PSD/Lisboa diz que demissão de vereador comprova falhas na vacinação

"Desde a primeira hora considerámos que [Carlos Castro] deixara de ter condições para se manter em funções", escrevem os sociais-democratas em comunicado.

O PSD/Lisboa considerou esta terça-feira que a demissão do vereador da Proteção Civil, Carlos Castro, era "inevitável", argumentando que a renúncia comprova que a estratégia de vacinação contra a Covid-19 "está a falhar".

"O PSD/Lisboa entende a demissão do vereador Carlos Castro como inevitável. Desde a primeira hora considerámos que deixara de ter condições para se manter em funções, por não ser aceitável que o vereador, assim como a Diretora Municipal da Higiene Urbana e os comandantes do Regimento de Sapadores Bombeiros e da Polícia Municipal tenham sido privilegiados no processo de vacinação por inerência dos cargos", escrevem os sociais-democratas em comunicado.

A concelhia de Lisboa do partido, presidida por Luís Newton, também presidente da Junta de Freguesia da Estrela, considera que a demissão de Carlos Castro comprova "que a estratégia da vacinação está a falhar na sua primeira fase, pondo em causa um mais rápido controlo da pandemia".

O vereador da Proteção Civil na Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Castro, renunciou hoje ao cargo, depois de ter sido vacinado contra a Covid-19, quando foram administradas doses que sobraram dos lares.

Na carta endereçada ao presidente da autarquia, Fernando Medina (PS), o autarca demissionário justificou a decisão com o "mal-estar" provocado na autarquia depois ter sido vacinado, considerando, assim, que não estavam reunidas as condições para continuar no cargo.

"Por não querer que os serviços municipais percam o seu foco, porque ainda estamos num árduo combate, e não quero contribuir para uma situação de instabilidade interna, verifico não estarem reunidas as condições para permanecer em funções e, por isso, apresento a minha renúncia ao cargo", afirmou Carlos Castro.

O vereador demissionário salientou que "nunca quis beneficiar de nada, nem prejudicar ninguém", reforçando que a sobra que lhe foi administrada foi "validada por um delegado de saúde".

Apontando que estão a ocorrer "falhanços" no processo de vacinação "em todo o país", o PSD diz estar "totalmente disponível para ajudar a CML [Câmara Municipal de Lisboa] no naquilo que lhe for possível".

O partido defende, por isso, "uma comissão de fiscalização e acompanhamento do processo" na Assembleia Municipal de Lisboa, que inclua também "ajuda direta na sua organização".

Na quinta-feira passada, o PSD/Lisboa expressou "indignação" por o vereador Carlos Castro ter sido vacinado contra Covid-19, acusando o autarca do PS de se aproveitar de "sobras" de vacinas destinadas aos grupos prioritários definidos pelas autoridades de saúde.

"A demissão de Carlos Castro é o mínimo que este executivo deveria exigir ao seu vereador", afirmou o PSD/Lisboa, num comunicado apresentado como "as 'sobras' de dignidade da Câmara Municipal de Lisboa".

Além de condenar o "comportamento desprestigiante" do vereador Carlos Castro, os sociais-democratas estenderam as críticas à decisão de vacinar a diretora municipal de Higiene Urbana e o comandante da Polícia Municipal, sustentando que estes profissionais "não se encontram nas linhas da frente".

"Esta não é uma questão de critérios, mas sim de um vereador ser conivente e beneficiário de uma decisão errada e irresponsável. [...] É apenas mais um exemplo do mau planeamento desta Câmara Municipal, cujas prioridades se encontram evidentemente baralhadas", apontou o PSD.

No dia 09 de fevereiro, a Câmara de Lisboa fez saber que, na sequência da vacinação em lares e residências para idosos, sobraram 126 vacinas, uma média de 18 por dia.

Dando cumprimento às determinações das autoridades de saúde, indicou então a autarquia, foram ministradas 26 doses das vacinas a elementos das equipas envolvidas diretamente da operação de inoculação nos lares, designadamente 15 enfermeiros e oito elementos da Proteção Civil municipal presentes no local da vacinação, entre os quais o vereador com a pasta respetiva, e também três elementos da Higiene Urbana, entre os quais a sua diretora, envolvidos no processo de recolha das seringas utilizadas na vacinação.

As restantes 100 sobras "foram ministradas a profissionais dos grupos constantes na primeira fase de prioridade definida" pela Direção-Geral da Saúde.

"Foram assim vacinados 56 bombeiros voluntários e o comandante e subcomandante do Regimento de Sapadores Bombeiros, e 42 elementos da Polícia Municipal, incluindo o comandante", especificou a autarquia.

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