PS agiu de forma "imprevidente" e deu "mais publicidade" aos pequenos partidos

O ex-líder da bancada parlamentar socialista garante não se recordar "do que disseram recentemente os pequenos partidos mas do que disseram sobre esses pequenos partidos", e afiança que não era intenção do PS silenciar ninguém.

Carlos César entende que o PS agiu "de forma imprevidente" quando decidiu que faria valer as regras inalteradas do Regimento quanto à falta de participação pequenos partidos nos debates da Assembleia da República, o que acabou por dar mais publicidade ao Chega, ao Iniciativa Liberal e ao Livre do que aquela que estes partidos merecem.

O ex-líder da bancada parlamentar socialista garante não se recordar "do que disseram recentemente os pequenos partidos mas do que disseram sobre esses pequenos partidos", e afiança que não era intenção do PS silenciar ninguém.

"[O PS, o Bloco de Esquerda e o PCP] Deram prioridade à revisão do Regimento, mas fizeram-no de forma imprevidente. O mais natural teria sido prolongar a situação que vinha a ser experienciada com o PAN e proceder da forma mais rápida possível à revisão deste e doutros aspetos do Regimento", fundamentou, sobre esta "decisão precipitada".

Ouvido pelo jornalista Anselmo Crespo, no programa da TSF "Almoços Grátis" , o ex-líder da bancada parlamentar socialista considerou que este processo desvirtuou a imagem do Parlamento."Esta situação adulterou um pouco a imagem que se pode ter do nosso Parlamento que não é a imagem de um Parlamento que impede as pessoas de falarem", acrescentou Carlos César.

Apesar de admitir que há atenuantes para a posição inicial do PS, já que a exceção dada ao PAN na anterior legislatura dirigiu-se apenas a um partido, desta forma "acabou por se dar mais publicidade a estes partidos do que aquilo que eles efetivamente merecem".

Quanto ao tempo destinado às intervenções dos partidos de deputados únicos, Carlos César acredita que um minuto e meio basta para a "representatividade" que esses partidos têm de facto, até porque, na prática, os discursos não são interrompidos de forma brusca, havendo sempre uma margem de compreensão.

Na visão do socialista, estes partidos não podem ter um tempo desproporcional no plenário, já que os deputados do PS também teriam mais para dizer, por exemplo, e, "se fôssemos dividir o tempo que o PS tem por todos os deputados, cada um teria apenas cinco segundos" para falar.

Também no "Almoços Grátis" David Justino acusou o PS, o PCP e o BE de se escudarem atrás do regulamento. O vice-presidente dos sociais-democratas considera que esta foi uma forma de não dar voz ao Chega, ao Iniciativa Liberal e ao Livre, e que esta não foi uma votação realizada de forma inocente.

O vice-presidente do PSD concorda, no entanto, com Carlos César quanto à "publicidade" desajustada que este processo deu aos partidos de deputado único. Na ótica de David Justino, este caso ajudou a cimentar uma narrativa de vitimização que não confere mérito às posições ou convicções dos pequenos partidos, mas à litigância.

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