Rui Rio não 'salva' Orçamento e admite crise política

Líder do PSD reconhece que não há consenso entre a esquerda para a aprovação do OE e pediu ponderação ao partido quanto à data das eleições diretas.

Rui Rio pediu ao Conselho Nacional do PSD, esta quarta-feira, ponderação quanto à data das eleições diretas no partido por causa do impasse no Orçamento do Estado para 2022, que não agradou à esquerda. O líder do PSD explicou que a proposta de ir a votos a 8 de janeiro atiraria o congresso para fevereiro.

"A proposta de 4 de dezembro também deixa o partido suspenso, mas menos tempo. Com a probabilidade de o Orçamento do Estado poder não passar, entendo que o PSD e, particularmente, o seu conselho nacional, daqui até lá, deviam ponderar muito bem se devem marcar as eleições diretas e o congresso para estas datas. Se o OE não passar, como já era relativamente previsível, o PSD é apanhado, em plenas diretas, completamente impossibilitado de disputar umas eleições legislativas taco a taco. Independentemente da proposta que fazemos há aqui um facto político muito relevante. Se tivermos eleições legislativas os portugueses querem um PSD em condições de combater o PS", explicou Rui Rio, em declarações aos jornalistas.

O líder do PSD propõe que o conselho nacional do partido marque as diretas para depois de o assunto Orçamento do Estado estar resolvido. Um aviso que deixa não só em nome dos interesses do partido mas também em nome do interesse nacional.

Quanto ao voto dos social-democratas no Orçamento do Estado, Rio recorda que o próprio primeiro-ministro, António Costa, disse que o Governo cairá no dia em que precise do PSD para aprovar o documento. Por isso considera que a intenção de voto do PSD é irrelevante para evitar uma possível crise política.

"Isso é decido à esquerda. Quem abre uma crise é o PS, Bloco e PCP, não somos nós. Eles é que se encaminham desde 2015 e têm de resolver o problema. Vou reunir com o Presidente da República depois de amanhã, já depois do conselho nacional do PSD. Entendo que a última coisa aconselhável ao país neste momento é uma crise política, mas se eu fosse líder do BE ou PCP não me considerava fora de responsabilidade dessa mesma crise política. Um Orçamento do Estado chumbando coloca, numa grande fragilidade, toda a maioria que existe neste momento no Parlamento", sublinhou o líder do PSD.

À pergunta se se sente em condições de disputar legislativas antecipadas, Rio foi categórico.

"Claro, isso é evidente, sou o líder do partido, fui candidato a primeiro-ministro em 2019. Depois de sair das autárquicas, será ainda mais fácil", acrescentou.

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