Portugal vai corresponder ao pedido de mais armamento feito por Kuleba à NATO

Gomes Cravinho ressalva que Portugal não tem "armas pesadas" para fornecer, mas apoiará, inserido num coletivo, os que possam ajudar a Ucrânia.

Portugal vai corresponder ao pedido do chefe da diplomacia ucraniana, Dmytro Kuleba, que solicitou esta quinta-feira em Bruxelas aos países membros da NATO que enviem mais armamento com a maior urgência, disse o ministro dos Negócios Estrangeiros, João Gomes Cravinho.

"Portugal irá corresponder ao pedido do ministro Kuleba, nomeadamente em termos de envio de mais armamento e munições. Não temos armas pesadas que possamos fornecer, outros países terão e nós, coletivamente, vamos apoiá-los", declarou Gomes Cravinho no final de uma reunião de dois dias dos ministros dos Negócios Estrangeiros da Aliança Atlântica, na qual participou o ministro ucraniano.

Questionado sobre como foi acolhido o pedido de Kuleba, que à chegada à reunião anunciou desde logo que tinha "uma agenda muito simples, com apenas três pontos: armas, armas e armas", João Gomes Cravinho disse que "toda a gente compreendeu".

"Toda a gente compreendeu, atendendo à convicção de que estamos agora a passar para uma nova fase da guerra. Infelizmente, não há otimismo sobre um prazo para uma eventual cessação de hostilidades. Significa que devemos estar preparados para uma guerra mais prolongada e, naturalmente, isso significa que temos de ter um outro tipo de orientação no nosso apoio à Ucrânia", declarou.

Quanto à urgência no envio de armas reclamada pelas autoridades ucranianas, que dizem precisar de mais armamento numa questão de dias e não de semanas, o ministro português disse acreditar que será possível fazer chegar rapidamente ao terreno o apoio militar suplementar.

"Acredito que sim. Isto é matéria, naturalmente, da minha colega ministra de Defesa [Helena Carreiras], que está a trabalhar nisso, mas acredito que sim. É uma questão de termos os mecanismos de transporte. Nós temos os nossos próprios, o C130. O C130 é um avião que tem uma capacidade de carga relativamente limitada e, portanto, se beneficiarmos do apoio de outros países, poderemos fazer chegar mais armas mais rapidamente", disse.

A Rússia lançou em 24 de fevereiro uma ofensiva militar na Ucrânia que matou pelo menos 1.563 civis, incluindo 130 crianças, e feriu 2.213, entre os quais 188 menores, segundo os mais recentes dados da ONU, que alerta para a probabilidade de o número real de vítimas civis ser muito maior.

A guerra já causou um número indeterminado de baixas militares e a fuga de mais de 11 milhões de pessoas, das quais 4,2 milhões para os países vizinhos.

Esta é a pior crise de refugiados na Europa desde a II Guerra Mundial (1939-1945) e as Nações Unidas calculam que cerca de 13 milhões de pessoas necessitam de assistência humanitária.

A invasão russa foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que respondeu com o envio de armamento para a Ucrânia e o reforço de sanções económicas e políticas a Moscovo.

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