"Processo longo." Costa satisfeito com candidaturas à UE, alerta para "gestão de expectativas"

Primeiro-ministro falou após a aprovação do estatuto de países candidatos à União Europeia para a Ucrânia e Moldova.

António Costa mostrou-se satisfeito a aprovação do estatuto, mas lembrou que o processo de adesão da Ucrânia e Moldova à União Europeia não vai ser breve, uma vez que não se trata de uma "corrida de curta distância". Só assim se evitarão decisões precipitadas.

"Este processo vai ser necessariamente longo. A atual estrutura, quer orçamental quer estrutural, não é compatível com esta ambição da União Europeia. Desde que as decisões não sejam precipitadas espero que sejam tomadas assim que possível", explicou Costa, falando aos jornalistas portugueses em Bruxelas, à margem de uma cimeira europeia em Bruxelas.

Além disso sublinhou que os países da ocidentais têm apoiado a Ucrânia desde o início do conflito, "com surpresa de muitos e surpresa de Putin".

"Esse caminho de unidade tem de ter continuidade para que não aconteça à Ucrânia e Moldova o que acontece a muitos dos países dos balcãs, para que o passo não seja maior do que a perna. Tem de se gerir as expectativas com responsabilidade e verdade", defendeu o primeiro-ministro.

Para o governante, a aprovação do estatuto é também uma "enorme responsabilidade", por isso pede que não se criem "frustrações que resultarão num amargo futuro", dadas as longas negociações.

"A notícia do dia, como seria de esperar, foi o apoio por parte do Conselho Europeu à recomendação da Comissão de atribuir o estatuto de países candidatos à Ucrânia e à Moldova, mas infelizmente o dia ficou também marcado pela desilusão que muitos países dos Balcãs Ocidentais manifestaram relativamente às expectativas europeias", disse o chefe de Governo.

E adiantou que "é preciso que a UE também se prepare" em termos institucionais e orçamentais "para o processo de integração ser um caso de sucesso".

Os chefes de Governo e de Estado da UE concordaram esta quinta-feira em atribuir o estatuto de candidato à Ucrânia e também à Moldova, anunciou o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, falando num "momento histórico".

A decisão dos chefes de Estado e de Governo ocorre menos de uma semana depois de a Comissão Europeia ter adotado recomendações no sentido de ser concedido o estatuto de países candidatos à adesão à Ucrânia e Moldova e dada "perspetiva europeia" à Geórgia, parecer também esta quinta-feira adotado pelos 27.

Os três países solicitaram a adesão já depois de a Rússia ter invadido a Ucrânia, a 24 de fevereiro, tendo Kiev sido a primeira capital a fazê-lo, quatro dias a seguir ao início da ofensiva, enquanto Moldova e Geórgia apresentaram as suas candidaturas em março.

As atenções estavam inevitavelmente centradas na decisão sobre a Ucrânia e a concessão do estatuto de candidato já era considerado um dado adquirido sobretudo desde que, há precisamente uma semana, os líderes das três maiores economias da União - o chanceler alemão Olaf Scholz, o Presidente francês Emmanuel Macron e o primeiro-ministro italiano Mario Draghi - se deslocaram a Kiev para expressar em conjunto o seu apoio à concessão do estatuto com efeito "imediato".

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