"O primeiro-ministro sabe tudo o que penso e sei tudo o que ele pensa"

Ministro dos Negócios Estrangeiros não abre o jogo sobre o seu futuro político mas não esconde a sintonia com António Costa. Na TSF, fala sobre o combate à pandemia, a tensão com a Rússia, mas também sobre África.

Augusto Santos Silva não revela se vai continuar a ser ministro no próximo Governo nem se poderá ser o próximo presidente da Assembleia da República. Entrevistado pela TSF, o atual chefe da diplomacia portuguesa diz apenas que sabe o que o líder socialista pensa sobre o assunto. E o contrário também é verdade. E tanto num caso como no outro, Augusto Santos Silva sublinha que, independentemente da sua vontade, não tem nesta altura "resposta possível". A composição do 23.º Governo "vai ser anunciada pelo Presidente da República, sob proposta do primeiro-ministro, que já se encontra pré-indigitado e será essa indigitação formalizada logo que existam resultados finais. No que diz respeito à minha eleição para o Parlamento, ainda não sei se fui ou não eleito visto que me candidatei pelo círculo fora da Europa e os votos só serão apurados nos próximos dias 8 e 9. O primeiro-ministro já sabe tudo o que penso e sei tudo o que ele pensa, mas compete ao Presidente da República informar a opinião pública quando entender útil e pertinente", explicou Augusto Santos Silva na entrevista ao programa O Estado do Sítio na TSF.

Na próxima semana há reunião em Lyon, França, que vai juntar os ministros dos Negócios Estrangeiros e da Saúde da União Europeia. Vão falar do combate à pandemia e Augusto Santos Silva antecipa que a prioridade que deve marcar esse debate é o aumento do nível de vacinação nas regiões do mundo com menos pessoas inoculadas. Desde logo o continente africano.

"Temos de apoiar a universalização da vacinação e esse apoio implica reforçar as nossas doações, mas não apenas isso. O essencial é reforçar a capacidade de produção de vacinas noutros continentes que não apenas o europeu ou a Índia e para isso é preciso transferência tecnológica, capacidade produtiva, capital e investimento. Esta iniciativa francesa de fazer uma reunião simultânea de ministros dos Negócios Estrangeiros e da Saúde destina-se justamente a enfatizar essa dimensão externa da nossa luta contra a pandemia", sublinhou o ministro dos Negócios Estrangeiros.

Santos Silva acaba de publicar um livro sobre o balanço da presidência portuguesa da União Europeia a que deu o título "Tempo de Agir na Europa". Questionado sobre se é tempo de agir para evitar uma guerra no leste do continente, o ministro disse que é a necessidade "mais imediata".

"Isso seria um desafio à arquitetura da União Europeia e não temos, felizmente, esse desafio desde as guerras nos Balcãs, nos anos 1990, e não queremos voltar a esses tempos. Para isso, como bem disse, é preciso uma combinação de diálogo e de firmeza", defendeu.

O ministro dos Negócios Estrangeiros considera que as recentes atitudes da Rússia estão longe de contribuir para uma boa relação com o ocidente.

"Os últimos movimentos da Rússia têm agravado. A colocação, em massa, de soldados das forças russas na imediata vizinhança da Ucrânia e estes exercícios militares de larga escala e muito inoportunos na Bielorrússia agravam a situação. Temos respondido com diplomacia, política, mas também com a firmeza que é indispensável", acrescentou Santos Silva.

Vai poder ouvir a entrevista completa de Augusto Santos Silva ao editor de internacional da TSF, Ricardo Alexandre, no programa Estado do Sítio que vai para o ar este sábado, depois das notícias das 13h.

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