Rio quer ver "esclarecido" episódio com acolhimento de refugiados ucranianos em Setúbal

Líder do PSD classifica como "insustentável" hipótese de haver "alguém ligado ao regime russo a questionar ucranianos sobre eles e principalmente sobre as famílias".

O presidente do PSD, Rui Rio, sublinhou esta sexta-feira a necessidade de "ser esclarecido" o que aconteceu com o acolhimento de refugiados ucranianos na câmara municipal de Setúbal, mas ressalva que "não iria ainda para a palavra investigar".

Em declarações recolhidas pela RTP nos corredores da Assembleia da República, Rio disse manter "alguma prudência" sobre o tema "porque vem uma notícia e é logo uma escandaleira à volta de tudo e mais alguma coisa", mas pediu o apuramento do sucedido.

"É evidente que aquilo que ali está obriga a que - não vou dizer se investigue, que é uma palavra brutal - se esclareça bem aquilo que ali aconteceu", adiantou.

Rui Rio defende que "a suspeita que existe tem de ser esclarecida", até porque "se realmente havia ali alguém ligado ao regime russo a questionar ucranianos sobre eles e principalmente sobre as famílias que lá ficaram, isso é insustentável".

No parlamento, o PSD já anunciou que vai pedir a audição parlamentar do presidente da Câmara de Setúbal e da embaixadora da Ucrânia, e solicitar esclarecimentos, por escrito, ao gabinete do primeiro-ministro, que tutela o Alto Comissariado para as Migrações.

Segundo noticiou hoje o jornal Expresso, pelo menos 160 refugiados ucranianos já terão sido recebidos por Igor Khashin, antigo presidente da Casa da Rússia e do Conselho de Coordenação dos Compatriotas Russos, e pela mulher, Yulia Khashin, funcionária do município setubalense.

De acordo com o Expresso, Igor Khashin, líder da Associação dos Emigrantes de Leste (Edintsvo), subsidiada desde 2005 até março passado pela Câmara de Setúbal, e a mulher terão, alegadamente, fotocopiado documentos de identificação dos refugiados ucranianos, no âmbito da Linha de Apoio aos Refugiados da Câmara Municipal de Setúbal.

Igor Khashin e a mulher terão também questionado os refugiados sobre os familiares que ficaram na Ucrânia, mas a Câmara Municipal de Setúbal garante que "nunca foi feita tal pergunta".

O jornal Expresso refere ainda que Igor Khashin é um dirigente associativo com dupla nacionalidade, que se apresenta como "gestor de projetos", e que as associações a que terá estado ligado estavam nos sites da Ruskyi Mir e da Rossotrudnichestvo, instituições estatais criadas pelo Kremlin para divulgar a cultura e o mundo russos, mas que, segundo fontes citadas pelo jornal, "podem servir de cobertura a elementos dos serviços secretos" da Rússia.

A secretária de Estado da Igualdade e Migrações enviou hoje ao Alto Comissariado para as Migrações (ACM) um pedido de esclarecimento na sequência da notícia de que refugiados ucranianos estão a ser recebidos em Setúbal por russos pró-Putin.

Em comunicado, o gabinete da secretária de Estado Sara Guerreira indica que o pedido foi dirigido à alta-comissária, Sónia Pereira, com caráter de urgência.

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