"São os que nos trouxeram ao caos climático." Ativistas interrompem discurso do ministro do Ambiente

Grupos Climáximo e Scientist Rebellion assumiram a organização da ação, no âmbito da campanha "Gás é Andar para Atrás".

Um grupo de ativistas climáticos interrompeu esta quarta-feira uma intervenção do ministro do Ambiente, Duarte Cordeiro, na abertura da "Galp Electric Summit", no Teatro Thalia, em Lisboa.

O protesto contra o Governo e a Galp iniciou-se com as palavras de Zeca Afonso "eles comem tudo e não deixam nada", tendo os manifestantes, munidos de cartazes, sido retirados da sala por elementos da Polícia de Segurança Pública (PSP).

"Os senhores reunidos aqui hoje neste palco são os que nos trouxeram ao caos climático. [...] Quem monta uma expansão energética não a pode vender como transição", disse um dos ativistas, que se colocou em cima de uma cadeira para falar, pouco tempo depois do início do discurso do ministro.

Em comunicado enviado às redações, os grupos Climáximo e Scientist Rebellion assumiram a organização da ação, no âmbito da campanha "Gás é Andar para Atrás", que visa denunciar "os planos dos políticos e das empresas para aumentar os combustíveis fósseis na economia portuguesa e levar o planeta ao caos climático", em contradição com os discursos sobre transição energética.

"O Governo já declarou a sua intenção de aumentar a importação de gás fóssil. A Galp já anunciou que vai investir tanto nos combustíveis fósseis como nas energias renováveis nos próximos anos, o que justifica a sua parceria com a Savanna Resources, a empresa de extração mineira que detém as concessões de lítio no Barroso. O [presidente da Câmara Municipal de Lisboa] Carlos Moedas quer pôr mais carros na cidade e é aliado do Governo para construir um novo aeroporto em Lisboa", apontaram os grupos ativistas, na mesma nota.

Aprovação de mecanismo ibérico "está iminente"

Na sua intervenção, o ministro do Ambiente disse que o Governo está convicto de que a aprovação pela Comissão Europeia do mecanismo ibérico, para conter a escalada dos preços da eletricidade "está iminente", o que permitirá "alguma previsibilidade dos preços máximos".

"Há muitos países que estão a aproveitar estes momentos para andar para trás, Portugal não pode. Temos que aproveitar a oportunidade que temos do ponto de vista dos nossos recursos naturais e não olhar para estas crises como desculpa para retroceder", vincou o governante.

O Governo aprovou, em 13 de maio, o mecanismo ibérico para limitar o preço do gás para a produção de eletricidade, que irá permitir reduzir a fatura da eletricidade às famílias e empresas, depois de, no final de abril, os governos de Portugal e Espanha terem chegado, em Bruxelas, a um acordo político com a Comissão Europeia para o estabelecimento de um mecanismo temporário que permitirá fixar o preço médio do gás nos 50 euros por megawatt-hora (MWh).

O ministro destacou ainda o leilão de produção energética eólica no mar ('offshore'), que o Governo quer preparar durante este ano, para que a licitação ocorra em 2023, bem como os projetos que estão a ser desenvolvidos em Sines na área do hidrogénio.

"Portugal pode ser um produtor europeu de referência com elevado potencial exportador de hidrogénio, [...] e para isso temos, obviamente, a necessidade de criar infraestruturas", apontou Duarte Cordeiro, lembrando que há 715 milhões de euros disponíveis para investir nestas áreas, nos próximos cinco anos, além de "potenciais reforços", se houver necessidade.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de