PS elogia Marcelo e Ferro e afirma desconhecer reforma da justiça do PSD

Interrogada sobre o desafio feito por Rui Rio para um acordo em torno de uma reforma profunda do sistema de justiça, a líder da bancada socialista respondeu que não sabe exatamente qual é a reforma que o PSD pede.

A líder parlamentar do PS elogiou os discursos do chefe de Estado e do presidente da Assembleia da República na sessão solene do 25 de Abril e afirmou desconhecer a reforma da justiça proposta pelo PSD.

Ana Catarina Mendes falava aos jornalistas na Assembleia da República, este domingo, após a sessão solene comemorativa do 47.º aniversário do 25 de Abril no Parlamento, tendo começado por destacar a mensagem transmitida pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.

"Em democracia cabem todos, todas as opiniões, todos os estratos sociais, os mais e os menos evoluídos. Todos fazemos parte do mesmo Portugal, da mesma História e todos devemos respeitar-nos em democracia", disse, numa alusão ao discurso proferido momentos antes pelo chefe de Estado.

Ana Catarina Mendes salientou também a importância da intervenção inicial da sessão solene, que esteve a cargo do presidente da Assembleia da República, Ferro Rodrigues, dizendo que a democracia, "com as suas divergências e diferenças de opinião, exprime-se em particular no parlamento com os vários partidos, dos mais democráticos aos menos democráticos".

"Todos com a legitimação do povo português. Mas isso também nos confronta com a democracia ser um projeto inacabado e de precisar de ser sempre regada. Trata-se da responsabilidade de todos os dias os políticos aprofundarem a democracia e de serem respeitadores do legado dos capitães de Abril", disse, aqui numa alusão ao teor do discurso de Ferro Rodrigues.

Neste contexto, a presidente do Grupo Parlamentar do PS fez também um rasgado elogio ao discurso proferido pelo seu deputado, o cientista e professor universitário Alexandre Quintanilha, considerando que traduziu "memória e conhecimento".

"Memória da nossa História e reconhecimento pela forma como o conhecimento ao serviço da democracia permitiu vencer a incerteza que ainda subsiste" com a pandemia de Covid-19, apontou Ana Catarina Mendes.

Interrogada sobre o desafio feito pelo presidente do PSD, Rui Rio, para haja um acordo em torno de uma reforma profunda do sistema de justiça, a líder da bancada socialista respondeu: "Convém saber exatamente qual é a reforma que o PSD pede para a justiça".

"Ao longo destes 47 anos, se há partido que esteve sempre ao lado da melhoria significativa da justiça foi o PS. Foi assim como Salgado Zenha, com a independência do poder judicial em relação à política, e com Almeida Santos, que deu mais autonomia e um estatuto próprio ao Ministério Público. Mas também foi assim com António Costa como ministro da Justiça [1999{2002], quando se introduziu a criminalização da vantagem indevida", sustentou a presidente do Grupo Parlamentar do PS.

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