PSD queria que Marcelo fosse mais além no discurso do 5 de Outubro

A oposição gostaria que o Presidente da República tivesse pressionado o Governo "para a realização das reformas de que o país precisa".

O vice-presidente do PSD André Coelho Lima congratulou-se, esta terça-feira, pelo tom do discurso do Presidente da República na cerimónia do 5 de Outubro, mas gostaria que fosse mais além, pressionando o Governo para a realização das reformas.

"Teríamos gostado de o ver, usando o seu próprio repto, para que o 5 de Outubro fosse comemorado como uma data viva, pressionar o Governo para a realização das reformas de que o país precisa", disse o vice-presidente social-democrata, que falava aos jornalistas na sede do seu partido, no Porto.

André Coelho Lima crê, contudo, que isso será "provavelmente" o que se seguirá "nos próximos dias".

Noutro ponto do seu comentário ao discurso presidencial, o vice-presidente social-democrata afirmou: "Concordamos com a mensagem do senhor Presidente da República quando diz que o desenvolvimento económico é a forma única de criar riqueza e desenvolvimento do país (...) Mas, este amparo deve ser feito pela via do desenvolvimento económico e não pela via assistencialista".

O enfoque do Presidente na persistência de grandes bolsas de pobreza em Portugal mereceu também o comentário social-democrata.

É "particularmente chocante" o número citado pelo Presidente da República de dois milhões de pobres, "um falhanço nacional para todos nós ao longo de décadas", disse o vice-presidente do PSD, considerado que da sua mensagem ficou a ideia de passar com celeridade já das palavras aos atos no combate a essa situação.

A questão do PRR serviu para o dirigente social-democrata sublinhar, a reboque do discurso presidencial e da questão da ética republicana, que a chamada 'bazuca' "é um instrumento que tem de ser tratado com seriedade".

André Coelho Lima destacou ainda a atitude do presidente em funções da Câmara de Lisboa, Fernando Medina, ao convidar o presidente eleito Carlos Moedas para a cerimónia. "E uma boa forma de marcar a importância do 5 de Outubro", disse.

O Presidente da República pediu que se faça do 5 de Outubro uma data viva, com um Portugal mais inclusivo e que entre a tempo no "novo ciclo da criação de riqueza", aproveitando os fundos europeus.

O apelo de Marcelo Rebelo de Sousa foi feito ao discursar na cerimónia comemorativa do 111.º aniversário da Implantação da República, no Salão Nobre dos Paços do Concelho, em Lisboa.

Se "queremos um 05 de Outubro uma "data viva, então criemos um Portugal mais inclusivo, até porque o Portugal que somos nunca vencerá os desafios da entrada a tempo no novo ciclo económico e da multiplicação do conhecimento com dois milhões de pobres e alguns mais em risco de pobreza", declarou o chefe de Estado na cerimónia do 05 de outubro.

Depois, o Presidente da República apelou a que "Portugal por uma vez entre a tempo -- isto é, nos primeiros, e não no meio e menos ainda nos últimos -- num novo ciclo económico do clima, energia, digital, ciência, tecnologia e renovado tecido produtivo".

"E dispondo de meios de financiamento adicionais, a serem usados com rigor, eficácia e transparência", referiu.

Marcelo Rebelo de Sousa advertiu que, "desta vez, falhar a entrada a tempo é perder, sem apelo nem agravo, uma oportunidade que pode não voltar mais".

"Portugueses, este 5 de Outubro de 2021 terá mesmo sentido para todos nós se for uma data viva. Uma data viva quer dizer um Portugal inclusivo e, por isso, mais justo. Uma data viva quer dizer um Portugal capaz de não perder o novo ciclo da criação de riqueza -- e porque mais rico mais inclusivo e mais justo. Uma data viva quer dizer um Portugal mais conhecedor, mais qualificado, mais culto -- e por isso mais rico, mais inclusivo e mais justo", reforçou, no final do seu discurso.

O Presidente da República acrescentou que, "superada a pandemia" de Covid-19, Portugal tem "nos anos próximos uma ocasião única e irrepetível de reconstruir destinos, de refazer esperanças, de renovar sonhos".

"A pensar em todos os portugueses, e desde logo nos que mais desesperam, e neles nos mais jovens, que são quem mais sofrem se essa ocasião passar ao nosso lado sem a assumirmos. Não a podemos perder. Não a vamos perder. Viva a República, viva Portugal", concluiu.

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