Presidente do Novo Banco "pôs o carro à frente dos bois"

David Justino criticou as declarações do representante da instituição bancária, mas assinalou que é necessário compreender se o contrato abre possibilidades no sentido de uma nova injeção.

David Justino afirmou que o presidente da administração do Novo Banco "pôs o carro à frente dos bois" quando adiantou que vai ser preciso mais capital este ano além dos 1037 milhões de euros que a instituição já recebeu. Ainda assim, o vice-presidente do PSD acredita que António Ramalho não o diria se não estivesse acautelado por fundamentação nos acordos escritos celebrados.

No programa "Almoços Grátis", o social-democrata argumentou ser importante apurar "se o que lá está [no contrato] dá cobertura" ao que o presidente da instituição bancária declarou e disse não querer fazer "juízos antecipados" enquanto não conhecer as cláusulas do documento.

Para David Justino, é, no entanto, "perfeitamente impensável abrir exceção relativamente ao Novo Banco", já que seria "uma situação perfeitamente discriminatória" e que abriria "precedentes", numa altura em que "50% das empresas dizem não terem tido acesso a apoios". O que "for para a TAP e para o Novo Banco depois não vai para empresas que precisam mesmo", alertou o social-democrata, que vê no argumento utilizado por António Ramalho, de que a situação "extrema" justificaria nova injeção no banco, uma situação "extensível" a muitas empresas.

Ainda no programa da TSF, David Justino confessou esperar e acreditar que a mobilização de fundos públicos em favor da instituição bancária não venha a acontecer em 2020.

"Um desfile de equívocos"

Em contraponto, Carlos César avisa: há um "desfile de equívocos" motivado pelo presidente do Novo Banco, e essa "matéria foi parcialmente" que uma eventual injeção não se enquadraria nos orçamentos delineados para 2020.

"[Situação extrema], relativa a um desequilíbrio de rácios, motivado pela pandemia, pode acontecer com qualquer banco", analisou o presidente do PS, que esclareceu ainda que António Ramalho antecipou possibilidade que não depende da opinião do presidente do banco. É uma decisão do Estado português, em conjunto com a União Europeia, que o dinheiro público só seja mobilizado em último caso, quando nem o banco nem os privados consigam suprir o desequilíbrio de rácios.

"Acabou o dinheiro emprestadado", vaticinou Carlos César, que aproveitou a ocasião para suscitar a reflexão: "O que aconteceria se banco X falisse? Eu creio que portugueses ainda não compreenderam isso."

Se um banco for à falência, "os portugueses devem saber a dimensão" do "efeito dominó" que se faria sentir no setor financeiro, concretizou o presidente do Partido Socialista, lembrando que "teve de se apoiar estes bancos porque impactos [de não se apoiar] seriam mais desastrosos".

"Não há da nossa parte intenção de perseguição" a Centeno

David Justino acredita ser importante refletir sobre a regulação, através de instrumentos normativos, a transição ou a porta giratória entre funções governativas e funções reguladoras, mas garante que o PSD não uma visão "persecutória" nem uma intenção "de utilizar a iniciativa do PAN para perseguição" de Centeno.

Aliás, o representante social-democrata justifica que a posição do PSD, sobre a possibilidade de uma nomeação de Mário Centeno para governador do Banco de Portugal, é mais próxima da do CDS e de uma discussão sobre o dito "período de nojo" e da nomeação já destinada a uma pessoa em específico. "Querem fazer uma lei com fotografia e nós queremos tirar de lá a fotografia", asseverou. David Justino é por isso defensor de uma regulação que estipule "linhas vermelhas mínimas" que garantam "independência e autonomia".

"Eu não personalizo o problema", garantiu.

Já Carlos César lembrou que "uma lei dessas não pode ser aprovada sem o Banco Central Europeu", pelo que a regra não "virá a tempo de evitar essa nomeação". A lei do Banco de Portugal e da Assembleia da República determina que a pessoa proposta pelo Governo seja ouvida pela Comissão de Finanças, seguindo-se a redação de um relatório e posterior audição dos partidos políticos.

Apesar de Rui Rio ter afirmado, em entrevista à TSF, que se posiciona contra a nomeação de Centeno, Carlos César desdramatiza: "Não creio que a posição do PSD seja a maioritária."

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