PS adverte para "os esquecidos instantâneos" e critica "profetas" anti-Europa

Porfírio Silva considerou que as medidas delineadas de resposta à pandemia "foram todas decisões tomadas em contexto de grande incerteza - incerteza sobre o vírus, sobre a dinâmica da pandemia".

O dirigente socialista Porfírio Silva advertiu esta quinta-feira que a breve prazo vão surgir na política portuguesa "os esquecidos instantâneos", visando explorar a posteriori os efeitos da crise, e criticou os "profetas da desgraça" face à União Europeia.

Estas posições foram transmitidas por Porfírio Silva, membro do Secretariado Nacional do PS, no encerramento da interpelação parlamentar da sua bancada ao Governo sobre as medidas para combater a pandemia de Covid-19.

Porfírio Silva considerou que as medidas delineadas de resposta à pandemia "foram todas decisões tomadas em contexto de grande incerteza - incerteza sobre o vírus, sobre a dinâmica da pandemia e sobre a gestão de comportamentos sociais conducentes a uma resposta coletiva robusta".

"O país agarrou-se, e bem, a um método de concertação onde responsáveis políticos e sociais procuraram dar o melhor uso possível ao conhecimento científico disponível em cada momento, para nos guiarmos mutuamente nesse oceano de incerteza e tomarmos as melhores decisões políticas possíveis. Contudo, não tardam a surgir os esquecidos instantâneos, que vão fazer de conta que havia certezas onde havia dúvidas; que vão querer ter toda a razão três meses depois, quando foi preciso agir naquele preciso momento; que vão querer fazer julgamentos a posteriori dos que tiveram de agir num inédito estado de exceção", advertiu o vice-presidente da bancada do PS.

Porfírio Silva observou depois que, mesmo com o país em estado de emergência, "a democracia nunca esteve suspensa" e que "é desejável, pois, que exista debate e contraditório político".

"E que ele sirva para continuar o grau de concertação indispensável à gravidade deste tempo. Mas os esquecidos instantâneos estão fora desse espírito", apontou.

Já em relação às correntes ideológicas antieuropeias, o deputado socialista eleito por Aveiro defendeu a tese de que a União Europeia, "afinal, aprendeu alguma coisa com os erros cometidos na crise anterior".

"E também aí tivemos um papel, porque Portugal mostrou que havia uma alternativa, que o progresso económico tem de ir a par do progresso social. Com as recentes propostas da Comissão Europeia, atingimos o patamar sem precedentes de uma cooperação inteligente, que passa pela mutualização das oportunidades, dos riscos e das responsabilidades. O ponto é que precisamos disso para o nosso próprio esforço de recuperação económica e social", frisou.

No entanto, segundo Porfírio Silva, "há quem continue a profetizar que a União Europeia não vai fazer nada do que é preciso fazer, ou mesmo a profetizar que não vai fazer aquilo que até já fez".

"Talvez seja a altura de deixarem o ofício de profetas da desgraça e investirem as suas forças no muito trabalho que é preciso fazer para que se concretize o que está proposto, porque isso é muito importante para a vida concreta dos portugueses nos próximos anos", declarou, num recado dirigido às bancadas à esquerda do PS.

Na parte inicial da sua intervenção, o dirigente socialista procurou evidenciar diferenças entre a resposta dada a esta crise e o programa que foi seguido a partir de 2010, quando o país foi confrontado com uma crise financeira.

"A anterior grande crise internacional foi aproveitada por alguns, também em Portugal, para empreender a destruição do Estado social, à boleia da troika, que reclamaram e depois lhes serviu de álibi para o seu programa político, o programa dos que diziam que tínhamos de empobrecer para sair da crise e que a perda de direitos devia ser permanente. Felizmente, temos hoje um Governo que sabe bem que a austeridade não resolve a crise", sustentou.

Austeridade, como programa político, na perspetiva de Porfírio Silva, "é a opção por cortar na despesa e aumentar os impostos para equilibrar as contas públicas".

"Mas a austeridade não serve para recuperar a economia, nem para responder à emergência social. Essa austeridade seria desprezo pelo sofrimento de hoje e uma traição antecipada às gerações futuras", acrescentou.

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