PSD pede "mudança radical". BE sugere que Governo "não quer gastar" o necessário

Parlamento debate esta quarta-feira a renovação do estado de emergência até dia 30 de janeiro.

O PSD pediu esta quarta-feira uma "mudança radical na resposta à covid-19", com testes sistemáticos e mapeamento dos lares, enquanto o BE sugeriu que o Governo "não quer gastar o dinheiro necessário" para minimizar os efeitos da pandemia.

Estas posições críticas foram assumidas durante o debate parlamentar sobre o pedido de autorização do Presidente da República para renovar o estado de emergência por mais quinze dias, até 30 de janeiro, em que o deputado e secretário-geral adjunto do PS, José Luís Carneiro, foi o primeiro a intervir, considerando que o executivo tem atuado "com coragem, ponderação, serenidade e bom senso" no combate à covid-19.

Em seguida, o deputado do PSD Ricardo Baptista Leite reiterou o apoio do seu partido à renovação do estado de emergência, afirmando que "o momento exige responsabilidade" e que "o confinamento é agora proposto pelos especialistas como uma necessidade imperiosa, mas manifestou "divergências profundas" em relação à estratégia de resposta à covid-19, sustentando que o atual "descontrolo de novas infeções" poderia ter sido evitado.

"Não basta confinar, é preciso mudar. É fundamental encetar uma mudança radical na resposta à covid-19 para evitar uma nova subida de casos nos próximos meses pós-confinamento. Com recurso à ciência e olhando para os exemplos de países que têm respondido com sucesso à pandemia, desde a Dinamarca à Coreia do Sul, fica evidente que é possível fazer melhor", defendeu.

O social-democrata referiu que estes países fizeram "quatro a cinco vezes mais" testes do que Portugal, "testando sistematicamente, semanalmente em alguns casos, grupos de risco como profissionais das escolas, dos lares, os profissionais de saúde", e que "identificam proativamente todas as cadeias de infeção e asseguram o isolamento de todos os cidadãos infetados e suspeitos".

"Testar, identificar, isolar. No caso português, urge igualmente atuar onde se encontram os maiores focos de mortalidade, como é o caso dos lares. Mapear os lares, sejam legais ou ilegais, e evacua de imediato os idosos residentes nos lares que não têm condições adequadas", acrescentou o médico e deputado, salientando que o PSD propôs estas medidas em novembro.

O líder parlamentar do BE, Pedro Filipe Soares, também criticou a ação do Governo, sobretudo por omissão, justificando assim que o seu partido não apoie o diploma do Presidente da República de renovação do estado de emergência.

Ressalvando que "o BE não é contra esse pedido", Pedro Filipe Soares argumentou que "o Governo tem falhado na aplicação dos estados de emergência" e que "têm tardado" os apoios à economia, a contratação de profissionais para o Serviço Nacional de Saúde (SNS) e a requisição de meios privados do setor da saúde.

O líder parlamentar do BE disse que "há pessoas que ainda não receberam os apoios prometidos no confinamento de março passado", que no SNS "as contratações são a conta-gotas" e deixou ainda "uma suspeição", de que "o Governo não está tão empenhado como devia em minorar os efeitos da pandemia na economia e na vida das pessoas, porventura não quer gastar o dinheiro necessário".

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