"Quase toda a legislação que temos de luta contra a corrupção foi aprovada pela mão do PS"

Para Constança Urbano de Sousa, a luta do PS contra a corrupção foi sempre uma constante. A antiga ministra acredita que João Cravinho "deve estar com a memória um pouco afetada".

A antiga ministra da Administração Interna Constança Urbano de Sousa reagiu às palavras de João Cravinho sobre a ausência de vontade política durante a governação de José Sócrates, por parte do PS, para combater a corrupção. A vice-presidente do grupo parlamentar do Partido Socialista, com responsabilidade nesta matéria, acusa o antigo governante de "estar com a memória um pouco afetada".

"João Cravinho deve estar com a memória um pouco afetada", declarou Constança Urbano de Sousa, em declarações à TSF, após a entrevista de João Cravinho ao Polígrafo, na SIC Notícias, em que o antigo dirigente socialista garantiu que o plano anticorrupção da sua autoria não foi para a frente, em 2006, porque Sócrates não quis.

Para Constança Urbano de Sousa, a luta do PS contra a corrupção foi sempre uma constante. "Desde há muitos anos, há décadas, diria eu, quase praticamente toda a legislação que nós temos hoje no domínio da luta contra a corrupção foi aprovada pela mão do Partido Socialista. Mesmo durante o Governo de José Sócrates, o chamado pacote Cravinho foi praticamente todo concretizado."

A antiga ministra vinca que "a única medida do chamado pacote Cravinho que não foi aprovada e o PS nunca apoiou foi a do enriquecimento ilícito", e justifica que o partido não avançou com a iniciativa "por considerar à época, como considera hoje, inconstitucional, o que foi confirmado, não uma vez, mas duas vezes, pelo Tribunal Constitucional".

João Cravinho acusou o Governo socialista de não ter feito esforços políticos para travar o enriquecimento ilícito aquando da governação com maioria absoluta. "O PS não pode fingir que não houve um período em que o partido com maioria absoluta, [que ], com todos os meios, foi um partido combatente, empenhou toda a sua capacidade política, legitimada pelo seu secretário-geral, que também era primeiro-ministro, contra a ideia de se combater sistemicamente a fundo a corrupção. Isso é que faz parte da história do PS", argumentou, na noite de segunda-feira.

No entanto, estas acusações não são subscritas por Constança Urbano de Sousa, que frisa: "O PS nunca ignorou esta questão, sempre debateu esta questão, sempre teve propostas muito, muito concretas."

"Não temos nenhum medo e temos muito orgulho em combater [a corrupção], porque temos a consciência tranquila de que as leis que existem neste país de combate à corrupção sempre tiveram o cunho do Partido Socialista", garante a ex-ministra.

Quanto à consideração de João Cravinho, que defendeu o debate deste tema durante o congresso nacional dos socialistas ainda este ano, a antiga ministra refere que a agenda do evento será definida pelo secretário-geral, António Costa. Em conclusão, a vice-presidente do grupo parlamentar do Partido Socialista volta a sublinhar: "Este não é um tema de que o PS se envergonhe, muito pelo contrário. Tem muito orgulho de ter sido o autor de praticamente todo o exercício jurídico que temos à nossa disposição, de combate à corrupção."

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de