Rio dá "o braço a torcer": continua a defender reformas, mas "o país não quer"

Numa sessão com legisladores dos Estados Unidos, na Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento, o líder do PSD argumentou que, para o país evoluir, têm de ser feitos acordos com o PS.

O presidente do PSD afirmou esta terça-feira que consigo "não foi possível" fazer as reformas que sempre defendeu serem necessárias para Portugal, dizendo ter de dar "o braço a torcer" e admitir que "o país não quer".

Numa intervenção com o tema "Portugal hoje" numa iniciativa da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento (FLAD) e a cerca de dois meses de deixar a presidência do PSD, Rui Rio fez um diagnóstico pessimista da situação do país, referindo os mesmos estrangulamentos que já tinha apontado numa outra intervenção nesta organização em maio de 2019.

"Se perguntam ao líder da oposição a minha fotografia do Portugal 'today e tomorrow' [hoje e amanhã] é esta: estrangulamentos de caráter político que convinha resolver para depois eliminar mais facilmente os de caráter económico", apontou.

Se na área económica Rio refere como principal entrave ao desenvolvimento do país o endividamento (sobretudo o do Estado), na parte política considera que "a palavra mágica é a palavra reformas".

"Se não houver reformas e enquanto não as houver, Portugal vai continuar com 1% de imposto para cima ou para baixo, 1% de défice para cima ou para baixo, mas não vai arrancar de modo a caminhar para os padrões de qualidade de vida da média europeia", defendeu.

Rio admitiu que a maioria das reformas "são difíceis, porque vão contra interesses instalados", mas reiterou que "só vale a pena estar na política" com essa vontade e coragem.

"Comigo - digo aqui abertamente - não foi possível, não foi possível, não ganhei as eleições com estas propostas, vem outro fazer. Mas eu não deixo de acreditar no que é preciso para Portugal para que os nossos filhos e netos tenham um futuro melhor", afirmou.

O líder do PSD insistiu no seu entendimento de "acordos partidários alargados", mesmo com maioria absoluta, e apontou algumas áreas em que seriam prioritários, como a política de natalidade, sistema educativo ou a descentralização.

Tal como já tinha defendido no seu discurso do 25 de Abril, Rio considerou que os fenómenos extremistas surgem a partir do descontentamento das pessoas e do seu afastamento em relação à política.

"Se queremos resolver o fenómeno do crescimento de extrema-direita, não os podemos culpar a eles, mas temos de nos culpar a nós, ou resolvemos os problemas e anseios das pessoas ou o descontentamento sobe", disse.

O líder do PSD referiu que, durante os quatro anos em que presidiu ao PSD, uma das preocupações que teve foi "fomentar reformas", mas deixou um desabafo.

"Reformas que eu acho necessárias e que o país não quer, isso tenho de dar o braço a torcer, não quer", afirmou, numa alusão à derrota do PSD nas legislativas de 30 de janeiro, em que o PS conseguiu maioria absoluta.

Rio apontou, por exemplo, as propostas apresentadas pelos PSD de reforma do sistema eleitoral e de revisão da Constituição - e que serão discutidas numa reunião da bancada na quarta-feira, já com alguma contestação interna -, de reforma da justiça e outra que não conseguiu concluir, e que passava pela revisão dos estatutos do PSD.

Na parte económica, procurou dar uma explicação sobre as razões pelas quais a despesa pública em Portugal "é tão alta e vai crescendo".

"Porque o poder político tende a dar dinheiro às pessoas, tentando comprar a paz dessa forma, tentando iludir as coisas dessa forma", disse.

Como um dos exemplos de tentativa de uma pequena reforma falhada, Rio apontou a rejeição do projeto do PSD para deslocalizar o Tribunal Constitucional para Coimbra, fazendo deste caso um exemplo do que considera ser a situação geral do país.

"Na hora da verdade, nada. É que na hora da verdade tem de haver alguma coisa e o problema é que, em Portugal, na hora da verdade, normalmente, nada", lamentou, no encontro de políticos luso-americanos eleitos para câmaras legislativas dos Estados Unidos da América organizado pela FLAD, em que não prestou declarações à margem aos jornalistas.

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