PS cria Fórum Mário Soares para refletir sobre passado e futuro do partido

Promover a reflexão sobre a relevância e o impacto das políticas públicas, valorizar a memória histórica e pensar o futuro: objetivos do Fórum Mário Soares do PS agora criado. O secretário-geral adjunto do PS explica à TSF o que será este espaço e lembra que o espírito de Mário Soares está bem presente. Já se o histórico socialista ficaria contente com um eventual apoio a Marcelo nas presidenciais, esse é um tema que fica para outros fóruns.

"Julgo que é uma belíssima homenagem que fazemos ao pai fundador do Partido Socialista." É sem qualquer modéstia que o secretário-geral adjunto do PS, José Luís Carneiro, fala do Fórum Mário Soares oficialmente lançado nesta terça-feira. Mas este é um espaço que vai além da homenagem e que abre caminho à comemoração dos 50 anos do partido.

Dividido em seis eixos, o Fórum Mário Soares visa aproximar os cidadãos do partido, seja da história e das memórias, seja dos projetos para o futuro. Desde logo, em parceria com a Fundação Mário Soares e com investigadores da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, é criado um programa que pretende valorizar "a memória histórica e do arquivo do PS e que passa pela organização e sistematização do património".

José Luís Carneiro sublinha que esse trabalho requer "a digitalização e a recolha de materiais das estruturas locais, das estruturas federativas e também de recolha das memórias dos fundadores vivos, que ainda estão bem, e que podem contribuir para recuperar esta memória". No resultado final, os conteúdos serão disponibilizados online e será lançado um livro.

Além de quatro conferências que o partido pretende organizar "de forma descentralizada", a começar já em 2020, o PS vai também apostar no contacto com as gerações mais novas. Afinal, esse é um grande objetivo de qualquer partido político.

"[Trata-se de uma] ferramenta tecnológica digital que permitirá que as jovens gerações possam participar, dando os seus contributos para as políticas públicas naquilo que denominamos como 'Diz-me o país que queres'", nota o secretário-geral adjunto do PS.

"Serão os jovens de mais tenra idade que poderão dar os seus contributos para as políticas públicas, contributos que são atualizados diariamente, semanalmente, mensalmente, e serão tratados por parte do Partido Socialista. Ou seja, os jovens que recorrerem a essa ferramenta saberão que, do lado de cá, está uma equipa que trabalhará esses contributos para procurar validar aqueles que puderem ser validados e transformá-los em opções de política pública nacional", realça.

Outros eixos deste fórum estão relacionados com a sistematização das políticas públicas do partido ao longo dos últimos 50 anos, bem como olhar para as políticas locais e atividades autárquicas dos socialistas no país.

Para o partido, a ideia é fazer valer que o PS "é um espaço qualificado de cidadania aberto à sociedade civil e a todos quantos queiram participar". "Os partidos políticos têm que, efetivamente, aperfeiçoar as suas condições de abertura à sociedade, os partidos políticos não podem ser uma redoma, têm de estar permanentemente em diálogo com os cidadãos, dos grandes centros às periferias", destaca o dirigente socialista, "Hoje, os desafios que vivem as sociedades democráticas são imensos e só partidos qualificados, mobilizados, partidos de cidadãos comprometidos com o interesse público, serão capazes de vencer os desafios", justifica.

Presidenciais. "Só é vencido quem desiste de lutar"?

Olhando para a atual realidade política nacional, em particular o PS, José Luís Carneiro considera que o espírito de Mário Soares continua bem presente entre todos os militantes e que, se cá estivesse, a sua voz seria de confiança para o rumo a seguir.

"Se bem conhecemos a voz de Mário Soares, aquela voz inconformada, lembrando sempre que só é derrotado quem desiste de lutar... Eu diria que essa seria a frase que ele estaria a transmitir. Essa interpelação à coragem, interpelação a uma luta democrática e uma luta comum de todos nós para vencermos este desafio, seria certamente a mensagem que nos estava a transmitir", nota o dirigente socialista, acrescentando que "o seu espírito continua muito forte" dentro do partido.

Mas e ficaria Mário Soares satisfeito com o facto de o PS, direta ou indiretamente, poder vir a apoiar uma candidatura de uma outra família política à Presidência da República (leia-se: Marcelo Rebelo de Sousa)? Pior: ajudar a bater o recorde que ele próprio estabeleceu em 1991, com 70,35% dos votos.

Aí, o caso muda de figura. José Luís Carneiro não quer dar para esse peditório e foge ao assunto das presidenciais dizendo que não pode "fazer interpretações a esse nível". "Como temos vindo a dizer, os órgãos do Partido Socialista terão um momento oportuno para se pronunciarem sobre assuntos dessa natureza", demarca-se.

E o momento até poderia ser já no sábado, com a realização da Comissão Nacional do partido, órgão máximo entre congressos. Se prevê uma discussão acalorada, Carneiro não se compromete, lembra apenas que o partido é um espaço de liberdade e de crítica, porque só assim o "Partido Socialista continua a ser o grande partido da sociedade portuguesa" que é.

Na ordem de trabalhos estão o agendamento dos atos eleitorais internos do partido e, naturalmente, a análise da situação política: um eufemismo partidário para o marcar de uma posição e abordar todos os assuntos que os militantes quiserem ver tratados. Sendo que desta reunião também não deverão sair quaisquer datas para o adiado congresso nacional, que só deverá acontecer depois das eleições presidenciais, consoante o desenrolar da situação epidemiológica.

Pisca à esquerda, mas também à direita

Fugindo do assunto "Comissão Nacional", José Luís Carneiro não deixa passar em vão o atual momento de pandemia que o país vive e levanta bem alto a bandeira que o PS tem vindo a bordar ao longo das últimas semanas: a da responsabilidade de todos os partidos.

"É muito relevante que os partidos políticos com responsabilidades parlamentares tenham uma noção muito clara de que a unidade e a convergência política nacional têm sido essenciais para conseguirmos fazer face a esta epidemia e para salvaguardarmos as conquistas e os valores democráticos fundamentais", nota o socialista.

E para isso os parceiros da esquerda, como o PS tem vindo a dizer, são preferenciais? "Tem sido afirmado que temos tido um diálogo e uma construção de soluções com a esquerda do Partido Socialista que tem dado respostas positivas e construtivas", começa por sublinhar José Luís Carneiro piscando o olho ao Bloco de Esquerda e ao PCP, mas, logo em seguida, alerta que "neste esforço" nenhum partido com responsabilidades nacionais "se pode eximir".

"As exigências são mesmo muito grandes e muito profundas, exigem um sentido de grande responsabilidade da parte de todos os partidos políticos", conclui, mantendo este que tem sido o tom público do PS e que, certamente, será detalhado em privado na Comissão Nacional do partido. Afinal, como dizia Mário Soares, "só é vencido quem desiste de lutar" e a batalha da política nacional, ainda que tenha acalmado com a pandemia, está longe de ter fim à vista.

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