"Rui Rio esteve sozinho porque quis estar. Tem de se queixar de si próprio"

Em entrevista à TSF, o social-democrata José Eduardo Martins tece críticas às posições tomadas por Rui Rio enquanto líder do PSD e justifica o apoio a Miguel Pinto Luz na corrida à presidência do partido.

José Eduardo Martins considera que Rui Rio não se pode queixar de fragmentação no Partido Social Democrata (PSD), porque ele mesmo escolheu estar sozinho. Em entrevista à TSF, o ex-deputado defendeu que o atual presidente do PSD teve muita liberdade para se rodear das pessoas que quis.

"Com tanto conselho estratégico, com tanta liberdade para escolher a equipa que quis [...], acho que Rui Rio tem pouca razão de queixa de fragmentação do partido", atirou o antigo secretário de Estado.

Sobre a situação em que Luís Montenegro desafiou a liderança de Rui Rio e se impôs como candidato à presidência do partido, em janeiro deste ano, José Eduardo Martins diz que quase nem conta, porque se tratou uma "tentativa de golpe" fraca, que até acabou por fortalecer Rio.

"[Foi] uma tentativa de golpe tão fraquinha que morreu numa semana, e só lhe deu mais força para fazer o último ano de mandato com toda a liberdade", declarou José Eduardo Martins. Por isso, o social-democrata afirma que "Rui Rio, basicamente, tem de se queixar de si próprio".

"O insucesso do PSD não começou com Rui Rio"

Apesar de defender uma mudança na liderança do PSD, José Eduardo Martins reconhece, no entanto, que a derrota do PSD nas últimas eleições não se deve exclusivamente a Rio Rio.

"O insucesso eleitoral do PSD, vamos ser justos, não começa com Rui Rio", referiu. "Rio agravou esta situação de declínio, mas, em bom rigor, nós, neste século, só uma vez tivemos [um resultado eleitoral] acima dos 40%", notou.

Ouvido pela TSF, o social-democrata apontou três causas para os fracos resultados do partido: uma razão conjuntural - o facto de o PSD ter "herdado" o memorando da 'troika'; uma razão "dos tempos" - o facto de os eleitores estarem "cada vez mais afastados da política" e de preferirem votar em "em entidades não partidárias e acéfalas" (com José Eduardo Martins, a dar como exemplo o PAN - "Pessoas, Animais, Natureza, é só coisas boas!", ironizou); e uma razão estrutural - o facto de o PSD sempre ter tido "um problema de definição ideológica", e que mesmo sendo "um partido de direita", tinha espaço para " coisas que faziam sentido numa sociedade pobre que tinha o desejo de não ser nem um protetorado alemão nem uma feitoria chinesa".

"Miguel Pinto Luz não tem notoriedade suficiente para conseguir à primeira"

Entre os nomes que já se chegaram à frente na nova corrida à liderança do PSD, José Eduardo Martins não hesita em escolher um. O social-democrata já garantiu o apoio a Miguel Pinto Luz, em detrimento de Rui Rio e Luís Montenegro.

"Para ser candidato a presidente do PSD, é preciso vontade e capacidade. Há muito quem tenha vontade e não tenha capacidade e há quem tenha capacidade e não tenha vontade. Dos três candidatos que se apresentam, parece-me que o Miguel Pinto Luz é o mais bem equipado", indicou o antigo deputado.

"[Miguel Pinto Luz] é aquele que tem mais capacidade para olhar para fora do PSD", declarou. "Os outros são candidatos mais centrados naquilo que já somos, nos 1,5 milhões de portugueses [que votam no PSD]. [...] O nosso problema não é esses 28%, o nosso problema é sair para fora do PSD."

José Eduardo Martins admite, contudo, que a ainda fraca popularidade de Miguel Pinto Luz pode ser um fator prejudicial num futuro embate eleitoral.

"Acho que o Miguel Pinto Luz não tem ainda a notoriedade suficiente para, à primeira vez, o conseguir fazer. Mas tudo se constrói", defendeu o social-democrata.

Questionado sobre qual dos dois candidatos apoiaria, Rui Rio ou Luís Montenegro, na eventualidade de Miguel Pinto Luz ficar em terceiro lugar nas eleições do PSD e não passar a uma segunda volta, José Eduardo Martins abstém-se de escolher. "Também não é preciso fazer sempre escolhas", atirou.

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