aconteça, em vez de se refugiar no "eu não tenho nada a ver com isso"...

Repete muitas vezes que Rui Moreira é um autarca vulgar. Parece ser uma opinião em contramão com o que pensam os portuenses. De acordo com a última sondagem para a TSF e o JN, feita em agosto, 64% dos portuenses dão nota positiva à gestão de Rui Moreira no Porto; 66% estão satisfeitos com a situação atual da cidade; e 62% dizem até que a cidade está melhor do que há cinco anos...

Com todo o respeito pelos estudos de opinião, até porque sou engenheiro e gosto de números, lembro que em 2001 Rui Rio tinha 13% nas sondagens e ganhou as eleições, e que em 2013 Luís Filipe Menezes chegou a ter 65% e perdeu as eleições. O Porto dá muitas lições ao país e funciona de forma muito silenciosa no momento do voto. Tenho sentido nas ruas que este momento pandémico trouxe algum receio às pessoas de se exprimirem publicamente. A grande dependência da economia face ao setor público, seja na componente central, seja na componente autárquica, leva a que muitas pessoas não possam expressar livremente a sua opinião. E vou dar-lhe exemplos: tenho muita gente a colaborar comigo, no meu programa, na minha campanha...

Isso é a tese da democracia amordaçada...

Um dia, se essas pessoas me permitirem, poderei tornar isso público. Aceitam colaborar comigo, mas não querem que isso seja público. Isto é um sinal a que o Porto não está habituado. Eu nunca vi um Porto com medo, sempre foi uma cidade de antes quebrar que torcer, de lutar pelas suas causas, pelos seus valores. Isto que eu sinto, acho que vai refletir-se nas urnas. Espero que os portuenses se revejam na alternativa e no nosso projeto.

Voltando ainda ao seu divórcio com Rui Moreira, o caso Selminho contribuiu para esse afastamento?

Não, o caso Selminho chega mais tarde, quando já não estava, de todo, ligado.

Mas o PSD já fez muitas vezes cavalo de batalha do caso Selminho. Vai fazer o mesmo?

Há uma coisa que eu não gosto, que é a vitimização e que atirem areia para os olhos dos portuenses. Rui Moreira diz que o caso Selminho está na agenda política do PSD, mas é preciso lembrar algumas coisas. Quando a minha candidatura foi anunciada, foi Rui Moreira que insinuou ser muito estranho que acontecesse na mesma altura em que saiu a acusação do Ministério Público. Depois, quando Rui Moreira soube da decisão do Tribunal de Instrução Criminal, fez uma declaração política na Câmara. E se o faz é porque entende que o tema é político e não pessoal. Mas o que mais me preocupa neste caso é a questão da eventual perda de mandato. Os portuenses têm que estar preparados para, em determinado momento, por opção própria, ou por decisão de terceiros, Rui Moreira não levar o mandato até ao fim. Estaremos a votar no número dois da sua lista e não em Rui Moreira.

Portanto, acredita na tese do Ministério Público, e vou citar, que Rui Moreira agiu "deliberadamente contra a lei... Com [a] única intenção de beneficiar a empresa de que o próprio, os seus irmãos e a sua mãe eram sócios".

Eu não tenho que acreditar, nem deixar de acreditar, isso compete à justiça. Mas quero deixar bem claro que quem decidiu trazer o caso para a arena política foi Rui Moreira, quando faz uma declaração, cinco minutos depois de sair o despacho de acusação, a partir da Câmara, rodeado do seu Executivo e ocupando as instalações municipais.

Rui Moreira foi acusado enquanto presidente de Câmara. Não é natural que defenda, na Câmara, o seu papel neste processo?

Foi Rui Moreira que disse que o caso não deve vir para a arena política.

Rui Rio já afirmou várias vezes que António Costa e pelo menos uma parte do PS apostam na vitória de Rui Moreira. A outra parte da história é que também o PSD equacionou, a seu tempo, um entendimento com Rui Moreira.

Eu estive envolvido na escolha de uma solução para o Porto desde o início. Paulo Rangel, é factual, teve um convite do presidente do partido. Rui Moreira nunca o teve.

Houve um encontro na Casa do Roseiral, no verão, com Salvador Malheiro, dirigente do PSD e autarca de Ovar. E houve depois um jantar em Esmoriz...

No gosto de falar do que não sei e não estive nesse encontro.

José Silvano, coordenador autárquico do PSD, não vai a um jantar com Rui Moreira, em Esmoriz, só para ir comer um robalo.

Poderá ter havido um cenário, ao que sei, de um entendimento entre o PSD e o movimento, caso a liderança dessa aliança não fosse de Rui Moreira. Isto é o que eu sei. Se fosse Rui Moreira, o PSD não apoiaria essa solução. A partir daqui não sei, não estive no jantar.

Vamos imaginar que vence as eleições. Digamos que vencia sem maioria absoluta. Com quem tentaria formar uma coligação?

Não olharia para os partidos. Olharia para as pessoas. Tenho pessoas bem identificadas que fariam parte, tranquilamente, da minha lista, por aquilo que é a minha relação com elas e por aquilo que é o meu passado com elas. Não vou dizer quem.

Poderia ser o candidato do Chega à Câmara do Porto?

Não, isso terá de perguntar a Rui Moreira, porque ele ainda é presidente da união de freguesias do Centro Histórico pelo movimento de Rui Moreira. A aliança mais natural do Chega será com o movimento de Rui Moreira. E, portanto, além dos quatro partidos que o apoiam, além de António Costa, ainda temos o candidato do Chega como membro do movimento de Rui Moreira.

Assume, portanto, que não haverá entendimento com o Chega?

Eu já disse isto várias vezes: terei abertura para acordos com toda a gente, desde que as pessoas se alinhem com a proposta do PSD para a cidade. Eu não vou querer que o BE, ou o Chega, ou o movimento de Rui Moreira votem contra o meu programa ou as minhas propostas.

Rui Rio, de quem foi vereador e vice-presidente, teve uma relação conflituosa com o F. C. Porto. Com Rui Moreira, as relações entre a Câmara e o clube normalizaram-se. Que tipo de relação pretende cultivar se vier a ser presidente: a de separação e conflito protagonizada por Rio, ou a proximidade amigável que cultivou Moreira?

Já o disse publicamente, e, na visita que fiz, tive a oportunidade de o transmitir, que o F. C. Porto é uma das marcas de referência na cidade. E as palavras do presidente do F. C. Porto foram claras, há um clima de colaboração e de respeito institucional...

Ou seja, com Rui Moreira...

Não, não, estou a referir-me ao caso de eu ser eleito presidente.

Estão fora de causa conflitos com o F. C. Porto.

Claro que sim. Não será por isso, mas sou sócio há muitos anos, tenho lugar anual no Dragão, sou portista. Tratarei os clubes da cidade com todo o respeito. Mas não é só Rui Rio que tem um histórico de conflito com o F. C. Porto. Quando Rui Moreira era comentador futebolístico, lembre-se e recupere os comentários que fazia à gestão da SAD do F. C. Porto. Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades. Rui Rio, bem ou mal, com os argumentos que já explicitou, tomou uma posição e assumiu-a. Rui Moreira, mais uma vez, vai navegando ao sabor do vento.

Vamos aos problemas concretos das pessoas. A falta de habitação acessível e os problemas de trânsito e estacionamento são, segundo os portuenses, os maiores problemas da cidade. Houve um empate a 27% na sondagem da TSF e do JN. E para si, é algum destes, ou há pior?

Há vários. A mobilidade é obviamente um dos grandes problemas da cidade. O Porto foi citado, em pleno período pandémico, como a pior cidade da Península Ibérica em termos de mobilidade. Temos uma cidade inundada de pinos. Em que a política de estacionamento é heterogénea. Em algumas partes da cidade há zonas para residentes, noutras não temos. Há decisões completamente absurdas, como a da Avenida Brasil, em que se gastou meio milhão de euros para tornar a avenida menos segura para peões, para ciclistas e para automobilistas. E tentou-se agora disfarçar com a solução do costume: mais pinos.

O que faria diferente?

Nos primeiros 100 dias, reveria todos os pinos colocados na cidade e reverteria a obra da Avenida Brasil.

Relativamente à Via de Cintura Interna, admite colocar portagens para quem entrar no Porto?

Temos que começar por olhar para a A41 [a circular externa do Porto] e renegociar a concessão.

Porque acha que conseguiria o que outros não conseguiram?

Porque sou persistente. Não farei comentários semanais num canal nacional, para dizer que é preciso isto e aquilo, para à sexta-feira ir jantar com o mesmo ministro em amena cavaqueira. É preciso tratar do que tem de ser tratado de forma séria e estruturada. Olhar para a VCI e para a possibilidade de colocar portagens no acesso à VCI para não residentes na cidade.

Inclui entre os que vão pagar portagens os que vivem à volta do Porto e para quem a cidade é o local de trabalho e de vida?

Numa primeira fase, podemos testar um modelo metropolitano. Numa segunda fase, se não conseguirmos resolver o problema do congestionamento, limitar a isenção a quem vive no concelho do Porto. Outra nota: não fechar o tabuleiro inferior da ponte D. Luís ao trânsito. E construir uma ponte pedonal, que custará seis ou sete milhões de euros, segundo estudos recentes, para resolver a questão da passagem de uma margem para a outra.

Referiu há pouco o problema do estacionamento. Mas qual é o caminho a tomar? Estacionamento mais caro, para dissuadir a entrada de carros e aumentar a rotatividade? Ou fazer menos parcómetros e parcómetros mais baratos?

Só conseguiremos tirar os carros da cidade quando conseguirmos criar um sistema de mobilidade e transportes que seja uma verdadeira opção para as pessoas. Eu só viria para a entrevista da TSF e do JN de transporte público se, de minha casa até aqui, a solução de transportes fosse conveniente, confortável, barata...

Mas isso não depende só de si.

Não depende só de mim e por isso é que o Porto precisa de voltar a ter influência na Área Metropolitana e no contexto nacional. Com Rui Moreira perdeu-a completamente, como ele próprio assumiu, aquando da transferência das compensações dos transportes públicos. A primeira missão seria sentar-me com os concelhos limítrofes, priorizar aqueles que mais pessoas trazem para o Porto e criar soluções que reduzam a vinda de automóveis para o Porto.

Já existe, pelo menos em parte, essa solução. Temos uma rede de metro que revolucionou, nos últimos anos, a mobilidade na cidade e na região. E temos mais linhas do metro a avançar.

É preciso implementar uma estratégia de alta densidade para a componente metropolitana e uma lógica capilar, pensada a partir das pessoas, do território e dos modos adequados para servir esse território. Por exemplo, a linha de Metrobus na Marechal Gomes da Costa. Onde é que há congestionamento de autocarros na Marechal? Não há. Como é que suprimindo uma faixa de rodagem vamos melhorar a mobilidade? A minha opção seria construir um corredor de Metrobus na Avenida da Boavista, onde já existe um canal central. Mas deixe-me partir para outra questão na área da mobilidade, que é o Aeroporto do Porto, onde o presidente da Câmara fez muito barulho, até escreveu um livro chamado "Caixa Negra", e deixou o aeroporto num buraco negro: uma reduzida taxa de partidas da TAP para qualquer destino...

É uma decisão de uma empresa. Não acha que Rui Moreira teve uma intervenção política forte? O que faria de diferente?

O aeroporto está igual e sem qualquer tipo de operação que nos ligue aos principais aeroportos europeus. O que faria de diferente? Falaria com o primeiro-ministro, que é o primeiro responsável...

Acha que Rui Moreira não fala com o primeiro-ministro?

Mas não resolveu. Falaria com o ministro das Infraestruturas. Falaria com a TAP, que provavelmente não resolveria, como vemos. E falaria com a ANA para, conjuntamente, contactarmos operadores internacionais que montassem novas rotas para ligar o Porto às Américas, aos "hub" europeus, a África, nomeadamente aos PALOP, e à Ásia. Outra coisa importante no aeroporto: a obra do taxiway vai aumentar a capacidade significativamente e podemos trabalhar com os operadores económicos da cidade um plano estratégico para aproveitar essa capacidade e equacionar uma segunda pista que o possa posicionar como aeroporto principal de Portugal.

Isso não são investimentos que tenham diretamente a ver com a autarquia.

O presidente da Câmara do Porto tem de ser um líder regional. Tem de puxar toda esta região, para pressionar o Governo central.

Mas acha que não há vozes no território que puxem pela região?

Temos uma visão muitas vezes "portocêntrica". Temos de puxar por uma região, que vai de Bragança a Vila Real e Braga, Viana, Aveiro, Coimbra, Viseu, uma região que possa ter escala e conseguir afirmação nacional.

O PSD não tem uma posição clara sobre a regionalização. Qual é a sua posição?

Eu defendo muito a lógica colaborativa de cidades. As cidades vão assumir um papel cada vez mais relevante nas estratégias nacionais e nas próprias estratégias europeia e global. Estes consórcios de cidade que trabalhem conjuntamente para ganharem voz e escala local, regional, nacional e global são essenciais. Mas gostaria de falar ainda de outras propostas, para não ficar só pela mobilidade: a habitação e a necessidade de trabalhar soluções de habitação a custos controlados, quer na compra, quer no arrendamento a jovens e classe média, para reter os portuenses na cidade...

E na habitação social?

Aí temos de trabalhar o conforto, a acessibilidade, o espaço público. Hoje há idosos que não podem vir à rua porque os nossos bairros têm vários pisos e portanto ficam retidos na sua habitação. Temos de priorizar os bairros com mais idosos e cidadãos com necessidades especiais. O que toca noutro ponto que nos é muito caro: cuidar dos portuenses em cada etapa das suas vidas. Um compromisso que fica já aqui é a construção de mais uma creche por freguesia. Outro tem a a ver com a fiscalidade. Os portuenses não sabem, mas a Câmara do Porto pode reter 5% do nosso IRS e a CMP retém a totalidade destes 5%. O meu compromisso é, no primeiro mandato, reduzir para metade, devolvendo rendimento às famílias do Porto.

Uma ideia diferente para fechar.

Já dei várias. Mas posso acrescentar o compromisso de fazer uma presidência aberta mensal em cada freguesia, com o presidente de Junta, seja ele eleito por quem for, para estar perto dos cidadãos e dos problemas.

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