Rio defende reforma dos regimes democráticos para combater populismos no Congresso do PPE

O ainda presidente do PSD recordou as palavras do Presidente norte-americano Woodrow Wilson antes de o país entrar na Primeira Guerra Mundial.

O presidente do PSD defendeu esta terça-feira a reforma dos regimes democráticos como forma de combater populismos e autoritarismos e voltou a classificar a invasão da Ucrânia pela Rússia como "um ataque ao modo de vida" europeu.

Rui Rio discursou, em alemão, no Congresso do Partido Popular Europeu (PPE), que decorre entre esta terça-feira e quarta-feira em Roterdão (Holanda).

"Sabemos que o regime democrático tem muitos defeitos e muitas limitações, mas ele continua a ser o menos mau de tudo o que, até hoje, se conhece. A sua reforma é por isso da máxima importância, no sentido da sua adaptação aos nossos novos tempos", afirmou, de acordo com o discurso em português disponibilizado à imprensa.

O presidente do PSD recordou que, em vésperas da entrada dos Estados Unidos da América na Primeira Guerra Mundial, o Presidente norte-americano Woodrow Wilson justificou a participação nesse conflito com a necessidade de tornar o "mundo seguro para a democracia".

"Hoje, assistimos nos nossos países e no espaço europeu em geral a uma degradação do Estado de Direito Democrático, ao mesmo tempo que o populismo e o autoritarismo avançam em praticamente todos os Estados-Membros da União Europeia, bem como noutras democracias do mundo. Em paralelo, assistimos também a pressões externas de regimes autoritários, com particular destaque para a Federação Russa", apontou.

"Atualmente, tal como no tempo do presidente Wilson, temos de 'tornar o mundo mais seguro para a democracia'", apelou.

Rui Rio considerou que a reforma dos regimes democráticos tem de traduzir-se "em resultados concretos em termos de justiça social, de modo a impedir que os mais frágeis sejam enganados por propostas políticas de perfil demagógico".

"Quem é pobre não pode ser verdadeiramente livre. Por isso, a nossa principal arma é a promoção de uma classe média maior e mais robusta, em que as suas melhores munições são o progresso e a criação de riqueza com justa distribuição", considerou.

Neste ponto, o presidente do PSD considerou que, se a liberdade de mercado "é a bússola dos Estados mais ricos", ela "tem de ser moderada pela mão visível do Estado", sobretudo em áreas como a Saúde, a Educação ou a Segurança Social.

"No plano externo, a defesa da Democracia joga-se no quadro das Relações Internacionais. As democracias são regimes pacíficos. A sua contínua expansão é, assim, um instrumento crucial para a paz no mundo. Em sentido inverso, o avanço das potências autoritárias é hoje a maior ameaça à segurança e à ordem internacional", apontou.

Por isso, referiu, "a invasão da Ucrânia por parte da Rússia constitui um ataque ao nosso modo de vida, que tanto nos custou alcançar, e de que nunca podemos abdicar".

Rio comparou este conflito à Primeira Guerra Mundial, considerando que tal como em 1914, no centro da Europa "mulheres, homens e crianças inocentes temem pelas suas vidas e pela sua liberdade".

"A causa de tal barbaridade é o imperialismo e o seu total divórcio dos valores e princípios humanistas que, a todos, nos devem unir", defendeu.

Este será o último Congresso do PPE em que Rui Rio participará, uma vez que deixará de ser presidente do PSD no próximo Congresso do partido, no primeiro fim de semana de julho, quando entrará em funções o vencedor das eleições diretas de sábado, Luís Montenegro.

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