Rio recua: "Ou o PS vota condicionantes que o PSD sempre defendeu, ou PSD vota contra"

Sem nunca admitir o recuo, o presidente do PSD tentou dar dois passos à frente: desafiou o PS a aprovar em plenário a sua proposta - que terá um travão financeiro -, e garantiu que se ela não for para a frente, ficará inscrita no seu programa de Governo.

Tal como o CDS, o PSD vem agora dizer que, ou o PS vota a favor do travão financeiro que estava na proposta original dos social-democratas, ou estes votarão contra a proposta de devolução do tempo integral de carreira dos professores, em plenário. Rui Rio não se fica por aqui. Se o PS não tiver este "voto de responsabilidade", a proposta de devolução subordinada ao crescimento económico do país integrará o programa de Governo com que o PSD se apresentará a eleições.

Mais de 48 horas depois da declaração em que o primeiro-ministro anunciou ao país que o Governo se demite caso a proposta - tal como foi aprovada em comissão, por todos os partidos à exceção do PS - seja aprovada na votação final em plenário, o presidente do PSD reagiu, finalmente, ao final da tarde, num hotel do Porto - e depois de este sábado se ter mantido em silêncio, depois de cancelar a sua agenda pública.

Rui Rio começou por acusar o primeiro-ministro de ter lançado um "golpe palaciano" ao criar uma crise política "artificial" com base "num documento que ainda não estava fechado" - referindo-se à proposta aprovada em sede de comissão, na passada quinta-feira.

O líder social-democrata frisou que António Costa quis "perturbar a campanha para as europeias porque tem a plena consciência que está a correr mal ao seu partido", criando um número de "ilusionismo eleitoral".

Rio não poupou nas críticas ao Governo: atirou-se a António Costa, acusando o chefe do executivo de "vitimização" e de criar "um papão de orgia orçamental": Uma "mentira com pés de barro", já que, segundo o presidente do PSD, o partido teve sempre como pano de fundo à devolução do tempo de carreira dos professores a indexação a outros fatores, que funcionariam como travão a um crescimento inesperado e desajustado desta despesa.

Rui Rio sublinhou que o partido só votará favoravelmente a proposta final, se esta salvaguardar as condicionantes que os sociais-democratas sempre defenderam: o equilíbrio das contas públicas. "Para mim, isto é inegociável", garantiu.

"O travão financeiro, que a proposta do PSD contém para que seja evitado o papão da orgia orçamental com que o Governo hipocritamente acena, foi reprovado com os votos irresponsáveis dos deputados do PS [na quinta-feira]. Vamos propor no plenário a inclusão das propostas de salvaguarda que fizemos na comissão e que o PS incoerentemente rejeitou", afirmou.

Direto Partido Social Democrata

Rui Rio em declarações à imprensa. Leia na íntegra o que disse o Presidente do PSD >> https://bit.ly/2DOuGiq #PSD #PrimeiroPortugal

Publicado por Partido Social Democrata em Domingo, 5 de maio de 2019

O Presidente do PSD não explicou, no entanto, como deixou o seu partido passar em comissão uma proposta que não contemplava essa cláusula - tida como essencial.

Rio reservou ainda palavras duras para comentadores e comunicação social, referindo que "tentaram dar-nos, cinicamente, lições", mas deteve-se numa crítica em particular, quanto à "deplorável atuação do ministro das Finanças", que falou ao país do enorme impacto orçamental da devolução do tempo de carreira dos professores, sem explicar que uma negociação poderia criar alternativas, "através de aumentos salariais, redução do horário de trabalho, ou antecipação das reformas." Rio fez, aliás, questão de salientar que o único impacto orçamental que já tem data para se fazer sentir decorre precisamente de uma decisão do Governo: a da devolução dos dois anos que já foi fechada.

Falou ainda de um "ato de desespero de António Costa", semelhante ao de um "jogador, que estando a perder o jogo, e sem que ninguém lhe toque, se atira para o chão, à espera do penalty que não existe".

E depois, sem nunca assumir o passo atrás, Rui Rio deu dois à frente: desafiou o PS e o Governo "se estiverem de boa fé, a recuar", avisando que se os socialistas votarem contra a proposta (com a salvaguarda financeira) do PSD, "ficará a nú a farsa que montaram". E garantiu que se esta proposta não avançar já, ficará consagrada no futuro programa de Governo do PSD.

Rui Rio chamou à sua intervenção o ato final de peça de teatro, antes de se retirar de cena sem responder a perguntas dos jornalistas.

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