Reeleição de Marcelo foi a "demonstração do repúdio dos extremismos"

Ferro Rodrigues alerta que a democracia está sob ataque, com o ressurgimento de movimentos da extrema-direita.

O presidente da Assembleia da República sustentou esta terça-feira que a reeleição de Marcelo Rebelo de Sousa como chefe de Estado foi a "demonstração do repúdio do extremismo"

Esta posição foi assumida por Ferro Rodrigues na parte final do discurso que proferiu na sessão solene de tomada de posse do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, no parlamento.

"Afirmou ainda vossa excelência na noite de 24 de janeiro que a sua eleição é a demonstração de repúdio do extremismo por parte dos portugueses. Estou certo de que assim é, sendo este um assunto que a todos deve preocupar e que exige ação e resposta determinadas", afirmou o presidente da Assembleia da República.

Na sua intervenção, Ferro Rodrigues advertiu que várias organizações internacionais avisam que "a democracia está sob ataque e que a liberdade no mundo se encontra em declínio há 15 anos consecutivos, sendo que menos de um quinto da população mundial vive em países totalmente livres".

"Nesse período, assistimos ao ressurgimento de movimentos e de ideais de extrema-direita, com substanciais ganhos mesmo em Estados-membros da União Europeia de sólidas tradições democráticas", apontou.

Na perspetiva do antigo líder do PS, as raízes deste fenómeno "têm terreno interno fértil na polarização política; nos populismos vários; nas desigualdades que fragilizam a coesão social; nas situações de corrupção, que há que combater com determinação e eficácia; nos ataques ao Estado de Direito; na xenofobia e no racismo que negam a igualdade, diversidade e unidade na dignidade, intrínsecas a cada ser humano".

"A promoção do autoritarismo e da reivindicação da sua pretensa melhor capacidade de resposta aos problemas atuais, recorrendo à manipulação e à desinformação, potenciadas pelas novas tecnologias e pelo seu imediatismo. Surgindo por vezes sob a capa de nacional-populismo ou de movimentos inorgânicos, o radicalismo e o extremismo são, inquestionavelmente, perigos para a democracia, com as dicotomias antissistema, repletas de respostas falaciosas e impraticáveis, sem adesão à realidade e com difícil relação com a verdade e os factos", referiu.

Para Ferro Rodrigues, perante este panorama, não se pode "afrouxar os cuidados perante sinais deste perigo".

"Pelo contrário, devemos redobrar os esforços na procura de soluções para os problemas e os anseios da população no sentido de o anular. Como políticos, e como cidadãos que somos, não podemos deixar que aquilo que chega a parecer uma tendência suicidária de algumas democracias nos afete", salientou o presidente da Assembleia da República.

Ferro Rodrigues referiu, ainda que, durante o segundo mandato de Marcelo Rebelo de Sousa como Presidente da República, que hoje se inicia, "o regime fundado em 25 de Abril ultrapassará, em longevidade, o regime salazarista e celebrará o seu 50.º aniversário".

"Apraz-me, por isso, que, nessas datas marcantes, Portugal tenha na Presidência da República um defensor acérrimo da democracia e dos seus princípios, que respeita o pluralismo e a diferença, e que nunca desiste da justiça social. Um Presidente que foi, que é, um Constituinte, há que recordar", destacou.

Dirigindo-se ao chefe de Estado, Ferro Rodrigues declarou: "Estou certo de que o novo mandato de vossa excelência se pautará, como no que acaba de terminar, pelo mais estrito e imparcial respeito pelos valores e princípios constitucionais, e que manterá com a Assembleia da República as mais cordiais relações institucionais, em total deferência pelo princípio da separação dos poderes e da interdependência, e tendo sempre presente que é aqui, no parlamento, que se encontra representada a sociedade portuguesa, na sua diversidade e pluralidade", acrescentou.

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