Portugal condena uso de "violência para fins políticos" em São Tomé e Príncipe

João Gomes Cravinho anunciou que Portugal "apoia sem hesitação a ordem constitucional em São Tomé e Príncipe, considerando inadmissível qualquer tentativa de utilização de violência para fins políticos".

O ministro dos Negócios Estrangeiros português considerou esta sexta-feira "inadmissível" o recurso à "violência para fins políticos", após uma tentativa de golpe de Estado em São Tomé e Príncipe, e disse que Portugal "apoia sem hesitação" a ordem constitucional naquele país.

"Estamos preocupados com as notícias que nos chegam de São Tomé e Príncipe. Portugal apoia sem hesitação a ordem constitucional em São Tomé e Príncipe, considerando inadmissível qualquer tentativa de utilização de violência para fins políticos", escreveu o ministro João Gomes Cravinho na rede social Twitter.

O primeiro-ministro de São Tomé e Príncipe anunciou esta sexta-feira, em conferência de imprensa, que o país foi alvo de uma "tentativa de golpe, que começou por volta das 00h40 e que teve o seu desfecho, em termos operacionais, pouco depois das 06h00 [horas locais, mesma hora em Lisboa]".

O ataque foi conduzido por quatro homens, civis, aparentemente com cúmplices no interior do quartel, que invadiram as instalações com o objetivo de se apoderarem de armas, enquanto mais homens aguardavam, no exterior.

As Forças Armadas, cuja atuação Patrice Trovoada elogiou, defenderam o quartel "com profissionalismo".

"Houve um ataque, houve a penetração de elementos estranhos, ligados ao 'grupo Búfalo', no quartel, houve combate", disse, referindo depois que os atacantes possuíam armas de guerra.

Segundo Patrice Trovoada, "tudo indica" que o ataque ocorreu "a mando de algumas personalidades".

"O Estado Maior informou-me que detiveram algumas pessoas, na base de declarações do primeiro grupo de quatro [atacantes] que foi detido e neutralizado. Alguns nomes mais conhecidos, Arlécio Costa, está detido no quartel e Delfim Neves também está detido no quartel", avançou o primeiro-ministro.

Em causa estão o ex-presidente da Assembleia Nacional de São Tomé e Príncipe Delfim Neves e Arlécio Costa, antigo oficial do 'batalhão Búfalo' que foi condenado em 2009 por uma tentativa de golpe de Estado.

"Espero que desta vez a justiça vá até ao fundo, que toda a gente conheça a verdade e que os criminosos sejam trazidos à justiça, que sejam julgados e que a justiça tenha uma mão firme, forte, porque é inadmissível que em democracia as pessoas queiram controlar, usurpar o poder à força", sublinhou Patrice Trovoada.

"Certos indivíduos não se conformam com a vontade das urnas e do povo soberano e mancham assim o país, tentando minar todo o esforço que o atual Governo está a tentar fazer para recuperar a nossa economia e tentar trazer o melhor para as nossas populações", criticou o primeiro-ministro são-tomense, que assumiu funções há duas semanas, após a vitória do seu partido, Ação Democrática Independente, nas legislativas de 25 de setembro.

Também o Presidente da República cabo-verdiano, José Maria Neves, já condenou a "sublevação armada" desta madrugada em São Tomé e Príncipe, após falar com o homólogo são-tomense, Carlos Vila Nova, que visita Cabo Verde a partir de domingo.

"Felizmente, a situação já está sob controle das legítimas autoridades do país. Condenamos veementemente esta tentativa de rutura constitucional e solidarizamo-nos inteiramente com o Presidente da República, o Governo e o povo de São Tomé e Príncipe", escreveu, na sua conta oficial na rede social Facebook, o chefe de Estado cabo-verdiano.

Para José Maria Neves, esta ação colocaria "em causa o Estado de Direito Democrático".

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