Problema na saúde "não é de um Governo": é "estrutural" e precisa de uma "visão de conjunto"

Presidente da República considera que a saúde em Portugal tem "problemas de fundo" que exigem "respostas de fundo".

Marcelo Rebelo de Sousa não culpa o atual Governo nem Marta Temido pela situação de crise que se vive nos hospitais portugueses. Questionado sobre se a ministra da Saúde deveria deixar o cargo caso a situação não se resolvesse, o Presidente da República respondeu que o problema vem de vários Executivos, é estrutural e precisa de uma "visão de conjunto".

"O problema de fundo é estrutural, não é sequer de um Governo, dois, três ou quatro. Isto exige uma certa durabilidade de políticas, mas as queixas já vêm de longe, o que significa que o SNS tem enfrentado pressões como nunca tinha enfrentado. Há um crescimento legítimo de procura de saúde por uma sociedade mais envelhecida e pobre que tem no SNS aquilo em que se agarra. Isso é muito diferente da sociedade jovem do meu tempo, em que nasceu o SNS e enfrentou várias epidemias, mas nenhuma como esta", explicou Marcelo.

Agora que a pandemia da Covid-19 acalmou, o chefe de Estado considera que é o "melhor momento" para fazer o ponto de situação.

"Neste momento o Plano de Recuperação e Resiliência e outros fundos europeus permitem alguma folga que não existiu nos últimos anos e, provavelmente, não existirá nos anos a seguir. Prefiro olhar para o futuro e ver o que é preciso fazer na saúde e noutros setores, que meios há para isso e como se faz", aconselhou o Presidente da República.

Questionado sobre o que poderá acontecer se o plano de contingência do Governo falhar, Marcelo disse preferir olhar para o que é essencial.

"Houve um tempo em que achava que a solução era muito simples e bastava substituir pessoas, mas neste caso é um problema global de política. É preciso definir linhas, afetar meios e as pessoas estão ao serviço disso", afirmou.

Sobre o Orçamento do Estado, que promulgou na semana passada, Marcelo disse que é um documento "ponte para outro Orçamento que está a chegar" e entra no Parlamento dentro de três meses e meio.

"Transforma o Orçamento num Orçamento mais temporário, cuidadoso, limitável e ajustável. Apesar da imprevisibilidade, mais vale ter uma referência que acaba de ser aprovada há um mês do que uma que foi aplicada há seis meses ou mais. Havia famílias à espera desde janeiro para terem aumentos pequeninos mas significativos para as bolsas de quem os tem", acrescentou Marcelo Rebelo de Sousa.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de