PS e PSD: eleição de Von der Leyen reforça papel do Parlamento Europeu

Paulo Rangel e Carlos Zorrinho avisam que o plenário comunitário terá um papel determinante no mandante da primeira mulher a presidir a Comissão Europeia.

Os eurodeputados Carlos Zorrinho (PS) e Paulo Rangel (PSD) concordaram que a eleição por apenas nove votos de Ursula Von der Leyen para a presidência da Comissão Europeia reforça o papel do Parlamento Europeu (PE).

"O resultado que acabou de se verificar mostra que temos PE muito atento, que viabilizou uma candidata pró-europeia, que incorporou nas suas prioridades um conjunto de apostas progressistas. E, a partir de agora, e porque temos consciência de que foram também os Socialistas e Democratas que permitiram esta eleição, vamos acompanhar de forma próxima como Von der Leyen vai traduzir no colégio de comissários, no programa da Comissão e na ação concreta os compromissos que assumiu", avaliou o chefe da delegação do PS na assembleia europeia.

Recordando que "os socialistas portugueses estiveram com a solução" Ursula Von der Leyen, Carlos Zorrinho considerou que a curta margem pela qual a alemã foi eleita para a presidência do executivo comunitário "demonstra que o PE tem uma palavra determinante".

"Ninguém pode esquecer o papel do PE. Se não se tivesse comprometido com políticas progressistas, não teria sido eleita", defendeu, prometendo que os Socialistas e Democratas recordarão, se for preciso todos os dias, à política alemã aquilo a que se comprometeu.

Paulo Rangel, por sua vez, definiu a eleição da alemã, pertencente à sua família política, o PPE, como "boas notícias para a UE".

"Este resultado mostra também à nova presidente da Comissão que precisa de trabalhar com o PE mesmo, porque a margem que teve foi pequena e isso vai obrigá-la a ter em conta o PE em cada passo que der", alertou

Para o também vice-presidente do PPE, a votação de hoje é duplamente boa para a assembleia europeia, uma vez que, por um lado, "dá força à presidente e à própria Comissão e à União Europeia, porque não abre uma crise institucional num momento de tensão", e, por outro, "mostra que o PE tem a comissão sob controlo".

"A nova comissão vai ter de trabalhar com o PE para ampliar a sua maioria e ganhar alguma margem de conforto", alertou, desvalorizando, contudo, a curta margem, lembrando que as votações para a presidência da Comissão Europeia "são como as votações presidenciais, esgotam-se no momento em que ocorrem".

Já Nuno Melo, que antes da votação se tinha demonstrado renitente em apoiar a política alemã, assumiu ter votado a favor, não sem antes, na reunião do grupo do PPE, onde o CDS-PP tem assento, ter deixado expressa a sua oposição a algumas das propostas da agora eleita presidente da Comissão Europeia pelo PE.

"A vitória foi por uma expressão reduzida, agora terá de conquistar todos os outros", disse ainda.

O eurodeputado do PAN, Francisco Guerreiro, prometeu também que os Verdes europeus, onde está integrado o seu partido, tudo farão para que a retórica transmitida por Von der Leyen nas últimas duas semanas "passe para a Comissão Europeia".

A alemã hoje eleita para a presidência da Comissão Europeia pelo Parlamento Europeu, ao recolher no hemiciclo de Estrasburgo (França) 383 votos a favor, 327 contra, 22 abstenções e um nulo.

Os números significam que nem todos os eurodeputados das três maiores famílias políticas -- o Partido Popular Europeu, os socialistas e os liberais do Renovar a Europa, que anunciaram o apoio à alemã -- deram o seu 'sim' à nova presidente da Comissão, uma vez que os três grupos somam 444 eurodeputados.

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