Rio acusa Costa de adotar "política de austeridade" e de falhar promessas eleitorais

O líder do PSD considera que se António Costa "não vai adaptar os salários àquilo que é o nível de inflação, quer dizer que os salários vão perder poder de compra e quando os salários perdem poder de compra, estamos na situação que vulgarmente se diz de austeridade".

Rui Rio acusou, este domingo, o primeiro-ministro, António Costa, de trazer a austeridade para o país e de falhar às promessas eleitorais que fez.

"O que o doutor António Costa veio dizer no debate do programa do governo foi, muito simplesmente, que vai adotar uma política de austeridade. É mesmo esta a palavra. Austeridade. Foi o primeiro a dizer que não vai adaptar os salários àquilo que é o nível de inflação. Se não vai adaptar os salários àquilo que é o nível de inflação, quer dizer que os salários vão perder poder de compra e quando os salários perdem poder de compra, em que situação é que nós estamos? Estamos justamente na situação que vulgarmente se diz de austeridade ou de apertar o cinto, ou seja, do que for", disse o líder do PSD no encerramento do congresso da Juventude Social-Democrata, em Almada, tendo em conta o debate do programa de governo.

Rio instou também os jovens sociais-democratas a contestarem mais o "excesso de endividamento" do país e a combaterem o que classificou como "cultura antirreformista" do PS. "Quem vai pagar esse endividamento são vocês."

O líder do PSD incentivou ainda os jovens a empenharem-se na luta contra o aquecimento global e pediu uma reflexão sobre os resultados eleitorais nas eleições legislativas e para que se mantenham fiéis à ideologia do partido: "O PSD é social-democrata, deve continuar a ser social-democrata. A diferença do PSD para a [Iniciativa Liberal] é muito grande e estamos muito longe do Chega também."

Rui Rio reiterou que Portugal vive "uma democracia do ponto de vista formal", mas cuja qualidade é hoje inferior ao que era há 30 anos.

"A solução é termos coragem de fazer as reformas estruturais que temos de fazer... Se isto não for feito, os principais prejudicados serão vocês", defendeu, alegando que o regime se mantém quase imutável há 40 anos.

De acordo com Rui Rio, o desenvolvimento de Portugal está condicionado pelas consequências da guerra na Ucrânia e por mais quatro anos de governação socialista. "Esta política do PS é uma política adversa à juventude, porque não fomenta o crescimento", disse.

No primeiro dia de debate do programa do Governo, o presidente do PSD questionou o primeiro-ministro se vai atualizar os salários de acordo com a inflação, com o primeiro-ministro a remeter para uma "avaliação ao longo do ano" com os parceiros sociais.

Rio recordou que o PSD defendeu a subida do Salário Mínimo Nacional (SMN) de acordo com a inflação e a produtividade, mas alertou que o Governo fixou, no seu programa, um valor para de 900 euros em 2026 para o SMN.

"Rendeu votos seguramente, porque parece muito dinheiro, mas a inflação em Portugal já passou 5% em Portugal e 7% na zona euro", avisou, questionando se o executivo vai ou não atualizar este valor se necessário.

"Se não ajustar, tiramos uma conclusão óbvia: enganou as pessoas. Independentemente de alguns até gostarem de ser enganados", concluiu.

Na mesma linha, Rio quis saber se o Governo prevê atualizar os aumentos previstos de 0,9% para a função pública, alertando que se o Governo levar em conta a inflação e a produtividade inscritas no Programa de Estabilidade terá de haver aumentos de "10,7% só no próximo ano".

Na resposta, o primeiro-ministro disse ser necessário "compreender bem a natureza deste período inflacionista".

"É uma inflação importada que tendencialmente tem uma natureza conjuntural e causas bem precisas. A melhor forma de proteger o poder de compra das famílias é atacar os problemas pela raiz", afirmou, dizendo que é isso que o Governo está a fazer com medidas em áreas como a energia, rações de animais ou fertilizantes.

"Como é que devemos ajustar a política de rendimentos? É algo que temos de ir acompanhando e negociando com os parceiros sociais ao longo deste ano", perguntou e respondeu António Costa.

O primeiro-ministro recordou a condição de economista de Rui Rio para salientar que o risco a evitar "é a contaminação ao conjunto da economia por via da ilusão do aumento salarial deste aumento inflacionista".

"Se se confirmar a natureza iminente conjuntural desta tensão inflacionista, como afirmam várias instituições internacionais, temos de olhar para a política de rendimentos do próximo ano não à luz da tensão ocasional deste ano, mas à luz do que tem de ser o poder de compra que, sustentadamente, temos de garantir às famílias portuguesas, evitando qualquer espiral de inflação", defendeu António Costa.

* com Lusa

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