PS sem carta na manga. Se PSD não chumbasse OE, Rio daria "uma lição de política ao país"

Dois anos depois da sua nomeação enquanto secretário-geral adjunto do Partido Socialista, José Luís Carneiro foi entrevistado por Fernando Alves, na Manhã TSF. O socialista admitiu que o Governo não possui qualquer carta na manga para reverter os votos necessários à aprovação surpresa do OE, nas horas que antecedem a votação na generalidade, e deixou um desafio a Rui Rio.

José Luís Carneiro não nega a possibilidade de o Executivo socialista contar com o maior partido da oposição para viabilizar o Orçamento do Estado para 2022, e até deixa um apelo a Rio. Em entrevista na Manhã TSF, conduzida por Fernando Alves, a propósito dos dois anos desde a sua nomeação enquanto secretário-geral adjunto, o tema da eventual crise política foi o maior destaque. "É evidente que o PS terá todo o interesse de contar com todos os apoios que viabilizem o OE, porque temos bem a noção da importância da aprovação do Orçamento para cumprirmos os nossos compromissos com os cidadãos, que esperam de nós uma atitude de grande responsabilidade", disse o socialista, sobre o possível aval do PSD Madeira.

Para o representante do PS, Rui Rio poderia dar um bom exemplo nestes últimos momentos, provando que coloca os interesses nacionais acima dos seus. "Era uma boa oportunidade para desmentir que aquilo que o secretário-geral do Partido Socialista disse não tinha razão de ser. O que o Partido Socialista disse foi que quem tem mais interesse no lugar maioritário do Partido Socialista é o Partido Social-Democrata. Foi aquilo que quis dizer o secretário-geral do PS. Quando depender do PSD, significa que vamos para a oposição, mas o doutor Rui Rio poderia demonstrar que afinal o secretário-geral do PS não estava certo, e ele próprio dava uma lição de política ao país, de ética republicana e de serviço ao interesse nacional."

O secretário-geral adjunto do PS considerou que o partido "tudo" está "a fazer" para que o OE passe na generalidade, elogiando a "atitude de grande humildade democrática" de todos os membros do Executivo. O processo tem exigido muita dedicação, de acordo com José Luís Carneiro, porque "precisamos de muita coisa, mas não precisamos de uma crise política". O país deve, em vez disso, concentrar-se neste momento em melhorar o SNS, em consumar a recuperação das aprendizagens e em aprimorar a tributação fiscal, argumentou. "Temos muito pouco tempo para cumprirmos os nossos compromissos com Bruxelas e investir os recursos europeus", referiu, apelando à "consciência aguda dos deputados" quanto à sua "responsabilidade da representação política", nestas horas, "que são horas cruciais para o país".

Se o Orçamento não for aprovado, o que se avista no horizonte ainda não é certo, mas José Luís Carneiro acredita que é fácil deduzir que ninguém sai a ganhar. "Perdem os jovens para quem este Orçamento do Estado previa combater a precariedade laboral. Perdem aqueles, nomeadamente funcionários da administração pública, zelosos funcionários da administração pública, para quem estava previsto um aumento da remuneração da administração pública. Perdem também as famílias das classes médias, para quem se previa uma redução da carga fiscal que significava cerca de 230 milhões de euros. Caso o Orçamento não seja aprovado, deixará de avançar essa mudança." Saem ainda a perder os trabalhadores, que tinham um "instrumento de valorização, da dignificação das suas condições remuneratórias de trabalho", acrescentou.

O socialista assevera que o Governo não tem qualquer carta na manga para um passe de magia de última hora que transforme os votos negativos para um sentido favorável, na votação da generalidade. "É possível, na especialidade, melhorar propostas que estão em sede de Orçamento. É possível melhorar no volume das propostas, no volume financeiro e orçamental das propostas, e é possível também mexer no ritmo da implementação das propostas."

"Há abertura política para que, agora em sede de especialidade, possamos apreciar e avaliar propostas em termos de volume e de ritmo de implementação." Com esta possibilidade acena José Luís Carneiro, uma voz socialista que também lamentou que o Bloco de Esquerda tenha levantado questões "legítimas" mas que deveriam ser discutidas em sede de discussão de legislação laboral e não em sede de negociação orçamental.

Ainda assim, no corredor dos últimos apelos, o socialista lembra que é possível na especialidade melhorar as propostas, não esquecendo que Portugal não deve comprometer o ciclo de redução de dívida pública. Para José Luís Carneiro, o "Orçamento tem as prioridades certas".

LEIA AQUI TUDO SOBRE O OE 2022

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