Quase um terço dos portugueses sem médico de família espera há mais de dois anos

A sondagem da Aximage para a TSF, JN e DN revela ainda que perto de 30% dos portugueses sentem um grande impacto das despesas com a saúde no orçamento familiar.

Grande parte dos portugueses que estão inscritos em centros de saúde públicos fica mais de dois anos à espera que lhe seja atribuído um médico de família. É o que conclui uma sondagem feita pela Aximage para a TSF, o JN e o DN, em que 98% dos inquiridos garantiram estar inscritos num centro de saúde.

No entanto, apesar de inscritos em centros de saúde, são 22% aqueles que não têm médico de família - 16% já tiveram, mas perderam-no, enquanto 6% nunca chegaram sequer a ter.

É na Área Metropolitana de Lisboa que há mais pessoas a admitir nunca ter tido médico de família, seguida pela região Centro, depois pela região Sul e Ilhas e pela Área Metropolitana do Porto, sendo, finalmente, o Norte a região onde menos pessoas dizem nunca ter tido médico.

Entre esta população que não tem médico de família, o mais frequente (31%) é estar há dois anos ou mais à espera da atribuição de médico. Há ainda 13% à espera entre um e dois anos, 16% entre seis meses e um ano e 13% há menos de seis meses, com 27% a não saberem precisar há quanto tempo aguarda.

Quando questionados sobre quão fácil é conseguir marcar uma consulta no centro de saúde, quase um terço dos inquiridos (31%) responde que é "difícil" ou "muito difícil" e é na região Centro que a marcação de consultas se revela mais complicada. Pelo contrário, é na região Sul e nas Ilhas que mais se afirma ser "fácil" ou "muito fácil" conseguir uma consulta médica.

Ainda assim, depois de marcada consulta no SNS, cerca de um quinto dos portugueses diz ter de esperar mais de dois meses (19%); 29% afirmam aguardar entre 15 dias e um mês; 20% dizem esperar entre um a dois meses, outros 20% esperam menos de 15 dias e 12% não sabem precisar. O tempo de espera por consulta é mais elevado entre os inquiridos da Área Metropolitana do Porto e da região Norte.

Questionados sobre a sua perceção em relação à existência de atrasos no serviço de saúde público, 64% são da opinião de que têm ocorrido atrasos, 21% não têm conhecimento de atrasos e 15% respondem que não sabe. Entre quem fala em atrasos, 53% acreditam que a maior demora em consultas, tratamentos e cirurgias se deveu à pandemia, 35% pensam que não foi por causa da Covid-19 e 12% não sabem responder.

Quanto aos meios mais usados para a marcação de consultas, grande parte dos inquiridos (39%) desloca-se presencialmente ao centro de saúde, seguindo-se a marcação por telefone (37%) e depois a marcação por e-mail (13%). Há ainda quem utilize aplicações, através do computador (5%), e através do telemóvel (3%).

No que toca a consultas de especialidade, em 36% dos casos, é aos centros de saúde que os portugueses mais recorrem. Há ainda 27% com consultas em hospitais públicos, mas 35% optam mesmo pelos privados (19% em hospitais e 14% em clínicas), sendo a região Sul e as Ilhas as zonas onde mais se recorre a particulares para consultas de especialidade.

As despesas com a saúde assumem um peso grande ou muito grande no orçamento familiar para mais de um quarto dos portugueses (27%). Entre os inquiridos, 36% respondem que o peso da saúde no orçamento familiar é "médio" e 28% dizem que o peso no orçamento é "pequeno", mas há 18% a garantir que o impacto é "grande" e 9% a afirmar mesmo que é "muito grande". Há ainda 8% para quem é "muito pequeno" e 1% a responder que não sabe. É entre a população com mais de 65 anos que os gastos com a saúde têm maior impacto.

Ficha Técnica:

A sondagem foi realizada pela Aximage para TSF, JN e DN com o objetivo de avaliar a situação e perceção dos portugueses sobre temas relacionados com a saúde.

O trabalho de campo decorreu entre os dias 14 e 19 de junho. Foram recolhidas 804 entrevistas entre maiores de 18 anos residentes em Portugal. Foi feita uma amostragem por quotas, com sexo, idade e região, a partir do universo conhecido, reequilibrada por género, grupo etário e escolaridade.

À amostra de entrevistas, corresponde um grau de confiança de 95% com uma margem de erro de 3,46%. A responsabilidade do estudo é da Aximage Comunicação e Imagem Lda., sob a direção técnica de Ana Carla Basílio.

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