Quantos candidatos autárquicos já tem, afinal, o PSD?

Não são 100 candidatos como inicialmente anunciado, também não são apenas 25. Mas o anúncio foi de uma centena, só que afinal não. Eis as explicações para a falha na comunicação.

É tudo uma questão de português e, em última instância, de gestão de expectativas. Tudo começou na apresentação de Carlos Moedas, no dia 25 de fevereiro, com Rui Rio a anunciar que "dentro de alguns dias, poucos", iriam "dar mais candidatos, provavelmente mais 100 candidatos às Câmaras Municipais".

Menos de uma semana depois, Rui Rio reafirma o anúncio: "agora vamos apresentar 100 e ainda ficam a faltar 200 e tal, tudo isto está a andar". Pouco depois, cai na caixa de email dos jornalistas a convocatória para uma conferência de imprensa para "apresentar um conjunto de candidatos às próximas eleições autárquicas".

Chegado o dia, José Silvano, secretário-geral e responsável pela coordenação deste dossier, começou por explicar que na sequência da confirmação dos nomes de Carlos Moedas, para Lisboa, e de Fernando Negrão, para Setúbal, o processo "continua hoje com a apresentação de mais 100 candidatos".

Adiante, Silvano reafirma: "Vamos apresentar agora os 100 candidatos, divididos em duas partes: são 23 candidatos novos, isto é, candidatos que não são presidentes de câmara e que não estão em exercício de funções e serão 77 que são presidentes de câmara recandidatos a um novo mandato".

Posto isto, é apresentando um vídeo num ecrã com os nomes de uma centena de pessoas e a Câmara Municipal correspondente, primeiro os tais "novos candidatos", depois aqueles que ainda são presidentes de câmara e estão em condições de voltar a concorrer às respetivas autarquias.

Mas, de facto, pelo meio, José Silvano deixou uma ressalva acerca destes "recandidatos". "Vamos apresentá-los porque tomámos uma decisão nos órgãos próprios. Estes 77, quando quiserem ser candidatos, apresentar a sua candidatura formal, poderão fazê-lo no tempo e na forma que entenderem. Porquê? Porque a Comissão Política Nacional deliberou dar poderes à Comissão Permanente, que reúne todas as semanas, que para estes casos, desde que sejam presidentes recandidatos, nós homologamos na própria semana", salientou o coordenador autárquico do PSD.

Entretanto, Silvano até detalhou que, dos atuais 98 presidentes de câmara do PSD, "há 13 que não se podem recandidatar, porque já cumpriram três mandatos", há "quatro ou cinco que não querem recandidatar-se" e outros tantos que "ainda estão em processo de decisão nas respetivas estruturas e serão apresentados nas próximas semanas".

Terminada a conferência, começam a sair as notícias na comunicação social e com vários autarcas a demarcaram-se deste anúncio, realçando que as decisões ainda não tinham sido tomadas ou que, como no caso do autarca de Oleiros, Fernando Jorge, dizia à TSF: "a direção do PSD sabe mais da minha vida do que eu próprio".

Agora depreende-se, perante a demarcação de vários autarcas, que estes nomes ainda não estão de facto homologados, têm apenas a luz verde da direção se assim o entenderem.

Nunca em tempo algum se referiu que não teriam existido conversações com estes "recandidatos", daí a assunção da parte de todos os jornalistas de que estes 77 seriam efetivamente candidatos às Câmaras Municipais que hoje presidem.

Em suma, aquilo que é seguro dizer, e a bem do rigor, é que o PSD tem neste momento apenas 25 candidatos homologados: 23 apresentados esta quarta-feira e outros dois conhecidos na semana passada.

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