Presidente do CDS mais sozinho. Lobo d'Ávila e outros membros da direção demitem-se

Crise aberta no CDS. Depois de Adolfo Mesquita Nunes ter pedido eleições antecipadas para a presidência do partido, membros da direção pedem demissão.

A TSF sabe que Filipe Lobo d'Ávila se demitiu da direção do CDS-PP, liderada por Francisco Rodrigues dos Santos. O membro demissionário da Comissão Executiva centrista enviou uma carta ao presidente do partido a informá-lo desta intenção.

"Solicito, desde já e com efeitos imediatos, a minha demissão de vice-presidente do CDS. Não farei parte do problema e procuro apenas a liberdade pessoal que a solidariedade institucional de pertencer a uma direção não me permite ter", escreve Filipe Lobo d'Ávila numa carta enviada ao líder do CDS-PP, Francisco Rodrigues dos Santos, e à qual a TSF teve acesso.

Considerando que "o CDS tem hoje um problema de afirmação externa que importa enfrentar" e que é preciso "ler para além da bolha das redes sociais e dos grupos de apoio do Whatsapp", Lobo d'Ávila adverte que "a mensagem não passa", as pessoas "não ouvem", "o CDS não é considerado, os indicadores são trágicos, a projeção externa ou não existe ou não é boa".

O vice-presidente assegura ainda que não será candidato à liderança do partido este ano nem se está a reservar "para outros calendários".

Filipe Lobo d'Ávila, do grupo Juntos pelo Futuro, concorreu à liderança do CDS-PP no congresso de há precisamente um ano, e a sua moção alcançou cerca de 15% dos votos. Integrou a direção desde o início, como primeiro vice-presidente de Francisco Rodrigues dos Santos.

No último Conselho Nacional, em meados de dezembro, Lobo d'Ávila salientou que a sua solidariedade era "total" e o seu compromisso era "com o CDS", garantindo ao presidente estar ao lado dele

Segundo o jornal Expresso e a agência Lusa, também Raúl Almeida e Isabel Menéres Campos terão decidido abandonar o barco.

Ouvido pela gência Lusa, Raúl Almeida disse que "o partido manifestamente não está num ciclo positivo, está a atravessar uma crise profunda", mas recusou atribuir as culpas ao líder ou à direção, considerando que "é uma conjugação de fatores".

A decisão surge depois de, esta quarta-feira, o também centrista Adolfo Mesquita Nunes ter pedido eleições antecipadas no CDS, num artigo de opinião publicado no Observador - alegando que a crise de sobrevivência do partido não se vai resolver com Francisco Rodrigues dos Santos -; de também o eurodeputado Nuno Melo ter afirmado estar disponível para liderar o CDS; e de o ex-vogal Abel Matos Santos, que saiu da direção em rota de colisão depois de uma polémica com declarações suas, ter afirmado na sua página de Facebook que Francisco Rodrigues dos Santos "é um líder lamentável", pedindo que "saia já".

Em resposta, o presidente do CDS-PP defendeu que "mal seria" se "navegasse ao sabor de um artigo de opinião", mas disse que o assunto merecia "uma reflexão" feita "dentro dos órgãos próprios do partido".

Depois de a comissão executiva (órgão mas restrito da direção) ter reunido na quarta-feira à noite, para sexta-feira está agendado um encontro da Comissão Política Nacional.

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