Reconquistar Lisboa? "Esquerda terá muitas dificuldades se não for junta a eleições"

Na opinião de Rui Tavares, se outros partidos também tivessem integrado a coligação, "a esquerda não teria perdido a capital do país para a direita".

Rui Tavares apela à "convergência da esquerda" para reconquistar a câmara de Lisboa ao PSD, depois de em setembro, PCP e Bloco de Esquerda (BE) terem concorrido sozinhos à capital. Apesar das críticas internas sobre o apoio do Livre a Fernando Medina, Rui Tavares explica na TSF que "o sinal de convergência", permitiu ao partido "aguentar o embate do voto útil" nas legislativas.

Este fim de semana, o Livre reúne-se em congresso, e pela primeira vez há duas listas concorrentes à direção. A número um da lista concorrente ao grupo de contacto, Patrícia Robalo, criticou em entrevista ao jornal Público a coligação com o PS em Lisboa.

OUÇA TODAS AS EMISSÕES DO BLOCO CENTRAL

No programa Bloco Central, Rui Tavares explica que a coligação com os socialistas foi votada pelo partido: "Há uma decisão do Livre de se apresentar em coligação nas eleições autárquicas, que é o que faz sentido com a lei eleitoral que temos".

Rui Tavares admite que se outros partidos também tivessem integrado a coligação, "a esquerda não teria perdido a capital do país para a direita", apelando à reconquista da maior autarquia do país.

"Que fique muito claro, a esquerda terá muitíssimas dificuldades em reconquistar Lisboa nas próximas eleições autárquicas, se não começar a pensar em ir junta a eleições. Seria de alguma ingenuidade o Livre colocar-se de fora, quando a restante esquerda se pusesse dentro.

Rui Tavares defende que se a direita continuar no poder em Lisboa, "teremos uma cidade neoliberal, com uma guerra cultural entre carros e bicicletas, e a deixar o mercado dominar o imobiliário".

O deputado eleito pelo Livre afirma ainda que "o sinal de convergência" nas autárquicas, permitiu ao partido "aguentar o embate do voto útil [no PS] que nem PCP e BE aguentaram".

"Imaginem que os órgãos do partido não teriam feito uma escolha de convergência. Como é que conseguiríamos dizer em janeiro, como fizemos com sucesso junto do eleitorado: "Votem no Livre, não precisam de dar uma maioria absoluta ao PS, porque o partido é responsável e de convergência?"", questiona.

O historiador admite que "ser coerente compensa sempre" e explica que a decisão em Lisboa não teve que ver com eleições futuras, "mas deixou o partido com um vereador na capital, ao contrário de Iniciativa Liberal e Chega" e com um deputado eleito pelo círculo eleitoral de Lisboa.

"Muita gente ainda não reparou nisto, mas freguesia a freguesia, existe uma paridade entre BE, PCP e Livre na capital", disse, lembrando que o partido que representa tem apenas oito anos, ao contrário da restante esquerda.

Com uma maioria absoluta do PS, Rui Tavares não antevê que o papel do Livre fique limitado e não descarta "sair para fora do Parlamento, se a Assembleia for menorizada pelas dinâmicas de uma maioria absoluta". Ou seja, pressionar o Governo nas ruas do país, em manifestações, como já prometeram outros partidos de esquerda.

"As pessoas reconhecem o livre com essa capacidade de convergência, à qual agora temos de juntar outro aspeto: a abrangência, convergindo com a sociedade civil", acrescenta.

Rui Tavares admite que tanto pode votar a favor como contra os projetos dos socialistas, e recorda o chumbo do Orçamento do Estado, "com partidos obcecados com o PS e que anunciam enormes linhas vermelhas", o que deitou por terra as negociações. "O BE justificou-se de 20 maneiras diferentes sobre o chumbo do Orçamento, e em nenhuma delas conseguiu convencer o eleitorado. Mas nos últimos dias de campanha dizia que na segunda-feira queria reunir com o PS", critica.

Já o Livre, acrescenta Rui Tavares, "trata os partidos do progressismo e da ecologia da mesma maneira: temos diferenças com todos, mas falamos com todos".

O Livre reúne-se em congresso, em Coimbra, a 5 e 6 de março, para eleger os novos órgãos do partido. Pela primeira vez, o Livre conta com duas listas candidatas, justificadas pela coligação com o PS em Lisboa, nas eleições legislativas.

Ouça o Bloco Central, com Rui Tavares, às 19h00

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de