Quem quer casar com o PS? Filme de uma noite com estreias, quedas e desastres

A última noite passou demasiado rápido? A política não dá vontade de ficar acordado até "altas horas"? Ora, então, aqui fica um resumo do que aconteceu na última noite.

Bem-vindo ao dia 7 de outubro de 2019. Portugal acordou com um Parlamento dividido entre dez partidos - três deles estreantes - e liderado por um PS à procura de (pelo menos) um par. A maioria absoluta não aconteceu mesmo.

Se o anúncio da morte da Geringonça foi manifestamente exagerado? Talvez. Pelo menos na forma como a conhecemos. Mas vamos por partes. Se é verdade que o PS venceu as eleições com 36,65% dos votos - elegeu 106 deputados - não é menos verdade que o Bloco de Esquerda se consolidou como a terceira força política nacional e que o CDS teve um dia para esquecer.

A noite eleitoral começou a todo o gás e com Rui Rio a dar o mote. Chegou ao hotel Marriott, em Lisboa, onde assistiu ao desenrolar da noite eleitoral, quase em sprint e tal foi a velocidade que houve quem não desse pela sua passagem. No Largo do Caldas, Cristas chegava à sede do CDS em low-profile - que acabou por combinar com a noite da líder centrista - e com "tranquilidade".

Costa chegou ao hotel onde iria acompanhar os desenvolvimentos políticos de sorriso na cara e com a convicção de que os portugueses "escolhem sempre bem". Mesmo que não escolhessem a maioria absoluta.

A hora seguinte trouxe os números da abstenção. As projeções colocavam-na entre os 43,4% e os 51% e os partidos foram unânimes: é de lamentar, mas votar - ou não - é um direito. Acabou por fixar-se nos 45,5%, um recorde daqueles que Portugal não pode orgulhar-se de bater.

Outra hora e surgem - às 20h00 em ponto - as primeiras projeções. Começam os jogos. Ouviu-se "vitória" no PS, no PSD nada se ouviu. A CDU começou por desvalorizar e o BE por aplaudir. O CDS ficou em silêncio e, mais do que isso, em vazio.

Uma hora depois da divulgação dos resultados, a noite fazia a primeira vítima: Assunção Cristas abandonava a presidência do CDS e pedia ao Conselho Nacional do CDS que convocasse um congresso antecipado. No final da noite, o CDS somava 4,25% dos votos, que lhe valeu a eleição de apenas cinco deputados. Cristas não resistiu, Cristas vai sair. Entretanto, já há um candidato à liderança do partido.

Com Cristas fora de cena, coube à CDU e a Jerónimo de Sousa chegarem-se à frente para deixar um recado - em forma de sugestão - a Costa: o de que o PS governe sozinho. Que o vá fazendo, passo a passo, porque é "em função das opções do PS que a CDU determinará, como sempre, o seu posicionamento". Mais uma pedra sobre a Geringonça que conhecemos nos últimos quatro anos: "Não haverá repetição da cena do papel."

Santana Lopes, que ainda acalentou esperanças de eleger um deputado, acabou por reconhecer que na política "não há justiça ou injustiça, há votos". E seguiu caminho.

Ora, se a CDU já tinha dado o primeiro sinal, coube ao BE confirmar que a Geringonça já era, pelo menos tal como existia. Para isso, Catarina Martins veio dar duas opções a Costa e ao PS - ou chega a um acordo que garanta "estabilidade" governativa ou negoceia "ano a ano". Os bloquistas estão disponíveis, mas deixaram um aviso: há pontos de que não abrem mão. Mas a vontade de cooperar está lá.

Por esta altura, o PAN já tinha razões para celebrar: o segundo deputado - neste caso, uma deputada - estava garantido. Quem deve ter ficado a lamentar a opção nestas Legislativas foi a CDU e Heloísa Apolónia: depois de 24 anos de Parlamento, a dirigente de "Os Verdes" falhava a eleição pelo círculo eleitoral de Leiria.

A noite foi fértil em novidades partidárias. A Iniciativa Liberal concorreu pela primeira vez a eleições. Ainda a noite era uma criança e já tinha garantido um deputado: foi pelo círculo eleitoral de Lisboa que João Cotrim de Figueiredo garantiu a estreia na Assembleia da República. Carlos Guimarães Pinto, o líder do partido, já começou a polir as armas: vem aí a "verdadeira oposição ao socialismo".

Voltemos ao Marriott, de onde vinham sinais de que algo teria corrido mal. Nada temam, Rui Rio assumiu o púlpito para garantir a todos que "não há desastre nenhum!"

Mas porque a destruição estava mesmo destinada a acontecer, o líder do PSD começou a disparar. Contra as televisões e as sondagens. Contra os comentadores com "interesses" e "agenda". Contra os "online". Até contra a festa socialista, que foi exagerada porque "a vitória [do PS] não foi assim tão grande".

Feitas as contas - pelo menos as de Rio - esta não foi "a grande derrota que muitos previam e que alguns desejavam". Foi só uma derrota. "Mas o primeiro responsável, para o bem e para o mal, sou eu", acabou por reconhecer.

Enquanto Rui Rio procurava saber o que fazer a seguir (além de assumir o lugar como deputado), Costa anunciava as suas intenções. Algures aqui no meio, o PAN elegeu mais uma deputada. E conseguiu oito votos em Barrancos , a terra dos touros de morte.

O secretário-geral do PS começou a falar e disse o suficiente para que se percebesse a sua intenção: "Os portugueses gostaram da Geringonça e desejam a continuidade da atual solução política, agora com um PS mais forte."

O mote estava dado: um acordo que garanta estabilidade, com o PS a liderar e em que "cada um assumirá as suas responsabilidades". Certo é que, exista Geringonça 2.0 ou não, o PS não conta "com o Chega para nada". No fundo, está de braços abertos para a esquerda.

Porquê o Chega? Porque, por esta altura, André Ventura já tinha garantido entrada no Parlamento, ainda que tenha esperado até ao final da noite para ter a certeza disso. E encarou-o com toda a calma e serenidade, prometendo que, daqui a oito anos, o Chega vai ser o maior partido português. Suave.

O photo finish destas eleições não foi só do Chega. O Livre precisou de esperar até que fossem apurados os resultados da última freguesia para saber que, com 1,09% dos votos, elegia Joacine Katar Moreira.

O PAN fechou os discursos da noite. André Silva esperou pela eleição do quarto - sim, o PAN elegeu quatro - deputado para vir a público festejar uma "grande vitória". A verdade é que quadruplicou o número de deputados - teve apenas um no Parlamento nestes últimos quatro anos - e tornou-se num parceiro de Governo a ter em conta por Costa.

Feitas as contas, o PS - vencedor da noite - elege 106 deputados, seguido pelos 77 do "não-muito-derrotado" PSD. O BE e a CDU elegem 19 e 12 deputados, respetivamente, com o CDS a eleger cinco. O PAN sobe de um para quatro deputados e o Parlamento assiste à estreia de três partidos com um deputado: a Iniciativa Liberal, o Chega e o Livre.

Agora, como é que isto tudo se organiza? A TSF fez as contas. Agora que o cérebro já está a carburar, prometemos que vão ser fáceis de entender.

E temos a banda sonora certa para acompanhar esse exercício:

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