"Portugal recebeu convite para liderar missão militar da União Europeia"

Ao fim de um ano como ministro da Defesa, em entrevista à TSF para o programa O Estado do Sítio, o Ministro da Defesa destaca a responsabilidade, mas também o orgulho que tem em trabalhar com os militares portugueses, a quem muitos, lá fora, chamam 'Os Ronaldos'. Cravinho não fugiu às questões sobre falta de recursos humanos e reequipamento das Forças Armadas.

Portugal prepara-se para liderar uma missão militar da União Europeia. João Gomes Cravinho confidenciou na entrevista que o assunto está a ser estudado. O Ministro da Defesa entende que o convite é consequência do trabalho e prestígio das Forças Armadas nas missões internacionais: "O prestígio das forças portuguesas tem provocado procura, várias missões internacionais dizem "nós gostaríamos era de ter portugueses", incluindo ao nível de liderança. Recentemente recebemos um convite para a liderança de uma missão da União Europeia, que estamos naturalmente a contemplar e penso que dentro de algumas semanas, tomaremos uma decisão a esse respeito". Cravinho não revela onde, "uma vez que a decisão não está consolidada", mas admitiu que "é uma missão que já existe".

"O que importa é fazer mas fazer bem". Sobre o contributo para a NATO, João Gomes Cravinho acredita que Portugal vai cumprir os 2% de orçamento do estado para a Defesa no prazo de cinco anos, tal como ficou estipulado com a Aliança Atlântica.

Morreu a G3, vem aí a Scar... mas quando é que os militares portugueses nas chamadas Forças Nacionais Destacadas (FND) vão efetivamente ter nas mãos a nova arma ligeira? Na TSF, o Ministro da Defesa responde: "a próxima rotação para a República Centro-Africana que acontecerá em abril, já levará as novas armas ligeiras. Nós vamos ter um lote de cerca de quatro mil a chegar a Portugal antes do fim do ano, os militares precisam de algum tempo para se habituarem à nova arma, mas a partir de março teremos já FND equipadas com a nova arma que é bastante superior à G3".

Não havendo nada de mais importante nas Forças Armadas do que os militares, como disse Gomes Cravinho recentemente ao Diário de Notícias, como é que se explicam os problemas de retenção de efetivos, isto é, de falta de pessoal nas Forças Armadas, especialmente no exército? A resposta do ministro de João Gomes Cravinho: "É verdade. Temos aqui um desafio que é comum à generalidade dos países europeus (...) e hoje em dia é muito difícil reter pessoas nas forças armadas para além de alguns anos."

Os baixos salários no Estado, diz Cravinho, fazem com que muitas pessoas interrompam o contrato e desistam das Forças Armadas: "Os salários não são altos, o estado não tem salários altos; ao longo dos anos, é algo que se tem vindo a sentir muito em todas as áreas do estado. Mas o problema central não está na carreira daqueles que entram para os quadros permanentes, mas sim na retenção dos contratados. São recrutados por um período de seis anos e saem ao fim de dois ou três".

Portugal tem menos cerca de quatro mil militares a menos do que deveria ter. Questionado sobre a possibilidade de a falta de recursos fazer voltar o serviço militar obrigatório (SMO), o titular da pasta da defesa no último ano da presente legislatura, afasta essa ideia: "Não vejo que corresponda às nossas necessidades atuais. Nós optámos pela profissionalização das Forças Armadas. Nós não precisamos de Forças Armadas com 50, 80 ou 100 mil como já tivemos; precisamos de Forças Armadas com cerca de trinta mil militares e estamos nesta altura com cerca de 26 mil efetivos. A questão do SMO em que jovens que, quer queiram quer não, são obrigados a passar um certo período de tempo a desempenhar nas Forças Armadas para as quais não se sentem particularmente vocacionados, essa ideia pertence a um outro tempo, não corresponde ao tipo de exército e forças armadas profissionais que nós precisamos hoje em dia".

João Gomes Cravinho reconhece que há muito esforço dada a falta de recursos, sobretudo na componente terrestre e o governo está a estudar a possibilidade de criação de "um quadro permanente de efetivos no Exército e na Força Aérea, tal como existe na Marinha".

Há atrasos no reequipamento das Forças Armadas. A troca de fardamento no exército arrasta-se há vários anos, o fardamento atual não é mais produzido e muitos militares veem-se obrigados a comprar em lojas civis cópias do mesmo fardamento para não andarem... em farrapos. Na TSF, o Ministro da Defesa assumiu que não sabia da situação: "confesso que desconhecia em absoluto essa possibilidade e, enfim, se ela existe... é algo que evidentemente tem de ser alterado". Mas garante que já há dinheiro para os novos fardamentos: "já demos a autorização para a aquisição dos fardamentos novos do exército e, portanto, ao longo dos próximos meses, os militares do exército irão ter os seus fardamentos novos. O exército já tem disponível o montante necessário para isso".

No fim da legislatura e disponível para continuar se o PS vencer as eleições e António Costa assim o pretender, João Gomes Cravinho revela na TSF o que mais valeu a pena ao ser ministro: "o orgulho sistemático que tenho quando visito as nossas forças nacionais destacadas". Os agradecimentos que recebe pelo trabalho das forças portuguesas deixam-no orgulhoso: "o trabalho humano com os nossos militares é aquilo que nos dá, todas as manhãs, energia para o dia". O governo rouba tempo para a família e amigos, mas se o PS vencer, as condições estiverem reunidas e Costa assim o desejar, Cravinho parece disponível para continuar para continuar com a pasta da Defesa: "a 6 de outubro temos um momento em que o povo é soberano e dirá de sua justiça. E depois temos outro momento em que o primeiro-ministro é soberano. Do meu lado, tenho total disponibilidade para dar o apoio que puder à solução governativa que eu espero que saia das eleições".

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