"Queremos o eleitorado do Chega. O PSD vai lutar por esses votos"
Hugo Soares

"Queremos o eleitorado do Chega. O PSD vai lutar por esses votos"

Hugo Soares foi líder da JSD e da bancada parlamentar do PSD, ao tempo da liderança de Pedro Passos Coelho. Depois da travessia do deserto que lhe impôs Rui Rio, regressa à ribalta como secretário-geral de Luís Montenegro.

O PSD tem um novo líder, que o escolheu como número dois. Depois de piscar o olho ao centro-esquerda - sem sucesso, como se viu nas últimas eleições -, o PSD de Luís Montenegro e de Hugo Soares vira de novo à Direita?

O PSD de Luís Montenegro é o PSD de Luís Montenegro, da sua direção nacional e de todos os militantes. Não é um PSD, nem de um grupo de amigos, nem de uma direção nacional. Queremos fazer renascer a velha alma do PPD/PSD, que conta com todos os militantes, mas que quer também, e sobretudo, atrair o melhor talento nas várias áreas de atividade, nas várias gerações, nas comunidades, na sociedade civil. Relativamente à questão do posicionamento ideológico, creio que é uma questão absolutamente estéril.

Nos últimos anos foi-se percebendo uma certa duplicidade do PSD. Ora a oscilar mais para o centro, centro-esquerda, ora a oscilar mais para a Direita. Fica-se com a sensação que há dois PSD. E que a inclinação depende apenas do momento.

Mas não há. No PSD cabemos todos. Cabem todos os que querem ser alternativa ao socialismo. O grande movimento ideológico dentro do PSD é a pessoa. As nossas políticas são dirigidas para as pessoas. Se me pergunta se o PSD vai fazer uma viragem à direita, ou ao centro-direita, a resposta é que o PSD está virado para as pessoas e para os seus problemas concretos.

Este não é um regresso à geografia política em que Pedro Passos Coelho já tinha colocado o PSD?

Pedro Passos Coelho foi um líder absolutamente carismático e um dos melhores primeiros-ministros da democracia. Governou à medida das necessidades das pessoas, ocupando o centro político, com políticas de centro-direita, se é isso que quer que eu diga de forma clara, mas também com um cariz social. O PSD chama-se Partido Social Democrata e não é por acaso. O PSD é um partido liberalizador da sociedade, porque nós somos ainda um país muito estatizado. Não somos liberais, mas somos liberalizadores. Mas, ao mesmo tempo, temos uma componente social muito forte. Nós somos daqueles que achamos que ninguém pode ficar para trás, ao contrário dos governos do PS, que normalmente privilegiam os interesses instalados.

Podemos assumir que, depois do congresso da reconciliação, o "passismo" voltou a ser determinante no PSD?

O "passismo" foi sempre determinante no PSD, como foi o "cavaquismo", como foram outros líderes marcantes. Luís Montenegro tem na sua equipa, como vice-presidentes, Paulo Rangel, Miguel Pinto Luz, Leitão Amaro, Margarida Balseiro Lopes, Inês Ramalho e Paulo Cunha. Creio que nenhum deles foi dirigente nacional com Pedro Passos Coelho. Dizer-se que é um regresso tout-court do "passimo" é querer dar uma conotação a esta direção política. Mas devo acrescentar que ter sido dirigente, deputado e líder parlamentar ao tempo da liderança de Pedro Passos Coelho me deixa muito orgulhoso. Não tenho problema em assumir esse legado.

Também no congresso fez questão de destacar o "orgulho" e a "gratidão" com que os militantes do PSD, por um lado, e os portugueses, por outro, deviam avaliar o trabalho de Passos Coelho. Esse orgulho e gratidão devem incluir as duríssimas medidas de austeridade que foram aplicadas pelo Governo de Passos Coelho, ou seja, o brutal aumento de impostos e o corte de salários e pensões?

Esse brutal aumento de impostos não foi tão grande como os dos últimos anos do Governo PS. A maior carga fiscal de que há memória é a atual. Mas nós assumimos as coisas boas e as coisas más. Alguém considera que um primeiro-ministro tem prazer ou gosto de governar em austeridade? O que se fez entre 2011 e 2015 - e que o povo português tributou com uma vitória nas urnas, em 2015, é bom não esquecer - foi um Governo de salvação nacional. Em 2011, estávamos a um ou dois meses de não ter dinheiro para pagar aos pensionistas e aos funcionários públicos. O que não é politicamente aceitável é o que o PS está a fazer, aplicando aos portugueses a maior carga fiscal de sempre. Os cidadãos, as empresas, as instituições estão hoje afogados em impostos. É um garrote ao crescimento económico.

O PSD também deu o seu contributo para o aumento da carga fiscal no tempo em que esteve no Governo.

O PSD deu o seu contributo libertando o país da troika. Fazendo reformas estruturais cruciais para preparar o país para um crescimento sustentado, com contas certas, dívida controlada, com as empresas a puderem crescer. Já é a segunda vez que me fala de aumentos brutais de impostos no tempo de Pedro Passos Coelho.

Foi a expressão usada pelo ministro da Finanças da altura.

É verdade que teve que se subir os impostos. Mas nós falávamos a verdade às pessoas. E também convém lembrar que foi o Governo de Passos Coelho que fez a reforma do IRC, para baixar progressivamente os impostos sobre as empresas. Um acordo que António Costa rasgou quando chegou ao Governo. Rasgou esse compromisso e começou a aumentar também os impostos sobre as empresas.

Se dependesse de si, Pedro Passos Coelho seria o candidato do PSD à presidência da República em 2026?

Mas não depende. Não lhe vou responder a essa pergunta da forma que quer, por uma razão: a candidatura a presidente da República emana da vontade pessoal de cada um. Como não sei o que é que o dr. Passos Coelho pensa sobre essa matéria, não vale a pena estarmos a especular.

A estratégia eleitoral do PSD não ficou clara no congresso. Vai criar uma plataforma eleitoral à Direita?

É extemporâneo falar de coligações eleitorais.

São dois anos até eleições europeias.

São dois anos. Eu nunca vi uma coligação eleitoral ser anunciada tão cedo. Seria até um pouco absurdo explicar a estratégia eleitoral nesta altura. Dois anos em política é uma eternidade.

Luís Montenegro foi claro no congresso ao rejeitar as políticas xenófobas e racistas. Absolutamente claro...

... era o que faltava que não fosse...

Mas não foi claro sobre a eventualidade de o PSD vencer umas eleições legislativas e, precisando de um partido menos moderado, como o Chega, se faria ou não uma coligação. Uma coisa é rejeitar políticas xenófobas e racistas, outra é rejeitar, claramente, um partido que está bem à Direita do PSD.

Isso merece que percamos algum tempo. O PSD é um partido fundador da democracia, com princípios bem sedimentados. E no PSD não cabe, de facto, nem a xenofobia, nem o racismo, nem a intolerância.

Cabe este Chega atual?

Não cabe, de todo. Se o Chega defender políticas xenófobas, racistas e tiques autoritários, é evidente que, tanto não cabe no PSD, que não está no PSD. É um partido à parte. Mas nós queremos o eleitorado do Chega. Há muita gente neste país que votou no Chega em protesto. Não encontraram uma alternativa ao socialismo, acharam que o PSD não estava preparado para governar e preferiram dispersar o voto um bocadinho mais à direita. Porque concordam com algumas coisas que o Chega defende. O PSD vai lutar por esses votos.

A questão não é essa.

Mas é importante, sabe porquê? Porque se o PSD tiver esses votos, a equação que coloca já não tem importância. O PSD tem de ser um partido transformador da sociedade portuguesa e é por isso que tem que ter uma maioria absoluta. Mas deixe-me dizer-lhe, já agora, que quem mais tem feito pela subida dos extremos em Portugal é António Costa. À esquerda, quando chamou para o arco da governação partidos que, além de serem antieuropeístas, são pró-Rússia, como o PCP. E agora veja a forma como o PS lida com o Chega. É muito curioso. A política também é feita de imagens, e no debate da moção de censura [do Chega], António Costa ria-se com simpatia para André Ventura. Porquê? Porque sabe que ao transformar o Chega num partido de protesto, ao transformar o Chega no adversário para as picardias do debate parlamentar, está a fazer crescer o Chega. É isso que ele quer. É a estratégia de Macron, em França: eliminar os partidos moderados, do centro-esquerda e do centro-direita e fazer crescer os partidos dos extremos para poder ser sempre o mesmo a governar. O que António Costa está a fazer pode ser útil, do ponto de vista partidário, para o PS, mas para a democracia é um perigo.

O PSD considera o Chega um partido racista e xenófobo?

Se o Chega tiver propostas racistas e xenófobas, essas propostas são racistas e xenófobas. Mas sabe que os partidos racistas e xenófobos são proibidos em Portugal. E o Tribunal Constitucional admitiu o Chega. Não foi o PSD.

Isso significa que um entendimento com o Chega é plausível?

Eu não vou dizer nem que é plausível, nem que é impossível. O que eu quero, o que o PSD quer, e eu estou certo que é o que está na cabeça de Luís Montenegro, é lutar por uma maioria absoluta em Portugal.

É preciso recuar vinte anos, ao tempo de Durão Barroso, para encontrar um PSD capaz de chegar à fasquia dos 40%.

Quanto maior o desafio, maior a responsabilidade. É o nosso objetivo. Tendo em conta a conjuntura internacional, tendo em conta a degradação dos partidos à Esquerda em toda a Europa, tendo em conta aquilo que está a acontecer em Portugal - o caos nos serviços públicos, carga fiscal máxima, famílias e instituições asfixiadas - o PSD tem que ser a alternativa para trazer desenvolvimento ao país.

Montenegro também aproveitou o congresso para rejeitar o neoliberalismo.

É verdade.

Isso quer dizer que a Iniciativa Liberal também precisa de se moderar para ser considerado como um futuro parceiro de Governo do PSD?

Nós aceitamos o contributo de todos os partidos, do PS, da Iniciativa Liberal, desde que eles respeitem os princípios fundamentais da democracia e do PSD. Mas, já agora, vamos pôr a questão ao contrário. Uma questão pertinente e nunca ninguém fez a António Costa...

Sabe que agora estamos a entrevista-lo a si...

Eu sei. Mas deixe-me dizer: já colocam em cima da mesa a hipótese de o PSD ser o próximo partido do Governo. O que é bom. Resulta do élan com que saímos do congresso. Mas nesse cenário era bom que começassem a perguntar a António Costa, se o PSD ganhar as próximas eleições legislativas, sem maioria absoluta, se está disponível para aprovar o Governo do PSD no Parlamento? Ou se fará como em 2015 e voltará a juntar a Esquerda, para governar sem ter ganho eleições?

Luís Montenegro e esta direção do PSD têm dois anos para se afirmar. Depois vem o primeiro teste, as eleições para o Parlamento Europeu. O Hugo Soares já disse que está em curso uma renovação geracional no PSD. Essa renovação geracional vai sentir-se já em 2024? Paulo Rangel tem condições para continuar a ser o cabeça de lista do PSD nas europeias?

O primeiro vice-presidente do PSD, Paulo Rangel, é um grande deputado europeu e tem sido fundamental para a defesa dos interesses nacionais no Parlamento Europeu. Eu sei que fazem o vosso trabalho ao colocarem-me esse tipo de questões, mas nem a Comissão Política Permanente, nem a Comissão Política Nacional se debruçaram sobre a constituição das listas para o Parlamento Europeu. Seria deselegante dar-lhe aqui a minha opinião. O que eu posso dizer, e faço questão de sublinhar, é que o Paulo Rangel é um ativo da nossa sociedade e do PSD.

Um ativo que, em 2019, só conseguiu 22% para o PSD, provavelmente o pior resultado de sempre do partido numas eleições com alcance nacional.

É verdade. Foi o cabeça de lista nessas eleições, quando Rui Rio era presidente do partido e na sequência daquele desastre político que foi a gestão do dossiê dos professores, na Assembleia da República, que criou uma onda contrária ao PSD.

Se o PSD voltar a falhar em 2024, voltarão a fazer-se ouvir as vozes da oposição interna. Poderá surgir Carlos Moedas como uma eventual hipótese de liderança para o PSD? Recordo aliás uma afirmação dúbia de Carlos Moedas, há poucos dias, dizendo que não sabia se seria candidato à Câmara de Lisboa, em 2025. Quase parece que está à espera de ver o que é que acontece em 2024.

Uma excelente pergunta para colocar, não a mim, mas a Carlos Moedas. É um grande presidente de Câmara com uma missão bastante complicada, por força do PS ainda não se ter habituado à ideia de ter perdido as eleições. Ele tem que melhorar a vida dos lisboetas e, ao mesmo tempo, preparar-se para renovar o mandato. Estou convencido que assim será, em 2025.

Quando faltam mais de quatro anos para as eleições legislativas, e quando não existe ainda um verdadeiro programa político para apresentar aos portugueses, não é ousado apontar para uma maioria absoluta do PSD em 2026?

Não. Essa tem de ser a ambição do PSD. E, por outro lado, para que haja um processo transformador da sociedade, é preciso um Governo forte. E nós sabemos o que fazer com uma maioria absoluta, ao contrário do PS. Desde que conseguiu a maioria absoluta, António Costa tem desgovernado o país. Porquê? Porque não tem um projeto transformador da sociedade.

se dizia isso antes das eleições e os portugueses não concordaram com o diagnóstico do PSD. Não estarão os novos dirigentes do PSD a confundir os seus desejos com a realidade?

Eu não estou a dizer que é um desejo. Estou a dizer que é uma ambição.

Argumentam que o Governo está muito gasto, mas o próprio presidente da República disse, esta semana, que é difícil governar, tendo em conta o contexto internacional.

Foi a guerra na Ucrânia que motivou o despacho - e o "indespachado" ministro Pedro Nuno Santos - na questão do aeroporto? Foi a conjuntura internacional que gerou o caos nos hospitais e que provocou a desconfiança dos portugueses no Ministério da Saúde? Deixe-me ser claro, aliás como foi Luís Montenegro no congresso: não foi por culpa dos portugueses que o PSD não ganhou as últimas eleições! Não ganhou porque não soube denunciar os erros de gestão do PS e, sobretudo, porque não conseguiu criar na população a perceção de que o seu projeto político era melhor do que o do PS. Os portugueses quando votam, não se enganam! Fazem escolhas. Eu respeito a decisão dos portugueses. Mas a arte e o engenho, a competência política estão agora nas nossas mãos. E nós somos ambiciosos. Só por isso é que eu coloquei a meta de vencer com maioria absoluta as eleições legislativas de 2026.

O PSD afirma-se como um partido reformista. Mas Luís Montenegro não considera oportuno realizar o referendo sobre a regionalização em 2024. Não é estranho que um partido reformista invoque outras prioridades, como se faz sempre neste país, para adiar reformas estruturais?

Nós não gostamos de ludibriar as pessoas, queremos falar verdade às pessoas. O que o Luís Montenegro disse é que não via condições de fazer um referendo à regionalização em 2024.

Mas porquê?

Eu explico-lhe porquê, mesmo na defesa, até, daqueles que são regionalistas.

O Hugo Soares é regionalista, ou não?

Ainda não tivemos essa discussão.

Estou-lhe a perguntar a si.

Eu sei. Só que, como perceberá, quando essa questão se colocar dentro do PSD, eu transmitirei, primeiro, aos órgãos próprios, porque hoje a minha tem um peso que não tinha há três semanas, quando eu não era dirigente nacional do partido. Respeito todas as vozes no PSD, sejam a favor ou contra a regionalização. No PSD não há delito de opinião. Mas deixe-me explicar porque é uma ilusão pensar num referendo à regionalização em 2024. Em primeiro lugar, estamos num processo de descentralização, que António Costa anunciou, como se recordam, como a grande reforma de que o Estado precisava. Sabem que este processo de descentralização está a ser um fracasso completo. Estamos há anos nisto.

Mas do que se trata é de um referendo. Aliás, quem fará o processo de regionalização será o Governo seguinte.

Mas vamos colocar as pessoas a votar um referendo à regionalização sem se aprofundar e terminar o processo de descentralização e, dessa forma, ofuscando a incompetência do Governo? Sem discutirmos de que mapa é que estamos a falar? Já alguém disse sobre que mapa os portugueses se vão pronunciar? Que competências é que vão ser transferidas para as regiões? Que lei de financiamento?

Faltam dois anos. Não é suficiente para discutir todas essas questões?

Se um Governo não conseguiu fazer a descentralização em três anos, acreditam que possam fazer a regionalização? Mas, para além disso, nós vivemos hoje - e aí sim, o presidente da República tem razão - uma instabilidade geopolítica brutal. A Europa está em guerra. Mas o PS tem maioria absoluta na Assembleia da República. Pode apresentar a sua proposta. Só que o PS não quer ficar com o ónus de dizer aquilo que nós dissemos. Está a querer empurrar esse ónus para o PSD. Mas eu prefiro que os portugueses saibam que, com o PSD, contam com a verdade, em vez dos malabarismos de António Costa. Não há condições políticas para se preparar um referendo, sério, sobre a regionalização, em 2024. Mesmo para quem é regionalista. Não sabemos quando é que essa guerra vai acabar e, aparentemente, será mais tarde do que cedo. Sabemos que vem aí, e não vale a pena escamoteá-la, uma crise inflacionária que resulta em dificuldades na vida concreta das pessoas, seja no acesso aos bens essenciais, seja no acesso à habitação, no pagamento das prestações mensais dos créditos à habitação. E nós vamos agora, os políticos, criar uma espécie de cortina de fumo sobre os problemas que o país tem de enfrentar para fingir que vamos discutir a regionalização?

Não teme que haja uma espécie de "levantamento de rancho" dos autarcas que são favoráveis à regionalização?

Não. Não temo nada. No PSD não há delito de opinião. E ainda bem que nós temos muitos e bons autarcas que defendem um modelo de regionalização. Mas eles sabem, e os do PS também, que o processo de descentralização é um logro. É um fracasso. E o Governo tem que pagar politicamente por isso. E diria também que tem que pagar financeiramente pelas competências que transferir para as câmaras. Não vamos entregar essa discussão de forma fácil para que o PS possa ludibriar mais uma vez os portugueses com o foguetório à volta da regionalização, quando não consegue fazer a descentralização.

Concorda com a ideia de alguns dos autarcas do PSD de abandonar a Associação Nacional de Municípios Portugueses por causa do falhanço da descentralização?

Respeito a autonomia dos autarcas do PSD. Não há nenhum que tenha manifestado essa intenção imediata, mas percebo o desconforto com a atuação da Associação Nacional de Municípios. Se me perguntar a minha opinião, creio que os autarcas do PSD devem, dentro da ANMP, lutar para que esse processo chegue a bom termo.

Ainda durante o processo eleitoral interno, Rui Rio relançou a discussão sobre os projetos de revisão constitucional e de alteração da lei eleitoral. Luís Montenegro estranhou o timing e o processo congelou. Mas agora que a discussão interna está terminada, há condições para avançar com algum destes processos?

Acho que há uma oportunidade de a nova liderança do PSD os puder discutir, conhecer e aprofundar.

Mas o país precisa de uma revisão constitucional?

Quando fui presidente da JSD, foi um dos temas que coloquei na minha agenda política: a reforma do sistema político e a revisão da Constituição da República Portuguesa. Creio que são temas estruturais, que porventura poderão dizer menos às pessoas, mas que merecem uma discussão profunda, para que possamos ter uma democracia mais consolidada. Do ponto de vista das leis eleitorais, que se aprofunde a ligação entre eleitos e eleitores.

Portanto, defende que as leis eleitorais devem ser alteradas?

Creio que há espaço para que se possa revisitar, com serenidade, as leis eleitorais. Agora, não se faz isso a "mata cavalos". Merece reflexão, como eu dizia, mas não é uma prioridade para os portugueses. A seu tempo, o PSD também se debruçará sobre isso.

Faz sentido, por exemplo, optar por círculos uninominais? E criar, por exemplo, um círculo de compensação nacional que garanta a proporcionalidade?

Esse é um mecanismo que ajuda a corrigir algumas falhas dos círculos uninominais. Mas tudo isso tem que ser discutido, aprofundado, estudado, dentro do PSD, ouvindo os nossos militantes. Temos que fazer esse caminho. Ouvir também as nossas estruturas. Falar com os nossos dirigentes. Perceber o timing político para cada uma dessas opções e tomar as nossas decisões.

O PSD está em pausa no que diz respeito a reformar alguma coisa no país, nesta altura?

Se o PS quiser que o PSD vá governar, não tenha dúvidas que o PSD governa e reforma como sempre fez. Agora, eu acho curioso que, perante um Governo que nada transforma, nada moderniza, nada reforma, a pergunta, ou a afirmação, seja que o PSD está em pausa. Não. O PSD não está em pausa. O PSD iniciou agora um ciclo a todo o vapor para reganhar a confiança dos portugueses e ter um projeto alternativo para Portugal.

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